Segunda-feira, 2 de Novembro de 2009
Meia Hora

 

 

Despe-me

Arranca a minha roupa rapidamente

Toma-me nos teus braços

Ama-me por meia hora apenas

Sei que neste espaço de tempo

A minha alma irá flutuar

Voltar ao tempo

Fingir que ainda sou menino

Mas sendo homem felino e macho

Desenhando em teu corpo

A forma selvagem de amar

Despe-me as roupas

E verás como quero sentir- me em ti

Deleita-te em meu sabor

Suga-me o néctar da paixão

Há tanto tempo guardado

Assim quando o dia vier despertá-lo

Não o irá encontrar só

Porque terá ao seu lado

Não o meu corpo suado de prazer

Mas a minha alma apaixonada

Que passou meia hora contigo

 

 



Publicado por asantos365 às 17:25
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Sexta-feira, 19 de Junho de 2009
Poema de fim de Tarde

 

Inspiro-me
Nos teus olhos
Tudo a desfocar-se...
Um fascínio natural
Soergue-se do medo
E suspira a memória
Dobrada a esquina lúcida
Encontro a criança
Impossível
Intangível
Nos contos que foi
O sonho ido
O sono vivido
Em serena emoção
Percebo o que é
O sublime
Regresso a mim
De mim
Aguardo
A tua presença celestial
Que desnudo utopicamente
Da distância triste
Que é a minha luta
Contra a minha mesma
Distância...
A minha mesma distância
Algo irritadamente
Tudo isto se passa ao de leve
No poema de fim de tarde
O coração pulsando ao de leve
As tonalidades do pôr-do-sol
E o não querer deixá-las partir
Noite e sombra fora...
O cintilante verde dos teus olhos
Encarnação viva da eternidade
Para lá de limiares estéticos
O verde suave e absoluto dos teus olhos
E sobretudo
Tu contida neles…
 
 
 
 

 



Publicado por asantos365 às 00:26
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Quinta-feira, 4 de Junho de 2009
Desabafo em vésperas de Eleições


Porque exigem tanto de mim?
Porque me indesejam?
Não me comprometo
Com a fria realidade
Mas o aquecedor é falso
Deixo de estar

Dói-me o sítio
Dói-me a repetição
Desta palavra eterna
Mas ecoa
Ecoa...
E ecoa

Hoje transeunte banal
Hoje, mágoa social
Que perpassa lá ao fundo
Cada vez mais nesta sombra
Que não é escura...
Apenas incolor
Apenas paralela
Apenas

Como sempre
A estrada não se partiu em duas
Não houve bifurcação
Apenas se projectou uma miragem
De cimento
Onde era o terreno inóspito e a dureza
De um País surdo e exterior
Acolhedor somente à sua maneira

Não à minha
Ou pelo menos
Não para comigo

Quero que se foda essa tua opinião
Quero que se foda o estereotipo
Em que recaio
E quero que te fodas com eles
Já que não me dão o mundo
Não me espremam outra vez
Os sentimentos e os bolsos

Essas vossas vozes redutoras
De quem não sabe na verdade
O que é ser ninguém
O que é não poder sofrer verdadeiramente
Por se não ser ninguém
Por não ter que a frágil mente por estimar
Viver sim
Mas com que sabor
Em que reconhecida paisagem
Que me permita não estar aqui
A cavar mais este fosso...

 

Não acredito em vós políticos aldrabões!

 

 



Publicado por asantos365 às 23:38
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Quarta-feira, 22 de Abril de 2009
Nas ondas vou Procurar-te

Nas ondas vou procurar-te

Para normalizar a sede do meu corpo

Que se embriaga

No sal dos teus lábios sedentos de amor
Feroz o mar

Ensina-me a respeitar os sons

E os ecos que vêm de longe
Há um céu

Coberto de nuvens de cores diversas
Com perfume de rosas

E sol que se afaga na linha do horizonte
Nas ondas te procuro

Quero fermentar essas vestes de seda
Teu corpo que se abriga

Da liquidez da paisagem com fumo
Que se ergue

Para lá das colinas transparentes
Olhas-me entre as gotas de água

Esverdeadas na purpurina dos meus actos
Esses cabelos soltos ao vento atraem-me
Esvoaço como uma abelha

Até ao espelho de entrada do teu ouvido
Sopro suavemente

Minha existência à tua inalterada beleza
Digo-te palavras

Que não se revelam aqui neste poema
Por serem demasiado íntimas

Por serem demasiado nossas
Hoje o mar

Escreve na espuma o limite dos meus desejos
Hoje o mar

Absorve a luz dos meus olhos

Que se reflecte no teu coração
A noite aproxima-se

Tu és a musa que caminha tranquila na areia
Não tens medo da companhia das gaivotas

Não tens medo que elas te observem
Que elas mergulhem

Na seda e te descubram o interior com as asas
Estou perto

As minhas mãos agarram o papagaio
Que o vento teima em não deixar cair

Agora posso voar
Amanhã quem sabe

Poderei correr de mãos dadas contigo
Antes que o tempo se gaste

E a vitória das anémonas se torne realidade
Amanhã, como hoje, seremos nós

Seremos ondas

Seremos mar
Seremos serenidade de algas

Teremos a luz das estrelas
Nasço de novo

Morro nos teus braços

Com a imensidade da vida
Visualizo janelas

Abro-as

Atravesso-as

Busco por ti
Corremos pela praia sem parar

Sentimos sem parar
Eu sou teu

Mas tu, tu também és minha

 

 



Publicado por asantos365 às 16:35
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Quarta-feira, 4 de Março de 2009
Reconstrução

Guardei-te na ausência do meu olhar
Libertei-me

Na ausência das mãos que me deixaram de prender
Lancei-me dentro do meu destino

Que mergulhado a meus pés me chamava
Quis ser outro

Quis ser sangue a fervilhar nas veias

Quis perder a paz
Esqueci as palavras que sabia

Os poemas e os versos que amava
Despi-me das crenças e dos hábitos de uma vida
Na ânsia da descoberta de um novo ser
Que gritava por nascer dentro de mim
Escondi-me de quem era

E dei-me a uma metamorfose algo perigosa
Acolhi no meu colo centelhas de cor alheias
Guardei-as dentro da alma
Moldei com as minhas mãos outros momentos
Senti na ponta dos dedos novas texturas
Construí um "mundo de ninguém", onde quase me perdi
Onde quase fiquei...
Onde quase esqueci quem era

Deslumbrado com quem criei
Volto aos poucos a reconstruir-me…

Entre um mundo e outro
Entre o passado e o presente descubro o futuro
Colo pedaços de um espelho estilhaçado
Ainda me pesa a minha imagem dentro de mim
Quero descobrir

Novos encaixes para o puzzle que sou
Percorrer cicatrizes que falam de mim

E descobrir novos caminhos
Voltar a dar voz aos gritos que silenciei
Escrever novas tatuagens...

E ser novamente dono das minhas palavras
Redescobrir a minha poesia

 



Publicado por asantos365 às 17:28
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Quarta-feira, 4 de Fevereiro de 2009
Relato de Um Crime

 

Trata-se de um relato baseado em factos reais, embora com os lugares e nomes dos personagens intervenientes no enredo alterados, cujo entrecho começa por apontar os motivos – que não as razões – que podem ter levado um catequista (e católico de 1-ª água) a cometer um crime de homicídio.

 

A história de um homem cuja fé e vergonha, o faz esconder durante algum tempo, a mais ignóbil das descobertas, ao ponto de tornar um homem comum e pacato, num assassino. Já que a “consciência ou alienação”, o impediram de calar as descobertas, que aos poucos, o lhe permitiram construir o «puzzle» que o enojaram e transtornaram.

 

Falo-vos de João, que aos 41 anos entra pela primeira vez numa Prisão. Deixando para trás uma dura vida de canalizador, electricista, comerciante e construtor civil.

 

 João passou por várias cadeias do País: S. Pedro do Sul, Viseu, Aveiro, Coimbra, Custoias, Braga e… onde ainda se encontra a cumprir pena.

 

Aos poucos, vai-se dando conta das diversas formas de os reclusos se “fazerem à vida ” em vários estabelecimentos prisionais da região centro – norte de Portugal por onde foi passando, apercebendo-se simultaneamente dos vários e múltiplos“esquemas”estratagemas para a introdução e comercialização de drogas – consumidas a uma “ revelia esquisita “, num período em que cerca de 80% da população prisional era constituída por detidos por tráfico de droga ou crimes com ela relacionados.

 

CAPÍTULO I

 

- Anda cá meu melro, que ou mas cantas tu ou tas canto eu...

Era já noite cerrada. Uma noite enluarada, de céu descoberto de nuvens, pois aquele último dia do mês de Fevereiro de 97 tinha sido um dia primaveril. Aproximavam-se das primeiras casas da vila e também do fim da subida, quando ligou o indicador de mudança de direcção para a esquerda. Atravessaram a estrada, em breve o saltitar das rodas da carrinha mista, o gemer da suspensão e alguns ruídos da porta traseira, anunciavam a passagem do piso novo da recém concluída via de circulação rodoviária, para o troço de estrada velha e fora de uso, que os máximos do veículo agora iluminavam. Estacionou poucos metros à frente do início, na berma do lado direito e mal tinha puxado o travão de mão, desligou as luzes.

O luar penetrou pelo amplo pára - brisas e permitiu ao motorista vislumbrar o espanto no rosto sombreado do pendura. Por cima da sombra do bigode, que sabia preto e farfalhudo, os óculos espelhavam uma lua cheia, redonda e luminosa. Sossegou – o. - Calma, não se aflija. Só quero ter uma conversazinha consigo, mais nada. O rosto, habitualmente fechado, manteve - se virado para ele, cabeça imóvel, provavelmente na expectativa. Algo friamente, continuou.

- Cosme, vamos falar de homem para homem. Eu tenho umas dúvidas a atormentar - me há já alguns dias, que quero esclarecer consigo. Vamos conversar um pouco.

Aquele, incomodado por certo, agitou - se e, numa voz prenhe de aborrecimento e indignação, retorquiu.

- Mas para conversar, tinha de me ir buscar? Para isso tínhamos conversado lá em casa, ora!

Com crescente aspereza, o primeiro volveu.

- O assunto da conversa é demasiado grave e sério, para correr o risco de que alguém nos interrompa. Aqui estamos mais à vontade.

- Mas que assunto?! Olha qu’esta!

Após breve pausa, incentivou – o.

- Vá lá, diga o que tem a dizer!

- Ò João, você tem cada uma!

Enchendo o peito de ar, este obedeceu - lhe, terminando embora com uma ameaça velada.

- Bem, tudo depende de si. Eu só quero que me esclareça umas coisas porque há três semanas que não durmo, a tentar perceber, mas sobretudo a aceitar, as conclusões a que tenho vindo a chegar. Acho que já não tenho dúvidas e apenas quero obter de si a confirmação do que descobri e deduzi. Mas não me minta, porque ando muito irritadiço! Franzindo os ombros, o outro borrifou - se de enfado.

- Então mas o que quer que lhe confirme?

Sem se fazer rogado, o João começou então.

- Aqui há dias, quando eu e a Luísa subíamos para o quarto, ela, que tinha começado a subir na minha frente, junto ao cimo da escadaria voltou para trás para ir desligar a luz do «hall» que eu, por desconhecimento de que não desligava ao chegar ao 1º andar, havia deixado ligada, ao subir logo atrás dela. Quando, primeiro que ela, cheguei ao cimo da escadaria, vejo o professor correr para mim, com um ronco de cio, fazendo menção de me abraçar. Ele é maluco, paneleiro, ou o quê?! Que quereria de mim um miúdo com vinte e poucos anos?

Ainda enfadado, o Cosme replicou.

- Ah, não! Deve tê - lo confundido com o seu filho. Andam sempre na brincadeira!

Exactamente a explicação que lhe dera a ela na manhã seguinte ao incidente. Isto significa que o jovem professor, da idade do nosso filho mais novo era o “ cliente” intra-muros (da mulher), que já nem sabia se conhecia apesar de terem sido casados durante 22 anos - o que significava que ambos sabiam do que se passava, ou, que, pelo menos, tinham dado como boa a explicação que ele próprio aventara para a ainda esposa, embora decorresse entre ambos um processo de divórcio por (mútuo consentimento) - pensou para si mesmo o João, que enervado e indignado, retorquiu:

- Qual confusão qual carapuça! Tanto ele, como você e também a Luísa, sabiam bem que o Miguel só regressaria ao fim do turno, que só terminava à meia - noite!

Após brevíssima pausa concluiu.

-Não me venha com tretas! Ele confundiu - me com a Luísa e não com o filho porque tinha espreitado antes e só a vira subir a ela! Era a ela que ele queria abraçar! Só que ela descera para apagar a luz, e só eu continuei até ao cimo da escadaria! Daí a confusão, percebeu seu pulha?

Com novo franzir de ombros, o outro tentou demonstrar a improbabilidade.

- Não, não terá sido isso. Ele até é um atadinho! E, mesmo que ele se atrevesse, ela não lho permitiria. Acho que julgou que era o seu filho.

Sentindo que o outro procurava atirar - lhe areia para os olhos, o João socou - o com força no peito, o que fez sobrevir - lhe uma tosse seca.

Depois de arfar algum tempo, ficou a respirar com dificuldade.



Publicado por asantos365 às 22:34
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...

Pacientemente, deixou que normalizasse a respiração e continuou, algo circunspecto.

- E já teria acontecido mais vezes, pois ele parecia estar à espera que ela subisse.

Mas isso nem sequer seria grave, pois “se o linho está ao pé da estopa até o diabo lhe sopra”. E você seu porco, que tem andado a fazer com a sua irmã?

Como se alguém o tivesse puxado por detrás, o gemebundo endireitou as costas e, voltando – se para o lado contrário, exclamou, indignado.

- Eu?! Com a minha irmã?! Nada! Olha que’esta!

Numa nova explosão de fúria, o outro deu - lhe uma saraivada de socos de que o Cosme, a gemer e a arfar, se defendeu, baixando a cabeça e escondendo - a entre os braços.

Nova pausa, após a qual o João avisou

- Já lhe tinha pedido que me esclarecesse o que lhe perguntasse, embora entenda que o que sei já me chega! Por isso deixe de armar em esperto, senão vai levar até falar! Colabore, senão vai - se dar mal!

- Você deve andar marado! Eu, com a minha irmã?! Olha q’esta!

Confiando na penumbra, esticou o braço para o fecho da porta.

Porém, apercebendo - se disso, o João vibrou - lhe um murro no braço e, colérico, ordenou.

- Quietinho, que ainda não vai embora! Há muita coisa para esclarecer primeiro. E aconselho - o, uma vez mais, a colaborar. Senão vai levar muitas!

Apertando o braço contra o peito, manteve - se apenas a gemer. Algum tempo depois compôs os óculos.

Entretanto, o primeiro continuou:

- Já sei que ainda antes de o Miguel vir da tropa, no fim do mês de Julho, vocês tinham tido relações sexuais e suponho que ali, em Matosinhos, dormem juntos, como marido e mulher.

Por isso é que você só se vai deitar depois de o rapaz regressar do turno da meia - noite por forma a que ele não se aperceba da sua entrada no quarto dela. Senão o seu pijama não estaria lá na primeira noite em que eu, inesperadamente, dormi com ela, em Matosinhos.

De novo o Cosme se mostrava indignado:

- «Quais» pijama?! Você não anda bom da cabeça!

Nova chuvada de socos na cabeça e nas costas, porque, adivinhando a reacção do cunhado, o Cosme enovelara - se todo, de cabeça entre os braços, junto dos joelhos.

O João ficou algum tempo a ofegar devido ao esforço dispendido.

Depois voltou a ameaçar, uma vez mais.

- Parece que vou ter que o aleijar! Veja se percebe que eu só preciso

Que me confirme o que já sei, porque há coisas que me custam a aceitar que tenham acontecido com dois irmãos. Depois levo - o de novo a Matosinhos, porque então talvez já consiga dormir – o que já não acontece há três semanas.

Mas prometo que não lhe faço mal nenhum. Porte - se como um homem, seu pulha!

Durante algum tempo só se ouviram os gemidos do Cosme.

Depois, o João voltou às perguntas e às ameaças:

- Prefere levar mais? Toca a sentar direito! Estou a perder a paciência! Vou contar até três: se não me diz quando começaram, leva! Um... dois...dois e meio... - e levantou, ameaçador, o braço direito.

Por fim, o Cosme decidiu - se e pediu.

- Pronto, pare lá com isso!

Recostando - se, em descompressão, o João voltou a avisar:

- Não volte a tentar abrir a porta, senão parto - lhe o braço!

Ainda arquejante, o outro endireitou - se um pouco e começou.

- Começámos daquela vez em que você a mandou lá a casa por causa do cheque que eu lhe tinha tirado da gaveta da secretária.

 Havia já muito tempo que eu não tinha relações sexuais, e estava de “pau feito” pois estava a ver um filme de sexo. Ouvi bater à porta e tirei o som da televisão para ir ver quem era. Claro que não a esperava, mas como ela vinha ofegante, dei - lhe um beijinho, mandei - a sentar no sofá da sala e fui à cozinha buscar - lhe um copo de água. Quando voltei, ela estava vermelha que nem uma tomate. Fiz - me despercebido e o filme continuou a passar. Depois começámos a falar no que você e a Rosa nos tinham feito e tal, e pronto, começámos também. Estávamos quent...

- Ah! Então começaram muito antes do que eu pensava! Por isso é que ela, ao regressar a casa parecia que o defendia, quando eu lhe perguntei o que era que você tinha dito sobre roubo do cheque!

E eu a pensar que tinha sido quando vos apanhei, na minha própria casa, a ver vídeos desses! -Nojentos!

Algo eufórico, o Cosme parecia ter desatado a língua:

- Bem, a princípio ela não queria. Mas eu agarrei - a pelas pernas e quando caiu de joelhos, levantei - lhe a saia, desapertei a braguilha das calças e...

- Dois irmãos! Canalhas! Porque se ela quisesse impedi-lo… Interrompeu, enojado, o João.

- Pois, mas estávamos ambos quentes, por causa do vídeo, de forma que mal se debateu. Ao fim e ao cabo, você e a Rosa também nos tinham sacaneado! – Volveu, com alguma vivacidade, o outro.

 

Continua...



Publicado por asantos365 às 22:25
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...

Dando - lhe uma pancada leve no ombro, o primeiro respondeu.

- Para vocês eu e a Rosa também éramos irmãos, não? Que filhos da puta! Era então uma vingança do que eu tinha feito com a sua mulher, não era? Dois irmãos!

O Cosme, parecendo ter dado subitamente pela diferença, manteve - se prudentemente em silêncio.

Por sua vez, o João, amargamente, comentou.

- Ainda cheguei a defende-la, por saber que tinha ficado psiquicamente afectada com o meu acidente, mas acho que vocês já nasceram filhos da puta! E claro que estava convencidos que tinham começado lá na quinta, ao perceber que viam filmes pornográficos juntos.

Mas então tinham começado já quase há um ano, em Março do ano passado!

Depois arranjaram forma de ir para Matosinhos...

Após breve reflexão, continuou a perguntar:

- Então porque foi que ela, em Setembro voltou para casa?

Recostado ao vidro lateral do lado direito, meio voltado para o João, o Cosme respondeu prontamente:

- Foi ideia dela! Os clientes eram poucos, a renda da casa era cara e nós estávamos a passar mal. Eu disse - lhe que, a princípio, todos os negócios são fracos, que era preciso paciência até ganhar clientela, mas ela não quis esperar. Então combinámos que ela voltasse a ir viver consigo, indo ver - me apenas aos sábados à tarde, para ficar comigo e com um ou outro cliente que eu arranjasse, porque tal como estávamos, não dava para nos aguentarmos, pois você também pagava-me pouco.

O João nem queria acreditar, e reflectia em voz alta.

- Pois, ela voltava a ser uma respeitável dona de casa, com os clientes que aviava aos sábados. Ajudava o pagamento da renda...E eu, que largava tudo só para a levar a Matosinhos! Filho da puta – gritou - lhe na face.

Acautelando - se, o Cosme voltou a esconder a cabeça entre os braços.

Mas o outro manteve - se a raciocinar, em silêncio. Momentos depois perguntou:

- Em Dezembro, ela voltou para Matosinhos. Porque foi que, no dia seguinte, você se demitiu?

Parecendo ter despertado, o Cosme retorquiu, parecendo não ter ouvido a pergunta:

- Voltou porque você lhe bateu! E bateu - lhe bem, porque eu tive que a levar ao hospital!

- Não me venha com essa! Você sabe muito bem que não lhe bati! Foi ela que se automutilou.

Provavelmente a seguir instruções suas!

-Responda lá à pergunta que fiz: porque foi que você se demitiu no dia imediato à nova ida dela para Matosinhos?

Simulando só então ter ouvido, respondeu.

- Ah, porque foi que me vim embora da obra?! Foi para pôr as coisas a funcionar: arranjar clientes, leva-los lá, enfim, fazer render o negócio.

 - O quê?! Está - me a dizer que deixou de trabalhar só para ir promover aprostituição da própria Irmã?

Ó seu cabrão!

- E, acto contínuo, desatou a dar - lhe socos onde o podia apanhar, nos flancos e nas costas, porque, entretanto, o outro já se enovelara.

Durante algum tempo, o João continuou a socá - lo, num acesso de fúria que não controlou.

O outro gemia, uma vez mais.

O primeiro voltava às contas de cabeça, a tentar aceitar o que já percebera.

Tudo combinado pelos dois...

Fez - se então um breve silêncio.

Momentos depois, o Cosme foi dizendo:

- Vocês queriam - se divorciar, e eu aconselhei - a a provocá - lo, a arranjar umas nódoas negras para mostrar no hospital e, depois ao advogado. Depois vinha de novo ter comigo e recomeçávamos a fazer - nos à vida, a ganhar dinheiro, desta vez com o meu apoio a tempo inteiro e...

- A ser puta e você chulo! Chulo da própria irmã! – Interrompeu, sentindo - se enganado e enojado, o João, que voltou a raciocinar em voz alta.

- Por isso a encontrei a sair do escritório do advogado no mesmo dia em que você se demitiu, ou seja, no dia seguinte à saída dela…

Depois invectivou - o, irado.

Filhos da puta!

Temeroso, o Cosme já tinha voltado a esconder a cabeça entre os braços.

Daquela vez, porém, o outro conteve - se.

Continuou no entanto a conjecturar, de conclusão em conclusão.

 - Foi ter com o advogado, na pressa de obter o divórcio. Assim, nem que eu, já ex - marido, descobrisse o que vocês andavam a fazer, só tinha era que me manter caladinho, porque era uma carta fora do baralho.

Pois e para isso era preciso passar o advogado para o vosso lado. Ela foi lá para mostrar as nódoas negras e para o seduzir, para fazer dele um cliente útil ao que vocês pretendiam conseguir. Interrompeu o irmão - chulo confesso.

- Claro - prosseguiu o outro quanto mais depressa se divorciasse, mais à-vontade ficavam, fosse a que preço fosse, não era cabrão?!

Ficaram de novo em silêncio, com o João a tentar encaixar as descobertas e confissões que fora obtendo. Momentos depois, voltou a perguntar.

- Você demitiu - se, ela veio para o escritório do advogado...quer dizer, ainda naquela tarde começou, não?

O Cosme não se fez rogado:

- Quando chegou a Matosinhos, ela ia muito revoltada. Acalmei - a e depois, combinámos não perder mais tempo. Depois de você me ter deixado à boleia, na Areosa, depois de na obra, eu me ter demitido, por sorte apareceu o Manelito, o taxista da minha terra, que parou para me trazer de volta a Matosinhos. Na viagem, pedi - lhe que me arranjasse clientes para uma gaja que eu tinha comigo lá em casa. Claro que não lhe disse quem era e ele aceitou numa boa.

Disse - lhe que só teria que mos trazer até ao café. Depois eu me encarregaria de os levar até ela.

Sem se conseguir conter, o João agarrou - o pela lapela e, abanando - o, exclamou:

- Ó mete - nojo, «ela», por acaso, é sua irmã, minha mulher, e mãe de dois homens, com quase vinte e um e vinte e três anos, avó de um neto! Já se deu conta cabrão, para quem promoveu a prostituição?!

Prudentemente, o Cosme enovelara - se de novo.

O João respirava com dificuldade, sentindo que o diafragma lhe doía. Quando serenou, perguntou:

-Então e o taxista, quanto recebia?

Após um breve franzir de ombros, o outro prosseguiu:

- De nós, nada. Limitava - se a receber o frete de quem levava ao café, onde eu estava quase sempre, só saía de lá quando ia conduzir os clientes, à ida e à vinda e claro à noite. O sucateiro e seus amigos é que abusavam, porque ela começou a apanhar - lhe o gosto e dava algumas baldas. No entanto o negócio dava dinheiro e ela sentia - se bem, apesar de ter medo que você, os filhos ou a nora, se apercebessem de alguma coisa. Mas enfim, era um risco que corria com gosto, até porque estava ao pé deles e do neto - de que tanto gosta. Por outro lado, era relativamente independente, até porque não tinha que levar consigo nem com os seus problemas financeiros.

Os nervos e a revolta reprimidos provocavam dores na região abdominal do João, devido ao esforço que fazia para se conter.

Sentindo que tinha que aliviar a tensão, invectivou.

- Você é um porco! Um chulo nojento da própria irmã! Agora percebo porque razão me disse que “tinha o seu dinheiro” quando eu, preocupado com as vossas pretensas dificuldades, lhe fui oferecer trabalho, uma vez mais! Por isso é que você, pedante de merda, passou a inventar desculpas sobre o dia, em que tinha prometido ao meu filho mais velho voltar ao trabalho!

Claro, estava a fazer o que fez durante toda a vida! Enquanto morou à sombra da sua mãe, obrigava - a a prostituir - se para ter dinheiro para as borgas. Quando esteve na tropa, engatou a Rosa, uma miúda de 18 anos e, durante vinte anos, viveu à custa da prostituição dela, a sua esposa, e agora, chulo na reforma, alapou - se à irmã, a nova mina. Porco, nojento!

Colérico, arrancou - lhe o «capachinho» da cabeça e arremessou - o contra o piso da carrinha, com quanta força tinha. Agarrou - o pelo blusão, puxou - o para si, e gritou - lhe no rosto.

 - Filho da puta!

Depois empurrou - o contra a porta.

De novo o Cosme tentou puxar o manípulo.

Numa desesperada e súbita reacção, o outro atirou - se para a frente, tentando enterrar - lhe as unhas no rosto.

Voltando a aperceber - se também, João agarrou - o e deu - lhe um soco no ombro direito.

Recuando instintivamente, tacteou o camartelo, que sabia estar entre o banco e a tampa do motor. A defender - se da arremetida do Cosme com o braço esquerdo, fechou a mão direita sobre o cabo e, acto contínuo, brandiu - o no ar e atingiu o mesmo no centro do reflexo dos óculos.

O som cavo da pancada fê-lo cair em si, e um pensamento angustiante acudiu lhe à mente: «Oh! Que fiz eu, meu Deus!»

Estranhamente, o outro manteve - se em silêncio. Nem um gemido sequer.

Então, em pânico, afligiu - se: E agora?!» - pensou.

Decidiu momentos depois, que tinha que tirá-lo da carrinha e entontecido, abriu a porta. Aos tropeções, contornou a parte da frente e abriu a porta do lado contrário, a tremer de medo.

 

Continua...



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...

Dirigiu - se ao corpo e tentou carregá-lo, mas, apesar de ser mais novo, e mais alto, cerca de 15 cm (com o seu metro e setenta e seis) que o Cosme, o acidente de cerca de seis anos antes enfraquecera muito todo o seu hemi - corpo esquerdo. Assustou - se quando, inesperadamente, o ouviu grunhir.

Seguindo a direcção do braço dele, percebeu que apontava para o chão da carrinha. E de repente entendeu – o.

Ah, o capachinho?!

Com uma inusitada e amoral presença de espírito, troçou.

- Deixa lá, para onde vais não precisa mais dele! No inferno queimava - se…

Tarde demais. Tinha entrado num caminho sem retorno. Agora não podia voltar atrás. Só lhe era permitido seguir... até ao fim...

Uma estranha serenidade o invadiu e só pensava em livrar - se do corpo. Agarrou - o pelos sovacos e arrastou - o para a vegetação mais densa do outro lado da estrada, deixando uma mancha escura e brilhante à luz do luar, no alcatrão do antigo e abandonado troço de estrada.

Sangue…

Embrenhou - se cerca de dois metros no matagal, puxando - o por entre os arbustos. O moribundo resfolegava. Meteu o pé num buraco e, exausto, caiu. Mas levantou - se a custo e continuou a puxá - lo um pouco mais para o interior da mata. Preparava - se para o largar, pensando em sair dali o mais depressa possível. Então, com as forças que lhe restariam, o outro agarrou - se - lhe ao braço esquerdo e espetou - lhe as unhas na carne do pedaço de braço que a manga do blusão deixava a nu.

A dor provocou no João a perda de controlo e, num acesso de cólera, vibrou - lhe várias pancadas na cabeça, com o camartelo que trouxera na mão direita. O corpo continuava a resfolegar ruidosamente, o que lhe aumentou o pânico.

E se algum casal de namorados, dos que habitualmente param por aqui, o ouve? – Questionou-se. Desaustinado, atirou o camartelo ao chão.

(E se alguém ouve?) - a pergunta continuava a martelar - lhe o cérebro e a pô-lo fora de si.

Tinha que acabar com aquele ruído. Meteu a mão ao bolso, à procura da navalha multi - usos que sempre trazia consigo, (aquele a quem os putos do futebol tinham apelidado de Macgyver, devido à sua capacidade de improvisar soluções).

Tenho que evitar que isso possa acontecer… - Era a tarefa que se impunha. Abriu o canivete e desaustinado, abraçou - lhe o pescoço com o braço esquerdo e puxou - lhe o queixo para cima.

Passou-lhe a navalha por debaixo da manga, sentindo apenas alguma resistência quando a lâmina atingiu a traqueia. Forçou um pouco, pensando em lha cortar. Instantaneamente, mal isso aconteceu, o resfolegar parou, sendo substituído por uma quase imperceptível entrada e a saída de ar dos pulmões.

- Ah, assim está melhor - pensou, aliviado.

Repentinamente, voltou - lhe a lucidez e, horrorizado consigo mesmo, tacteou, à procura do camartelo, sentindo uma súbita urgência em sair dali. Tonto e a tremer, deixou de o procurar e aos tropeções, dirigiu - se à carrinha. Não parava de tremer quando abriu a porta e se sentou ao volante, sentindo um suor frio a inundar - lhe a testa. Olhou em volta e certificou – se de que nenhum carro tinha parado por perto. De relance, constatou que à sua direita, tanto o banco, como o vidro direito e o para - brisas estavam cheios de sangue, assim como provavelmente o piso da carrinha deveria estar. Teve então um estremeção mais forte e de novo, um pensamento mórbido, horripilante: “O gajo sangrou que nem um porco”. Por breves instantes, um imperativo de lucidez fê-lo agir. Ligou o motor e as luzes e tremia quando destravou a carrinha e engrenou a primeira, pensando em sair dali sem fazer grande barulho para não se denunciar. Mas as pernas tremiam - lhe incontrolavelmente e não lhe obedeciam.

Assim, ao arrancar aos solavancos, os pneus guincharam no pavimento, ao mudar de velocidade de novo as rodas guincharam e a mudança arranhou. Atrapalhou - se e deixou que o veículo quase atingisse a berma da esquerda, passando de um lado ao outro da velha estrada. Corrigiu com alguma dificuldade a trajectória, pois não conseguia controlar as tremuras. Definitivamente, os seus membros não lhe obedeciam, parecendo ter vida própria.

Ao atingir a estrada nova não conseguiu parar e em pânico atravessou para a faixa de rodagem da direita. Felizmente nenhum veículo se aproximava, senão provavelmente tê-lo – ia colhido. Com alguma dificuldade, virou à esquerda em direcção à vila, mas de cada vez que mudava de velocidade a caixa de velocidade arranhava, o que contribuía para o desconcentrar e atrapalhar, fazendo ziguezaguear a carrinha, que continuava a progredir com alguma dificuldade a baixa velocidade. Todo ele tremia, por dentro e por fora nervosamente, aflito em pânico absoluto.

Quando se cruzava com outros veículos, encostava - se todo à berma, mantendo os médios ligados desde que passara para a estrada nova, quase parando, receando não controlar a carrinha, como que a pedir desculpa por ir ali, onde circulavam as pessoas honestas, sentindo - se o mais impuro dos homens. A cada momento, a voz íntima lhe perguntava repetidamente:

E agora? E agora?! Posta perante a irremediabilidade do seu acto, entontecido, ia guiando com todo o cuidado, tentando apenas e só, evitar sair da estrada. Mas aquela voz íntima que não se calava!

Entretanto aproximara - se da vila, debruçado sobre o volante e ao passar pelas bombas de gasolina olhou para a Igreja da Imaculada, onde comungava todos os domingos, na companhia dos seus alunos da catequese e da comunidade católica da vila. Dirigindo ao seu bom Deus, Pai de amor, de bondade e de justiça, uma súplica de perdão. Mas quando voltou a concentrar o olhar na estrada, de relance, reparou em algo que o sobressaltou e lhe aumentou o pânico. No chão da carrinha estava o capachinho do moribundo!

Uma nova urgência se impunha. Tinha que se livrar daquilo!

Com redobrados esforços, procurou concentrar - se na condução. Pois ali perto do posto da G.N.R, não podia parar.

Momentos depois, passava em frente ao quartel dos Bombeiros e avistava a solução para a urgência. No largo da Fonte Luminosa havia um contentor do lixo!

Abriu o sinal para a direita e encostou. Quando dava a volta à carrinha, reparou que o Luís, que jogara na sua equipa de futebol, tinha parado e o fitava. Alarmado e a interrogar - se, embora lhe tivesse com forçada naturalidade, dado as boas noites.

- Boa noite, Luís. – A voz saiu - lhe rouca e trémula.

Disfarçadamente, abriu a porta do lado direito e de costas para o outro, apanhou a repa de cabelo.

Sempre de costas para o jovem, para que este não visse o que ele tinha na mão, abriu a tampa do contentor e atirou para dentro dele a (preocupação) do Cosme, que lhe queimava as mãos.

Depois fechou a porta, contornou a parte da frente da carrinha, voltou a abrir aporta da esquerda, subiu para o lugar do condutor, pôs o motor em marcha, acendeu as luzes e prosseguiu em direcção à quinta. Ao passar em frente ao cemitério teve um arrepio. Mas, sempre em marcha lenta, foi descendo a estreita estrada com redobrados cuidados. Pouco depois chegava ao pequeno chalé abarracado que lhe servia de morada.

À luz dos detectores de movimento, reparou que até por fora a carrinha tinha sangue. Esticou a mangueira de jardim e portas abertas, lavou a carrinha com todo o cuidado para não deixar vestígios. Retomada a lucidez, “que adquiria quando alguma tarefa se impunha”. Nesses períodos, concentrava - se no que fazia e a angústia, omnipresente noutros, ficava como que esquecida.

Na casa paredes - meias com a sua, os velhotes já dormiam havia pelo menos duas horas, embora, num rápido relance ao relógio, constatasse serem apenas oito e pouco da noite.

Também reparou que tinha o fato de treino escuro cheio de manchas escuras “eina pá”, estou cheio de sangue! - Pensou.

Deu por terminada a lavagem, e entrou em casa. Foi ao quarto de banho e então percebeu porque o jovem jogador fizera a cara de alarme e espanto. Tinha o rosto e o cabelo todos ensanguentados!

 

 

Continua...

 



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...

Foi ao quarto buscar outra roupa e de toalha na mão, dirigiu - se ao tanque da água, que sabia estar cheio. Embora estivesse frio, despiu - se e arrepiado de nojo, atirou a roupa e as sapatilhas para dentro da água. Voltou a vestir - se e regressou a casa, o pânico e a angústia a tomarem de novo conta dele. Sentou - se no sofá, procurando acalmar - se. Quando o conseguiu, telefonou para França, para saber se da parte do amigo tudo estaria bem, como tinham combinado na quarta - feira anterior, quando ele tinha decidido ir começar uma vida nova, pois não achava que fizesse sentido continuar a escravizar - se ali, para uma esposa que já não tinha e para dois filhos que não davam valor aos seus sacrifícios. Estava tudo acertado, sábado o amigo iria busca-lo à Central de Camionagem de Toulouse.

Subiu ao sótão e trouxe consigo duas pequenas malas, que carregou consigo até ao quarto.

Escolheu a roupa a levar e constatou que não cabia lá o indispensável. No dia seguinte resolveria o problema. Foi mete-las na carrinha e cobriu - as com um pedaço de alcatifa velha. Enfim, eram quase dez horas, a hora a que costumava deitar - se e decididamente estava cansado.

Regressou ao quarto e deitou - se, tentando sossegar - se com a ideia de que, face às revelações e às circunstâncias, não podia ter feito outra coisa. Fechou os olhos e dormiu uma noite completa, curiosamente a primeira em 20 noites seguidas...

Levantou - se repousado, apenas quando sua mãe estranhando, bateu à porta do chalé, a chamar por ele, que costumava madrugar, como aliás também ela e o velhote. Ainda em pijama, foi abrir. -Então, João, hoje não te querias levantar rapaz? (para ela seria sempre um rapaz).

Estremunhado, respondeu-lhe.

- Ó mãe, ainda não são sete horas e hoje é Sábado! Já não posso descansar mais um pouco que o costume?

 -Ora bem, bem, está-te a dar para a preguiça, ou quê?! Ontem deixei - te a comida na mesa e hoje vinha só buscar os restos para dar à cadela.

- Pois pode dar - lhe tudo, que eu ontem até me esqueci de comer – respondeu.

- Então vou deitar a comida fora, estava tão boa? Bem, eu cá vejo... Tu foste para as patuscadas, está visto. Mas despacha - te lá que daqui a pouco está aí o rapaz que costumas ter aí a ajudar – te. Apressou a sexagenária.

- Está bem, mãe. Olhe, faça - me o almoço para o meio - dia em ponto, que hoje vou ter que sair.

- Andas muito saído rapaz! Está bem, às 12 horas estará pronto. Mas agora deixa - me arranjar alguma coisa para a cadela que deve estar cheia de fome, e também é criatura de Deus! E de tacho na mão, saiu.

De novo sozinho, decidiu procurar na lista o número de telefone do pároco. Talvez depois de se confessar, acreditava ele, a paz de espírito lhe voltasse e aquela voz se calasse. E como catequista, sabia que o padre sujeito ao segredo da confissão, não o denunciaria. Pouco depois ligava e como quase sempre acontecia, o padre e amigo estava disponível.

Bebeu a caneca de café com leite que a mãe lhe tinha trazido e a mordiscar a sanduíche que levava na mão, saiu.

Como se tivessem combinado ao segundo, também o rapazito que costumava ficar no estaleiro aos sábados, fazia derrapar a bicicleta no largo em frente ao estaleiro. Entregou - lhe algum dinheiro para fundo de maneio, pediu - lhe que não vendesse nada fiado e dizendo - lhe que só ia dar um salto à vila, subiu para a carrinha manobrou e arrancou.

Pouco depois “chocaria” o padre, que nunca esperaria ouvir tal confissão de um dos seus melhores catequistas.

Para confortar também o corpo, foi à pastelaria mais próxima tomar uma bica e comer um bolo.

Depois voltou para a quinta, procurando abstrair - se das múltiplas sensações que teimavam em confundi - lo. Constando que o movimento comercial era pouco, deixou indicações ao Raul, o rapaz que o substituía no estaleiro, e rumou ao Porto para comprar o bilhete para França e fazer uma derradeira carícia ao neto e comprar mais um saco de que necessitava para levar roupa consigo.

Quando regressou ao passar perto do local, estremeceu e por momentos, a voz íntima voltou.

“Ora bolas, a confissão, afinal não chegou para te calar “ - pensou. Não era porém tão insistente, e já lhe permitia concentrar - se na condução do veículo, fruto talvez do bom sono da noite.

De novo em casa, concentrava - se na arrumação do saco. Dirigia - se à saída quando sua mãe, talvez movida por um sexto sentido, pouco depois de ter entrado, o interceptou.

- Filho, tu não nos contas nada da tua vida mas eu pressinto que nos vais deixar. Que há - de ser de nós?! Mas olha, oxalá seja para teu bem. Que Deus nos ajude a todos! Voz embargada, as lágrimas a bailar - lhe nos olhos, dando - lhe pequenas pancadinhas no peito.

Acabrunhado, João não soube que resposta dar.

Também a idosa, passado um breve momento de silêncio, rodopiou sobre si própria e saiu batendo a porta.

Pensativo, também ele saiu a caminho do estaleiro.

À secretária, consultou a agenda para se certificar dos compromissos apontados para esse dia. Mas, decidido a partir, pensou. “Que se lixe cá isto “. Trabalhar tanto para quê? Para quem?

Já tinha avisado o rapaz de que sairiam mais cedo e chegada a hora, pagou - lhe e estendeu – lhe a mão, numa despedida que daquela vez, não seria para o dia de trabalho mais próximo.

Isso porém, só o sabia ele.

 

Continua...



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...

Dirigiu - se à habitação, onde sua mãe já tinha posto a mesa. Durante a refeição, foi pensando nas palavras da mãe, momentos antes. “Que há - de ser dos velhotes?” E do seu filho, sócio – gerente de uma das empresas, sem experiência nenhuma de gestão, para fazer face aos inúmeros problemas de ambas.

A meio do repasto, repentinamente, decidiu – se. Não os posso abandonar! Não vou! O que for se verá!

Como que movido por uma mola, levantou - se da mesa. Ao sair de casa constatou que na casa ao lado, também se almoçava. (Óptimo, assim não me verão retirar as malas).

Pouco depois, tirava as roupas do saco e malas e arrumava - as no guarda - fatos e às malas no sótão, donde na véspera as retirara.

Depois seguiu para a vila, tomou um café no estabelecimento mais próximo e regressou.

Voltou à agenda e decidiu reassumir os compromissos do dia, a começar por um orçamento que prometera ir dar ao engenheiro da Maia, conhecido do padre, com quem começou por confirmar a hora de encontro. Acertada, regressou a casa.

Lembrando - se daquele último, propôs - se ser - lhe prestável, e ligou - lhe a perguntar se queria que levasse algum recado para o engenheiro. Alarmado, o pároco recomendou.

- João, eu acho que não deves sair de casa homem! Tu não estás em condições de conduzir!

Deita - te um bocado e relaxa, sossega!

Ele porém, embora intimamente lhe desse razão, decidiu que faria o recentemente combinado e assumido. Pegou pois na pasta, e arrancou, embora se sentisse nervoso e intranquilo.

O orçamento era para uma obra em Viana do Castelo e seguiram na carrinha dele, com o engenheiro como pendura. Ao vê - lo subir, pensou de si para si. (Se imaginasses o que se passou aí ontem à noite!) - mas procurou manter - se o mais sereno possível, embora a intranquilidade e o nervosismo teimassem em persistir. Pelo caminho, foi cogitando. “O padre tinha razão”, o melhor para ele era ter permanecido na cama, senão a dormir, pelo menos a sossegar o espírito. E daí talvez não, porque ocupado, pelo menos abstraía - se. De qualquer forma não ia bem, embora se esforçasse por aparentar tranquilidade. Deu um orçamento alto porque a distância a percorrer diariamente pelos empregados seria grande e sem argumentos face ao desacordo, passou por casa do engenheiro, deixou - o e retomou o caminho do Porto.

Ao aproximar - se do local, onde se dera o fatal desfecho para o Cosme, “embora ao abandonar o matagal o tivesse deixado vivo” - deparou com um aglomerado de veículos. (Já o descobriram) - pensou. Mas, embora tivesse voltado a ficar a tremer por dentro, prosseguiu a viagem, como se nada tivesse a ver com o caso, ou como se nem tivesse qualquer curiosidade em saber o que teria movido a aglomeração. (O que for se verá) - e dirigiu - se à quinta onde morava.

Mal tinha entrado em casa o telefone tocou. Era o filho mais velho, completamente fora de si.

- Pai, onde deixaste o tio ontem à noite?

- Eh pá, parece que estás maluco homem! Estás aos gritos porquê? Deixei - o aí em Matosinhos, no cruzamento ao pé das Finanças, com os homens que queriam comprar a carrinha. Não chegámos a fazer negócio.

Ainda em pânico, o filho gritou - lhe, conseguindo introduzir alguma ironia.

 - Pois... - e após um curta pausa acrescentou, com voz chorosa - deixaste - o em Matosinhos e ele apareceu morto aí, à entrada do Porto! Olha, a Judiciária já cá esteve e vai investigar. Eu não sei!

Quase chorava, completamente dividido e em pânico.

Mentiu de novo e procurou sossegá-lo.

- Eu deixei - os seriam p’raí oito e meia da noite e vim embora, e eles teriam talvez, ido a um café beber um copo, sei lá! - Até ele se surpreendia com a sua desfaçatez.

Ainda com voz insegura, o filho retorquiu, envolvendo uma ameaça velada.

- Eu não sei... A Judiciária vai investigar...

Sentindo que tinha de estar presente, tentou aparentar calma e prometeu.

- Agora já percebo, porque era que ao chegar à Areosa depois de fazer a Circunvalação, havia tantos carros parados! Eu vou lá ver e sigo para aí. Até já.

 E desligou.

Quando passou pelo local, já a GNR comandava o trânsito, tal era a aglomeração de veículos.

Abrandou e olhou para o troço de estrada velha onde ele e o Cosme haviam altercado no dia anterior, já vedado e guardado pela força militarizada, mas prosseguiu, pois melhor que ninguém, sabia ele o que se passava ali.

Em Matosinhos, porém a nora disse - lhe que o filho andava com os investigadores e ele regressou ao estaleiro, onde mesmo ao sábado à tarde, por vezes aparecia um ou outro cliente.

A curiosidade cada vez mais juntava gente no local. Na área restringida e delimitada, os agentes trabalhavam, e entre eles alguns com máquinas fotográficas de potentes objectivas (A Judiciária já investiga). O que for se verá), pensou.


continua...



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...

 

         II CAPÍTULO: 

 

 

Acordou ao som áspero e irritante de ferros a roçagar, quando as   chaves fizeram correr os ferrolhos das robustas fechaduras das portas engradadas, mais gradões do que portas.

Lentamente, foi tomando consciência do lugar e da situação em que se encontrava.Nos calabouços da Polícia Judiciária de Coimbra.

Mandado de Detenção - era o título do texto, com data de 97.03.03, que às duas da manhã do dia 97.03.04, lhe tinham posto na frente e mandado assinar, o dia em que acabara de despertar.

Olhou o relógio e constatou serem dez da manhã.

Quando procurava virar - se no catre, uma forte dor na coxa direita fê-lo soltar um gemido e recordar da sessão de pancadaria a que, durante seis horas seguidas, havia sido sujeito. Os gajos tinham - lhe arreado bem...

Quase ao mesmo tempo a que se iluminavam as duas lâmpadas sobre a porta, o ruído repetia - se, agora mais próximo.

Era aberta a sua cela, a última, e uma voz tonitruante anunciava.

- Pequeno - almoço! Toca a levantar!

Na curta conversa que tivera com os outros três presos preventivos, logo depois de ter sido despejado ali, ficara a saber que o pequeno – almoço era por volta daquela hora. Ali estava ele.

Desde a entrada da cela, a mesma voz perguntou, autoritária e abrutalhada.

- Venha buscar o café! …Ou não quer?

Queria, porque não comia havia já quinze horas. Por isso pediu.

- Por favor, deixem ficar aí na mesa.

 A voz, impessoal e sem denotar especial atenção, inquiriu.

- Então que tem na perna?

Enquanto o faxina do refeitório deixava o pequeno-almoço em cima da mesa. Queixou – se.

- Foram os agentes que me sovaram.

 Só então percebeu que aquele homem fardado de cinzento e azul, seria um guarda prisional, tipo de pessoa que via pela primeira vez na vida, quando se virou na cela, para ver o que ele iria fazer com o pequeno-almoço que lhe traziam.

Reparou que o homem cinquentão, envergava umas calças e camisa cinzentas, sobre esta última, um pulôver de lã azul escura e nos ombros, umas divisas de sargento embora só com um vê invertido, que corresponderia a uma graduação qualquer, desconhecida pelo João, embora tivesse sido «PE» na tropa.

Deixando algo sobre a mesa plástica, de esplanada aquele homem magro e alto, algo encanecido pelos cigarros e pela idade, foi relatando, em tom jocoso.

- É, eu ouvi dizer que sim, que entrou lá para cima às oito da noite e que só desceu à cela, às duas da manhã.

Aquilo é que foi malhar - lhe, hem?!

- Pois...São uns heróis...

São uns heróis... - repetiu amargamente o detido.

- É assim, senhor João. João Costa, não é? – Perguntou, para confirmar o que lia na ficha que trazia consigo.

Antes de responder, espreitou a placa com o nome que o guarda trazia afixada no pulôver.

- Sim, senhor Teixeira, há quarenta e um anos.

O vigilante continuou.

- Quando se cai aqui...Fica - se sujeito a tudo. Tem que se aguentar…

Vá lá, tente chegar - se à mesa e fazer a limpeza, que está aí a vir o dona Maria, o velhote que limpa aqui o corredor.

Eu volto daqui a pouco. Até já. E fechou a porta à chave, o que resultou no ruído que tanto havia irritado o João, que respondeu.

- Até já senhor Teixeira.

 Mas este apressado, já nem o teria ouvido porque nem respondeu.

Sem outra roupa além da que tinha no corpo, tinha - se metido vestido, debaixo do lençol e do cobertor, descalçando apenas as sapatilhas com receio do frio da noite.

Soergueu - se sobre os cotovelos e apreciou os “aposentos” com cerca de 15 m2, que percebeu terem levado obras de reparação recentemente.

As paredes estavam revestidas a massa kerapa, pintada com tinta de esmalte creme, tal como o tecto.

Por detrás dele, na parede ao fundo, em vez de janelas um quadrado com cerca de um metro, a metro e meio do chão, de tijolos de vidro por onde entrava uma réstia difusa de um sol que prometia aquecer aquele dia 4 de Março.

Sobre a mesa, tinham deixado dois pães, uma pequena embalagem de compota e uma caneca de aço, das que o João só conhecera na tropa, quase cheia de um fumegante líquido cinzento que facilmente conclui ser café com leite, e uma colher de metal.

O primeiro pequeno - almoço atrás das grades, da sua vida de quarenta e um anos de muitos trabalhos e labutas.

Enfim, já o povo dizia, na sua grande e vetusta sabedoria que, “no Hospital e na Cadeia, todos temos uma tábua...”

Mas nunca ele teria suposto que um dia, viria a beber daquele fel... ou melhor, a puta que mais amara na vida! Enfim, era a “puta da vida”!

Ao lado direito da mesa, em frente à porta - gradão, estava a cadeira de esplanada, de plástico como a mesa, em cujas costas tinha deixado ao deitar - se, o blusão de cabedal castanho - escuro, já algo coçado, que pedira aos agentes para ir vestir ao sair da quinta, pois estava em camisa e a noite aproximava - se. A centímetros dela, um tabique à direita, a sanita e o pequeno lavatório fixo na parede, por debaixo do qual estava um balde plástico, para o lixo. Perto deste, um pequeno alguidar escuro, também plástico.

O piso era revestido a mosaico de trinta por trinta centímetros, esbranquiçado com pequenas pintas pretas e cinzentas.

Levantou-se e com alguns gemidos e ritos de dor, chinelou as sapatilhas e arrastou os pés até à mesa.

Sentou - se, e com a colher, abriu o pão e a embalagem de doce com que o barrou com compota de marmelo.

Já não comia fazia tempo. Por isso, algo sofregamente bebeu o café com leite e comeu o pão com doce.

Da cela ao lado, chamaram.

- Ó companheiro! Sou eu, o Cané, o vizinho do lado. Bom dia!

Não te lembras de termos conversado quando entraste?

Se calhar vinhas a ressacar, não?

Ressaca, para o João, era a consequência normal de uma bebedeira.

Por isso retorquiu.

- Não, eu não bebo.

 O outro riu e esclareceu.

- Não me refiro à bebida. Mas estou a ver que também não fumas nem te injectas.

Negou, em resposta.

- Não, só raramente e por brincadeira pego num cigarro.

 O vizinho riu - se, ao concluir que o João continuava sem perceber.

 Ouviu - se uma voz esganiçada que os interrompeu.

- Bom dia! Toca a varrer, meninos! Vamos à limpeza!

O Cané respondeu pelos dois.

- Bom dia, dona Maria.

 


Agradeço ao João, toda a sua boa vontade em relatar detalhadamente todos estes factos, trabalho que fizemos ao longo de algumas semanas, nos nossos passeios terapêuticos pela quinta do Estabelecimento Prisional .

 


                   
As personagens e lugares que descrevo são totalmente fictícias



Publicado por asantos365 às 16:44
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Quarta-feira, 28 de Janeiro de 2009
Estado D'Alma

 

 

 

Não quero contentar-me com pouco

Não posso contentar-me com o que tu me ofereces

Entenderia se fosse apenas medo

Mas não é

Teu prazer não sacia o meu

Porque eu preciso muito mais do que encontros

Preciso muito mais que momentos curtos

Eu preciso de olhares demorados

De surpresas ao fim do dia

Eu preciso que me telefones no meio da noite

Seguido de uma voz cheia de saudade

E insónias por eu não estar por perto

Eu preciso de abraçar - te em público

Eu preciso amar-te por inteiro

Eu preciso exalar desejos e derreter-me num beijo quente

E num abraço demorado

Dançar uma música que apenas toque nas nossas mentes

Embriagar-me com perfumes

Sentir meu corpo arrepiando e o coração acelerando

Ter os meus cabelos grisalhos despenteados

Ter mãos que me tomem para me ter sempre

Mas com sentimento de quem ira me perder amanhã

Desejos intensos, enlouquecer, perder toda a seriedade

Esquecer de ter juízo e saber que nunca vou perder-te

Sentir os meus pés flutuando

O vento no meu rosto

Estar envolto na fragrância da manhã

E se for uma manhã de Outono, será melhor

Ver folhas caindo, trazendo renovação

Necessito disso, necessito que me renoves

Mas o teu desejo é pouco perto do meu

Tu queres a carne enquanto te ofereço a alma

Tu queres o mínimo enquanto te ofereço o infinito

Desejo amar uma única vez, ser todo eternamente

Mesmo quando o tempo não permitir mais

Mesmo quando o físico já não estiver presente

Todos um dia iremos ficar sós…

Seja por opção da nossa companhia

Seja por circunstâncias da vida

A solidão sempre estará à nossa espera

Mas já não me assusto mais com ela

Quero apenas me entregar por inteiro

Porém não mais a ti

 



Publicado por asantos365 às 00:48
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Terça-feira, 30 de Dezembro de 2008
Um Bom Ano 2009

 

 
Quis escrever um poema de Ano Novo!
Um poema tão contagiante quanto música
Um poema simples
Que não precisasse de tradução
 
Quis escrever um poema novo
Desses que arrepiam, tocam a alma
Quis escrever um poema de Ano Novo
Que convocasse ao abraço, ao carinho
 
Um poema cálido como colo de mãe
Um poema que afastasse as mazelas
Um poema carregado de energia
Que doasse vida a quem o recitasse
E que trouxesse só alegrias aos ouvidos
 
Quis escrever um poema todo vestido de branco
Iluminado, como devem ser todos os dias
Um poema que saltasse dos livros
E, como girândolas, girasse pelas montanhas
Numa profusão de cores e brilhos
 
Quis escrever um poema abençoado
Um poema que vos abraçasse a todos
Como uma graça
Despido de credos,fronteiras,linguagens
 
Acabei, artífice, poeta incapaz, descobrindo
Um único vocábulo…
Síntese de toda a minha ânsia 
Aí está…
Meu poema incompleto
 
Aí está…
Que em 2009, tudo se resuma a uma única busca (Viver)com:
Saúde
Paz
Amor
Prosperidade
E, a vossa amizade
 
Vamos brindar!
 Feliz 2009
Boas Festas

 

 



Publicado por asantos365 às 18:39
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Sábado, 29 de Novembro de 2008
Eu Existo

 

 
Quando...

A vontade de chorar
For mais forte que o teu sorriso...
Tudo te parecer cinzento...
Os dias te parecerem intermináveis...
O silêncio da noite for ensurdecedor...
A realidade te parecer pesada...
Os teus pensamentos
Se transformarem em tormentos...
Tudo à tua volta deixar de fazer sentido...
Lembra-te...
 
Eu existo...

Vou estar sempre contigo...
És a minha vida, a razão do meu viver...
Tu não estás sozinha

Se mesmo assim a força teimar em não chegar...

Agarra a minha mão...
Sente o meu abraço
O meu beijo e o meu amor...
E divide comigo o medo
As lágrimas, o desespero...
Fecha os olhos
 
E deixa que eu te embale e acalme a tempestade
 
Eu vou estar ao teu lado
Mesmo que o mundo
Teime em andar ao contrário
 
E mesmo no silêncio de um olhar
Eu vou estar em qualquer momento
Só para te abraçar e dizer
 
Amor eu estou aqui…
 

 



Publicado por asantos365 às 17:53
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Terça-feira, 28 de Outubro de 2008
Eu vou com os Pássaros

Sento-me na minha cama
E escuto o silêncio
Que apenas é interrompido
Pelo longínquo bater dos corações alados
Oiço um cão que ladra
Que desfaz como um espelho
O meu silêncio divino
Porque no silêncio
Se pode ouvir o eco das palavras que magoam
Que quebram, não ossos
Não espelhos nem corações
Mas fios do destino…
Algumas, fazem apenas abrir brechas
Outras, gravam profundos rasgões na carne
Dilacerada por sentimentos
E isto
Sim. Isto sim é sofrimento
É amar aquele que te faz chorar
Aquele que não merece
Sequer o teu olhar de ódio
Mas a quem dás o teu olhar de amor
Ah... pudesse eu
Dar morte uma vez na vida, a algo ou a alguém
Não, não era a ti que eu a dava...
Nem a mim
Mas ao Amor
Ao Amor, que como rede fina
Anzol perfumado nos liga
Sim, porque eu te amo
E só queria que tu me amasses
Onde foi que eu falhei?
Foi de te amar tanto?
Nem me lembro desses tempos tristes…
Ou será, que agora é que são tempos tristes?
Bem sei, que agora também o são
Mas, diz-me em que é que eu errei?
Em quê?
Porque é que me odeias?
 Porque é que só vejo ódio nos teus olhos?
 Agora entendo
 Porque é que eles são tão unicamente negros
 Estão cobertos pela tristeza
 Pelo horror de seres mulher e não saberes sê-lo
 Estão cobertos de vergonha
 De quereres ser e não poderes
 Tens vergonha do que és? Ou do que tens?
 Não... temes que eu faça
 Aquilo que um dia tu fizeste
 Mas eu não herdei os teus genes
 Eu não sou como tu
 Eu sei chorar e tu não
 Por isso
 Enquanto dormes descansada no teu leito
 Eu sinto as lágrimas correrem pela minha face
 Lentamente
 Maquinalmente até atingirem o meu pescoço
 Onde desaguam como no mar
 E tu dormes
 Não choras, mas sabes que eu choro
 Coração maldito…
 Porque és tu de Pedra?
 Será que não vês como sofro?
 Ah. Não mereces que perca o meu tempo contigo
 Não mereces
 Uma única lágrima que por ti choro, meu amor…
 Mas…
 E se soubesses o que eu já chorei por ti?
 Voltarias tu para mim?
 Ou o teu riso cínico banhar-se-ia nas minhas lágrimas?
Porque é que não posso fugir-te?
 Porque dependo de ti?
 Quantos séculos mais
Terei de evitar a minha glória…
 Para que sejas minha?
 Eu quero-te, porque te amo
 E porque sem ti
 As noites são mais frias
 Volta para casa
 Deixa esse teu mundo
 Volta para mim enquanto é tempo
 Volta, antes que parta com os pássaros da Primavera
 Volta antes do Outono
 Pois sabes que serei folha largada no vento Norte
 Aproveita o nosso Estio
 Brilha comigo ao Sol
 Mas que peço eu?
Só te peço a ti
Antes que a noite caia
E eu seja estrela e possa ver-te
 E tu nunca saberás que zelo pelo teu sono
Sinto-me repentinamente frio
Sinto-me manhã de Inverno, frio de neve
Sinto-me pesado e sonolento
Vejo o branco dos pássaros que chegam para me levar
Para um sitio que jamais alguém encontrará
Boa noite
Eu vou com os pássaros…
 

 



Publicado por asantos365 às 14:12
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Segunda-feira, 29 de Setembro de 2008
Catatonia

 
Estou sentado, braços esticados na mesa…
Longe de casa
Na casa de quem não sei…
Contemplando nem sei o quê
Sinto-me cansado, entediado…
Oiço lá longe a voz de alguém que ecoa…
O som mórbido de cada palavra seca
Como um baque na minha alma…
Olhei, mas não vi
Apetecia-me ouvir…
Mas nem entendo porque quero ouvir
Olhei pela janela
Quem me dera que fosse a janela da alma…
Ou do coração que não conheço
Mas resume-se apenas, a um pequeno postigo
Que na verdade
É uma corrida de janelas amplas
Acho que enlouqueci…
Será?
Já nem sei…
As janelas, são pequenas e amplas
Trespassa uma claridade escura
Sinto que me sufoca a alma
É o verde...Repudio-o
Ou ele a mim... não gosto do verde
Talvez, porque me sinto azul
Porque amo o azul, puro e cristalino
Acho-o belo
Mas o verde não
O verde lembra-me tristeza e melancolia
O mar das verdades
E das angustias escondidas
Que fermentam como num lago pantanoso
Estagnado. O verde da vida...
Sinto uma onda esquisita invadir-me…
Puta que pariu
Eu não era assim…
Porque me pediste
Para te tirar do pensamento?
Sempre tiveste razão…resvalei
Acordei…
A voz que ouvia
E martelava incessantemente
Finalmente falou
Pariu um significado. Falava de mentalidades
A voz fala do passado e do presente…
Futuro? Não quero ouvir
O passado é um sonho que acabou
Agora, sou um espelho de quem sonhou
Sonhei o presente e vi o futuro…
E não queria…
O futuro parece-me por vezes, abominável…

 



Publicado por asantos365 às 18:59
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Segunda-feira, 25 de Agosto de 2008
Desabafo

 
Pensei em descrever
Tudo o que me vai na alma
Agora, neste momento...
Contudo, sei que não é possível
Não sei se é felicidade, se ilusão...
Se é tristeza ou alegria...
Não consigo definir o que sinto
A verdade
É que toda esta confusão me assusta um pouco...
Não sei bem porquê
Mas eu sinto-me perdido
Apesar de pensar
Que já achei o meu lugar, o meu mundo
Às vezes penso
Que já esqueci aquela mulher
E sorrio...
Mas há sempre alguma coisa que me faz voltar
Atrás no meu pensamento
Como será possível eu tê-la esquecido
Se quando a vejo tremo?
Pode não ser aquele formigueiro
Que se sente quando estamos com a pessoa amada
 Mas é uma sensação estranha
Parece que ao mesmo tempo gosto
 Mas sinto tédio por aquela pessoa
De quem eu penso gostar...é confuso
Apesar de tudo
Consigo sentir-me feliz assim...
Mas só por vezes, porque há dias
Em que tudo o que me apetece fazer
 É desaparecer, deixar tudo para trás
 E partir em viagem pelo mundo
 Sozinho...ir à procura do meu lugar
 Em que posso ser completamente feliz…
 Mas também sei
Que neste lugar
Há muitas pessoas que me fariam muita falta...
Então mudo de ideias
Fico mais uns tempos...
Também, com pouco dinheiro não ia muito longe…
Quando for mais velho
Se sentir que nada me prende aqui
Nem mesmo as pessoas mais importantes para mim
Então, eu parto em viagem e talvez não volte...
Ou se voltar
Serão apenas, umas breves semanas por ano
Apenas para matar saudades
Mas para isso
Tenho que me afastar de todos os meus amigos...
E isso
É a última coisa que eu quero que me aconteça
Aliás, nem me imagino a viver sem os meus amigos...
Bem...
Estou triste
Não sei definir o que sinto…
Tu sabes?…
 

 



Publicado por asantos365 às 19:26
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Sábado, 2 de Agosto de 2008
Quarto 302

 

 

 
Hoje despi-me
Mordeste o bago
Vesti-me de desejos 
E... tudo aconteceu...
 


Publicado por asantos365 às 15:09
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Sexta-feira, 4 de Julho de 2008
Lembranças

 

 A lareira espalhava um odor

 Doce a eucalipto por toda a sala

 Abraçados, próximo às chamas

 Trocávamos também de calores e sabores

 Ela sussurrou uma brincadeira fútil ao meu ouvido

 E eu ofereci-lhe um gole do meu conhaque

 Em balão aquecido

 Ela tossiu, era forte de mais para ela

 Lambi um excesso

 Que se alojou nos seus macios lábios

 Ela esquivou-se, sentiu um arrepio

 Daqueles que deixam a pele levantada

 E a vontade ao rubro

 Continuei…

 Beijei o seu queixo

 E fui descendo lentamente

 Pelo seu elegante pescoço

 Enquanto ela, desabotoava a minha camisa

 Sorvi profundamente o perfume do seu pescoço

 Era uma fragrância quente e sensual

 Passei com a ponta da minha língua

 Pelos seus mamilos e parei…

 Segurei-a firme pelos ombros

 E encostei-a no sofá

 Comecei a despi-la, devagar

 Apreciando cada pequeno detalhe da sua imagem

 Os belos seios ainda em botão

 Os pequenos pêlos

 Que nasciam logo abaixo do umbigo

 E corriam em direcção do seu sexo

 Como se escapassem para um refúgio secreto

 Ela arrepiava-se, a cada toque da minha mão

 Não existia mais frio ou chuva

 Apenas eu e ela naquela sala quente

 Deitei-me sobre ela

 Havia chegado o momento, tão desejado

 Antes de a sentir

 Na sua provocante intimidade

 Beijei-a com imensa ternura

 Afinal de contas, ela merecia

 Antecipou-se…

 E transportou-me, até ao paraíso

 Pelas suas próprias mãos...

 Fui deliciosamente dominado…

 E gostosamente amado

 

 



Publicado por asantos365 às 19:50
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Domingo, 15 de Junho de 2008
Olho-te de Longe

Olho-te de longe…
Teu corpo pede o meu
O desejo acende-me a pele
Aproxima-me de ti...
Teu olhar tortura o desejo
Hoje sou fogo... Tu pecado
Vou... Toca-me e sente
O meu corpo a despertar
A volúpia no olhar...
Sente como o meu corpo te queima
És paixão… eu, só tesão
Quero-te aqui... Agora
No chão frio, no espaço infinito
Arde em mim, dança no meu peito
Dança só para mim
Com esse corpo de Deusa
Queima-me o corpo que já só sente
Na urgência de te ter e possuir…
De te fazer vibrar, gemer…
O céu é o nosso limite
As tuas mãos o meu rumo...
Dá-me essa língua
Desliza contra mim...
Descobrindo-me a pele
Num trilho descendente…
Até me aprisionares na boca
De carnudos lábios cereja
Que me fazem perder o norte
Atingir o limite
E desaguar em ti
 


Publicado por asantos365 às 16:49
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Domingo, 25 de Maio de 2008
A tua Dor

 

 

 
Passas por mim diariamente
Passo por ti distraidamente
Nunca me disseste um olá
Nunca viste o meu sorriso...
Hoje, por um momento por um instante
Dei-te todo o meu tempo...
Fui ao encontro de ti...
E tu
Mostraste-me o mais profundo da tua alma...
Quis abraçar-te
Quis dar-te a minha mão
Mas não consegui mover os meus passos
E tu estavas tão só, no meio de tanta gente...
Jamais, nunca, em nenhum tempo
Esquecerei aquela imagem
Nunca, em tempo algum
Conseguirei apagar o teu grito da minha memória
Gravei o som que te ouvi com os meus olhos
Gravei a tua dor no meu ser...
Choro contigo, sinto-te morrer também...
A vida continua, era o que mais se ouvia...
Continua?
Como é possível continuar?
Como?
Eu queria que ele estivesse agora
A dormir perto de ti
Ai como eu queria…
Queria que tudo tivesse sido um pesadelo...
Mas não, o que eu quero não vale nada
Que Deus te dê colo
E que ajude a suportar a tua dor
Tu não me viste
Tu nem conseguias ver mais nada…
A não ser um punhal no teu coração...
Eu estive lá por ti
E, mesmo que eu não te oiça um olá
E tu não me vejas um sorriso
Quando passares por mim ou eu passar por ti
Por aí…diariamente e distraidamente…
Sentirei contigo
O grito que um instante cruel te arrancou
O teu amado filho
Assim à minha frente, sem mais...
Sempre ouvirei esse grito de mãe…
Perdoa-me, vizinha estranha…
Por expor aqui a tua dor
Mas eu preciso dar colo
A estas palavras gritadas sem som....
Pode ser que Deus as oiça e alivie o teu sofrimento...
 


Publicado por asantos365 às 20:50
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Quarta-feira, 7 de Maio de 2008
Fruto Teu

Chupo
O fruto teu
Na moita
Que o vento
Açoita
Com boca
Afoita
Que grita
Como louca
Que goza
Como vento
E geme
Como mulher




Publicado por asantos365 às 19:21
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Sábado, 12 de Abril de 2008
Uma noite de Amor

 

Foi numa manhã preguiçosa de Domingo

A desordem no quarto, os lençóis amachucados

Roupas ainda espalhadas pelo chão

Fragmentos de uma louca noite de amor

Aquela urgência do desejo louco

Que tomou conta das nossas vontades

Desvarios da paixão dos corpos, ainda quentes

Reminiscências do gosto dela na minha pele

A doce sensação da sua existência

Ainda dentro do meu próprio corpo

Sobre a cama, depois do banho

Recupera forças de pernas abertas

Numa provocante descontracção

Mostra as suas pétalas ainda húmidas

Aquela linda flor delicada

Digna de ser contemplada

Indicando apaixonadamente

O caminho do prazer

Renascem novas lembranças 

E disparam incontroláveis desejos

As suas cores mais íntimas, roubam-me a atenção

E o seu perfume sensual inunda o meu coração

Discreto convite

Ao desejo da carne e da paixão...

E eu, uma vez mais não resisti…

 

 

 



Publicado por asantos365 às 22:05
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Sexta-feira, 14 de Março de 2008
Triste Olhar

O teu olhar

Já não tem o fogo de outrora

Alguém o levou

Ou foi embora

O teu olhar tem agora

Aquilo que o tempo marcou

Aquilo que te magoou

Mas...no fundo do teu olhar

Ainda consigo ver

Que anseias por amar

Por dar e receber

E um dia, o fogo voltará

E sem anunciar

Os teus olhos voltarão a brilhar

 



Publicado por asantos365 às 23:38
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Quinta-feira, 14 de Fevereiro de 2008
Raio de Sol

 

Toda a minha vida

Ansiei por algo desconhecido
Um sentimento não identificado

Nunca antes sentido, nunca antes vivido

Nunca tido como sendo verídico
Subestimado, como um senso impossível ou fatídico
Até que um dia

Descobri como tinha sido inocente

Quando encontrei a minha musa

Tudo mudou de repente
Quando te vi pela primeira vez
Senti que era magia

É inspiração para acordar mais um dia
A tua fragrância a maresia

O teu odor característico

A tua doce pele implementada por esse olhar místico
Corpo artístico
Lei de qualquer mortal
Criado por deus num dia de inspiração excepcional
O apogeu da beleza bilateral
Incorporada num ser
Ser a perfeição o auge
Tu és o que vem a seguir
Protagonista dos meus sonhos
Habitante do meu pensamento
Foste a minha paixão

Pensava em ti a todo o momento
Ainda me lembro

Do dia que falámos pela primeira vez
Eu que era desinibido
Conheci finalmente a timidez
Suores frios
Sorrisos forçados
Diálogos escassos
Distraído da conversa

Só te imaginava nos meus braços
De dia sonhava acordado
De noite nem sequer dormia
A pensar na dama

Que eu imaginava na minha cama fria
Vivia na fantasia
De te ter á minha beira
Mas já mais imaginei

Amar alguém desta maneira
Pouco a pouco

Foi surgindo entre nós uma amizade
Segredos revelados
Confiança mútua, cumplicidade

Trocamos sentimentos
Alegrias e sofrimentos
Trocámos carícias espontâneas
Por vezes inconscientes
Mesmo sem falar
Porque o olhar dizia tudo
Foi ai, que me apercebi

Que o sentimento era mútuo
Olhos nos olhos
Arrastados pela força do desejo
Da planta do nosso amor
Floriu o primeiro beijo
Recordo esse momento com saudade e nostalgia
Mas cada vez que estou contigo
Parece que voltei a esse dia
Tens em ti

A magia que me encanta desde o começo
Às vezes, pergunto a um deus qualquer
Se te mereço mesmo
Será que te conheço
Será sonho ou realidade
Cheguei a pensar

Que isto era bom demais para ser verdade
Cheguei à conclusão
Que se o amor realmente existe
Então, nada é ilusão…
Quero continuar ao teu lado
Como noivo sem aliança
Na alegria e na tristeza
Na saúde e na doença
Dar-te a mão, ganhar asas
E voar pró infinito
Adorar-te como uma deusa
Fazer do teu nome um mito
Construir para ti um lar
Digno do monte Olimpo
Criar uma nova palavra
Pois é mais que amor que sinto
És tudo o que realmente
Um dia eu sonhei
Se a alma realmente existe
A minha é tua, e de mais ninguém…
És tudo na minha vida
Amo-te muito mais do que ontem
E muito menos do que amanhã
Estou rendido ao sentimento
A que o meu coração me obriga
Quando sentires que a vida não faz sentido
lembra-te que és o sentido
da vida deste perdido…
Lembra-te...
És o sentido da vida
Deste coração apaixonado

.

Um doce beijo, neste dia dos namorados




Publicado por asantos365 às 16:47
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Sábado, 2 de Fevereiro de 2008
Fica comigo meu Amor

Quando sei que vou estar contigo

Parece que o dia se ilumina

Sinto-me melhor

Mais confiante com uma vontade louca de te falar
Adoro quando me olhas com um sorriso no olhar

Quando ficas contente por mim

Com cada uma das minhas pequenas

Ou grandes vitórias, como se elas fossem também tuas

A verdade, é que acho que sem ti

Não tinha tido nenhuma vitória nos últimos tempos

Ou talvez, as tivesse mas nem as notava...

Tal como toda a minha vida

Alegras-te com as minhas pequenas ou grandes vitórias

Como nunca ninguém fez

E, por isso mesmo, eu nunca lhes dei importância
Foi isso que me fizeste

Ensinaste-me a dar importância

Às pequenas coisas que faço

Ensinaste-me a reparar em mim

Ensinaste-me a ter auto-estima

Apenas porque gostas de mim

E ficas feliz por mim

Com aquelas coisas que eu aprendi

Com a vida, a fingir que não têm importância
Imaginas o que senti

A primeira vez que deste importância a uma delas

Questionei: «porquê?» nunca ninguém tinha dado

Nunca ninguém tinha demonstrado

E eu vivi sempre olhando

Apenas para a sombra daquilo que fazia

Em vez de olhar, com orgulho, para aquilo que fazia
Por um lado foi bom

Por outro fez-me sentir amargurado

Pelos aplausos que nunca me deram

Pelo inseguro que me tornaram... e hoje, agora

Não será tarde demais?
Por isso preciso de ti...

De te falar

De sentir o teu apoio

Do teu amar…

De envelhecer a teu lado

Fica comigo meu amor…

 

 

 



Publicado por asantos365 às 16:32
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Sábado, 12 de Janeiro de 2008
Beijos Desenfreados


Os teus lábios convidam-me
A molhá-los
Morde-los
Saboreá-los

 

Lábios carnudos

Provocantes

Ardentes

Entre toques intensos...

Nossas bocas procuram-se


Enfim
O beijo


Corpos em chama

Sentidos acelerados...

Beijos desenfreados


Tentações

O desejo...

Fome de boca
De tacto
De língua


 Endoidecido
Cerco-te, perco-me
Inicia-se a dança frenética
Entre beijos


Toques

Desejos

 

Chegamos ao êxtase
Os nossos corpos
Sentiram-se e buscavam-se

Saciaram-se…

 

 



Publicado por asantos365 às 18:54
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Sábado, 29 de Dezembro de 2007
Bom Ano 2oo8



Quis escrever um poema de Ano Novo

Um poema tão contagiante quanto música
Um poema tão simples
Que nem precisasse de tradução
Quis escrever um poema novo
Desses que arrepiam, tocam a alma
Quis escrever um poema de Ano Novo
Que convocasse ao abraço, ao carinho
Um poema cálido como colo de mãe
Um poema que afastasse as mazelas
Um poema carregado de energia
Que doasse vida a quem o recitasse
E que trouxesse só alegrias aos ouvidos
Quis escrever um poema todo vestido de branco
Iluminado, como devem ser todos os dias
Um poema que saltasse dos livros
E, como girândolas, girasse, pelas montanhas
Numa profusão de cores e brilhos
Quis escrever um poema abençoado
Um poema que vos abraçasse a todos
Como uma graça
Despido de credos, fronteiras, linguagens
Quis compor um poema cujas rimas
Tivessem a riqueza de destruir os carrascos
Quis escrever um poema de Ano Novo
Quis envolver cada amigo com uma métrica mágica
Capaz de transformar, criar, soterrar injustiças
Quis escrever tudo isso
Na busca desse poema ideal
Acabei em apenas uma única palavra
Acabei, artífice, poeta incapaz, descobrindo
Um único vocábulo…
Síntese de toda minha ânsia
Aí está…
Meu poema incompleto
Aí está….
Que em 2008, tudo se resuma a uma única busca. (Viver) com:

Saúde

Paz

Amor

Prosperidade

E, a vossa amizade

 

Bom Ano 2008



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Sexta-feira, 14 de Dezembro de 2007
Fantasias de um Doido

Uma das minhas grandes fantasias (e não estou a falar de fantasias sexuais) é viver na prisão.
Isso mesmo: estar preso, encarcerado, detido num estabelecimento prisional, ver o sol aos quadradinhos.
Não prisão de anos e anos, porque isso seria demasiado chato, mas durante uma meia dúzia de meses. Talvez um pouco mais.
É uma experiência que deve ser interessantíssima.
E tem algumas vantagens notáveis: sem pagar nada, tem-se cama, mesa e roupa lavada, como se costuma dizer (e ainda assistência médica).
Pode-se ler, escrever, caminhar ao ar livre no átrio, jogar futebol, conversar, dizer asneiras, aprender coisas sobre droga e o tráfico respectivo, verificar (mera observação, entenda-se) como é a homossexualidade nesses locais, tomar conhecimento de como assaltar carros e casas ou mesmo abrir cofres, apurar se é verdade que os bolos ofertados pelos familiares tem limas no seu interior e adquirir bons hábitos (há hora de deitar e hora de levantar).
E não é obrigatório ver televisão, andar de fato e gravata, tomar banho todos os dias, receber telefonemas, sms’s e e-mails a toda a hora e momento, andar na filas de trânsito, à chuva, ao sol, ao frio e ao vento, ouvir o chefe a dar ordens imbecis e muito mais que deixo à vossa imaginação.
Há um aspecto negativo: a falta de contacto com mulheres. Mas umas saídas precárias ajudam a ultrapassar esse problema.
Quando se é novo, essa privação é muito constrangedora mas, conforme a idade vai retirando algum vigor e entusiasmo, essa restrição torna-se mais suportável. E quando se é muito mais velho e as carências são mínimas, nem se pensa nisso.
Não é por acaso que alguns velhotes que não têm onde cair mortos se pelam por uma estadia como presidiários. E fazem um assalto ou outro pequeno crime só para poderem ir dentro e desfrutar de algum tempo com umas regalias mínimas de forma absolutamente gratuita. Uma vez cá fora, lá vem a fome, as dormidas ao relento ou em más condições de salubridade e todas as chatices que não tem dentro da prisão. Mais um crimezito e segue-se outro período de sossego e relativa fartura.
E como hei-de eu realizar essa fantasia?
Antes de raciocinar sobre o assunto, deixem-me dizer, como aparte, que navegar meses a fio num navio pode ser uma experiência um tanto semelhante, mas menos radical. Digo-o, embora nunca tenha experimentado nenhuma das duas situações. Por mero palpite.
Vou então tentar descobrir qual a melhor maneira de concretizar esse sonho: o que fazer para ir bater com os costados numa masmorra do nosso tempo?
Parece ser óbvia a resposta: cometer um crime.
Mas que tipo de crime?
O que primeiro me ocorre quando se fala em crime é o homicídio (deve ser por ter visto tantos filmes policiais e lido muitos livros da Aghata Christie). É certo que pode dar uma pena judicial muito grande e um tipo acabar por se chatear de estar lá dentro. Mas é uma hipótese a analisar melhor.
Homicídio!
Mas com que arma? Arma branca?
Não me agrada muito! Fica o chão sujo e as paredes salpicadas de vermelho. Não! É uma porcaria!
Salvo se a vítima tiver sangue azul. Então a cor das borradelas e dos salpicos deixaria de ser o vermelho cor de inferno e passaria a ser o azul cor de céu. E pegando numa pasta dentífrica branquinha, poderia fazer umas riscas brancas e até pareceria que estava no Estádio do Dragão em dia de jogo da bola.
Mas, digo-vos francamente, quer seja sangue vermelho ou sangue azul, é solução suja que não me agrada. Adiante!
Violação também não!
Ia um tipo para a ala dos violadores e vejam bem o que poderia acontecer. Chiça!
Não! Definitivamente, não! É para esquecer!
E que tal envenenamento?
Com remédio do escaravelho?
Excesso de medicamentos?
Cogumelos?
Parece não ser má ideia. Mas quem pode ser a vítima? Só alguém com quem privemos diariamente para ser um trabalhinho progressivo. Complicado. Desisto!
Posso, no entanto, cometer um crime mais suave para estar menos tempo lá dentro.
Assalto e roubo. Até é possível graduar a pena. Se for à mão armada, dá mais tempo na choça. Sem arma na mão, menos. Acho que começo a chegar ao ponto. E se a vítima for uma velhinha indefesa, é canja!
Penso que já fiz a minha escolha: assalto com um canivete suíço a uma velhota.
Mas convém ser perto de uma esquadra da bófia para eles me deitarem logo a luva e assim já passar essa noite na prisa.
Entrar para lá assim, de supetão, deve ser muito mais emocionante.
E tem a vantagem de, se aparecerem uns malucos a tentar fazer justiça à moda de Fafe, haver logo ali, à mão de semear, quem me defenda.
Mas...
E se os monos fizerem de conta que não viram nada?
O melhor é mesmo fazer o assalto noutro local e depois ir entregar-me, esperando que eles não me mandem embora. Senão, andei eu a tentar fazer um trabalho esmerado, a assustar uma velhinha, com o risco de ela ter um ataque e ir parar à Sociedade dos Pés Juntos e Mãos Postas sita na Quinta das Placas e das Cruzes, para nada. E se a anciã morre com o susto vou preso por homicídio, o que não é o objectivo. Mas é preciso correr alguns riscos.
Continuando a detalhar a minha escolha:
Canivete suíço, já tenho!
Falta a velha!
Onde hei-de encontrar uma velha?
Ora! À porta de um lar da terceira idade. Nem mais!
Resumindo:
Vou assaltar uma velhinha perto de um lar da terceira idade, num local ermo e quando o sol já se tiver escondido (ia-me esquecendo deste pormenor), com um canivete suíço e, logo de seguida vou-me entregar numa esquadra.
Depois vem o julgamento.
Confesso o crime, digo que não estou arrependido e, com um bocado de sorte, apanho um juiz mauzão que me manda para o xelindró por uma boa temporada. Aqui há outro risco: o juiz mandar-me em liberdade. Se isso acontecer, paciência. Volto à estaca zero.
Enquanto lá dentro, procurarei escrever muita coisa sobre a vida prisional que, naturalmente, quando estiver do lado de fora, verto para o blog. Melhor ainda: posso escrever um livro.
E como já fiz um filho e plantei uma árvore...


(Não sei se enterrar um caroço de pêssego na terra de um jardim público conta como tendo plantado uma árvore, com um bocadinho de boa vontade, acho que sim)

 



Publicado por asantos365 às 23:54
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Sábado, 24 de Novembro de 2007
Mulheres da minha Vida


Àquela que me teve e criou...
E a ti...

Àquelas com quem fiz sexo...
Àquelas com quem fiz amor...
Àquelas que amei...
Àquelas que amei sem ter feito amor...
Àquelas que (quase) me estragaram a vida...
Àquelas que me amaram...
Àquela que me há-de amar...
E a ti...

Às que me encantaram...
E às que me fizeram cantar de felicidade...
E a ti...

Às companheiras que caminham comigo...
Às amigas que me dão ombro...
E às que me dão colo...
E a ti...

Às que me ouvem em noites de desabafo...
Às que me escolhem para desabafar...
E a ti...

Às bonitas...
Às menos bonitas...
Às colegas que tornaram menos cansativos os dias de trabalho...
Às sonhadoras que viajaram comigo por tantos e tantos sonhos...
Àquelas que me levaram até ao próprio sonho...
Àquelas com quem sonhei...
Àquela com quem sonho todos os dias da minha vida...
E a ti...

A ti... que és bússola que me guia...
A ti... meu norte, meu sul e minha vida...
A ti... que espero ver sempre que abro os olhos pela manhã...
A ti... que és a razão de eu querer continuar a ter olhos... e manhãs...

A todas vós...
O meu muito OBRIGADO por existirem na minha vida...

Fiquem, pelo menos mais um dia
Se possível até ao resto da vida...
Pelo menos mais uma vida...

Bem Hajam!!!!!

 



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Sábado, 3 de Novembro de 2007
Mas que é Isto?

Parece que o amor anda nas bocas do povo
Não há raio de sítio onde não se fale de amor

Está tudo a passar-se?
Mas que merda é esta?
É gente aos beijinhos e apertos em tudo quanto é sítio

É gente a escrever cartas de amor

São ramos de flores nas mãos de homens com cara de parvos

São coraçõezinhos de mil formas e feitios nas montras das lojas

Para já não falar nos ursinhos de peluche

A dizer “I love you so much” da parte da frente

E “Made in China” da parte de trás

Numa etiqueta branca que sai do cu do urso

Depois há as baladas de amor

Desde a música do pimba mais foleira da Beira Baixa

Até ao “Donna, seus beijos traiçoeiros...” dos Roupa Nova

Ou ao Roxane do Sting

É só amor (isto para não falar de outras fraudes em "stereo"
Na literatura, bem... aí nem vale a pena falar

São milhares de milhões de toneladas de papel

Gastos a escrever fatelas historietas de amor

Podemos começar pelo Romeu e Julieta

Do decadente Shakespeare

E acabar numa pessegada qualquer da "Colecção Arlequim"

E no cinema?

A palhaçada do Sweet November, do Piano, do Pretty Woman...

Huuuugghhhhh dá-me vómitos

E o Closer? ...
(Bem já vomitei...

Vi logo que as tripas enfarinhadas do almoço

Vinham fora com esta conversa de tótó...)
 E nos Blogs?

 Pronto... aí é a desgraça, é amor a torto e a direito

Repito: Mas que merda é esta?
“Tasse” tudo a passar?
O que é que esta gente anda a beber?
E se fossem todos apanhar no cú?

Não seria melhor? Mas apanhar no cu sem amor

Claro, porque apanhar no cú com amor até deve ser bom

(a avaliar pelas pessoas que levam, até deve ser bom)

 
Seus amantes fatelas

Decadentes, promíscuos e sonhadores parvos

E se em vez de amor

Pensassem em trabalhar para levantar este país?

Não acham que seria bem melhor?

Por cada beijinho que se dá são 0.5 cêntimos de euro

De produtividade que o nosso país não tem

E cada queca, bem... uma queca sem amor nem sai muito cara

Mas uma com amor arrasa com a economia

Será que nos relatórios e contas do Banco de Portugal

Há balanços, balancetes e demonstrações de resultados dos amantes?
Será que o orçamento para fazer um hospital

Se mede em beijinhos e quecas?

Continuem a amar que vão ter um triste enterro... Continuem...

E depois venham-se cá queixar que eu mando-vos logo à merda!

...

...

Mas esperem, eu não amo, já não me lembro o que é ser amado, já não leio livros, nem oiço canções de amor, sou um autómato que deambula pela vida sem já saber o que é a própria vida, já não amo há tanto tempo que já não tenho vida.

Eu nos livros que lia, via que o amor era o motor, era a razão para se viver. Se calhar é por causa disso que já não me importo de morrer.

Mas porquê?

Queria voltar a oferecer uma flor, queria que me dessem um beijo, queria passear de mão dada com uma cara de parvo. Queria dar um mergulho nas águas geladas do mar da Foz para me fazer forte à frente do meu amor (e depois cair ao lado dela morto com uma hipotermia fulminante)...

Queria oferecer um urso de peluche a dizer “I Love you Honey”...

(Não... Espera... fodassse não, essa merda não... URSOS DE PELUCHE E FRASES FEITAS É QUE NÃO!!!!! DEFINITIVAMENTE N Ã O! )

Nem me importava que me amassem outra vez, agora foleirices de mau gosto dispenso...

Continuando...
Estava eu a falar de amor não era?
Era tão bom que eu ainda soubesse de que falava... mas já esqueci.

Já não me lembro o que é pôr a mão no peito de quem se ama para sentir o tiquetaquear do coração, já não me lembro das voltas que uma língua tem que dar para um beijinho, já não me lembro do que é ter razões para acordar, para existir...

Já não me lembro do que é alimentar-me de um olhar, e quase morrer de fome, já não me lembro como era...

E tu meu amor, lembras-te?

Se calhar eu próprio já não passo de uma sombra, um fantasma...

Estou cansado, muito cansado

A vida sem dar e receber amor cansa!

O amor é uma cama de rede, pendurada entre duas árvores, onde relaxamos, descansamos, suspensos, quase levitando...

Os olhos não brilham, a boca não sorri, já não sei se o coração ainda bate... ( Se calhar é o meu fígado ou bexiga que me faz estar vivo)...

Bem, já são 23 horas

Chega, vou desligar o computador e ir para a cama fazer amor
É tão booommm

 



Publicado por asantos365 às 23:28
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Sábado, 13 de Outubro de 2007
Se eu...

Se eu pudesse

Partia…
Deixava tudo para trás, ia embora
Abandonava o emprego, a segurança
Despedia-me da família, dos amigos

Se eu pudesse ou soubesse como
Saltava alegremente de galho em galho

Como macaco brincalhão e despreocupado
Não aqueceria nenhum lugar
Não perderia tempo com quem não me conquistasse


Se eu conseguisse, esquecia...
Não guardaria fotos, nem filmes
Não conservaria elos comuns, começaria tudo de novo

Se eu tivesse destino

Fugia
Vendia a casa e o carro
Rumava a África, fazia um safari
Atravessava um deserto, fazia um cruzeiro
Percorria os caminhos de Santiago, visitava a Índia
Tomava banho no Vietname, conhecia bem o Brasil

Se eu pudesse, não mais voltaria
Seria um Adeus

E não um Até breve

Como não posso

Não sei, não consigo, nem tenho...
Ficarei, voltarei...


Até breve!



Publicado por asantos365 às 22:59
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Sábado, 29 de Setembro de 2007
Minhota Linda

 

Se eu fosse pintor

Faria o teu retrato usando traços suaves

Misturava cores

Até encontrar o tom exacto da tua pele

Pintaria teu rosto, e teus lindos olhos verdes

E todos entenderiam

O porquê do meu amar

Mas eu não sou um bom pintor

 

Se eu fosse escultor

Talharia cada curva do teu corpo

Com o cuidado de quem faz uma jóia

Em cada detalhe esculpido

Poderia reproduzir

Toda a sensualidade que exala de ti

Mas eu não sou escultor

 

Ainda assim quero retratar-te

Vou pintar-te numa poesia

Mas não encontro uma palavra

Para descrever a beleza e paz do teu sorriso

 

Então…

Vejo-te mais uma vez

Afago-te docemente

Cubro-te de beijos

E descubro que não preciso de te descrever

Só preciso de te ter…

 



Publicado por asantos365 às 20:40
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Sábado, 22 de Setembro de 2007
Tu Foste...

O tempo passou e eu sobrevivi

Ou melhor

Aprendi a viver sem ti

Pena que junto ao tempo

Também acabaram os poemas…

As inspirações

Os desejos de te amar loucamente

Não digo que tudo foi em vão

Sei que não foi

Mas é um alívio não estar preso

Aos pensamentos de te amar

Um grito a liberdade

Apenas pronto

Para apaixonar-me novamente

Sei que muitas de vós

Ainda vão cruzar no meu caminho

Mas um dia

Sei que vou acalmar esta velha alma

E meu jovem coração…

Tu foste a mais perfeita

A eleita

O ar que respirei

A vida que eu sonhei…

Tu foste…Agora eu sou

 



Publicado por asantos365 às 19:17
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Quarta-feira, 12 de Setembro de 2007
A minha Lua

 

Era noite

O céu já estava iluminado pelas estrelas

Estava sentado à beira-mar

Com os pés na água

E um Marllboro acesso numa das mãos

A meu lado

Uma cerveja super bock de lata

Minha companhia surda no momento

Enquanto isso

Olhava fixamente para o céu

Exactamente para a minha lua

E as estrelas que a circundavam

Meu pensamento distante

Meus ouvidos apenas ouvindo o mar

Mas logo senti

Um aroma diferente no ar

Eu conhecia bem aquele perfume

Era inconfundível

Diante de todos os aromas que conheço

Com um sorriso nos lábios

Apaguei o cigarro dentro da lata de cerveja

Que entretanto tinha acabado

Não ousei olhar para trás

Apenas senti

Aquela mão aveludada

Invadir o meu rosto

Não me contive

Levemente toquei aquelas mágicas mãos

Entrelaçando-as com as minhas

E beijei-as demoradamente

Fatalmente a minha boca

Encosta naquele anel que eu mais gosto

Aquele anel de ouro branco

Com diamantes e detalhes riscados

Desenhado por mim

Apenas estiquei a cabeça para trás

Olhei aqueles olhos lindos

E sorrindo, captei o mais belo sorriso

Levantei-me

Apertei-a contra mim

E beijei-a apaixonadamente

Senti seu coração junto ao meu

Em batidas compassadas

Levemente

Afastei os seus cheirosos cabelos pretos para o lado

Como se os estivesse penteando

Seus olhos castanhos estavam fixos nos meus

A sua boca entreaberta

Convidava-me novamente ao doce néctar

Beijamo-nos novamente, ardendo de tesão

Depois do beijo

Olhamo-nos enternecidamente

E sussurrou…

Tenho de ir meu amor

Antes que ele volte…

Virou-se e desapareceu…

Eu fiquei ali estático, anestesiado

Pensando se fora um sonho bom

Ou se a realidade existe

Deitei-me na areia

E fiquei a olhar para o céu a noite toda

Sentindo aquela areia humedecida

A esfriar-me o corpo

Porém

Meu corpo e pensamentos

Queimavam em desejos

De a ver novamente…

 

 

 



Publicado por asantos365 às 19:00
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Segunda-feira, 3 de Setembro de 2007
Doidice

É estranho ver-te

E sentir saudades do que não houve

Saudades de tocar o intocado

De sentir novamente o que fantasiei

Voltar a um tempo que ainda não existiu

Uma puta de vida que inventei

Num planeta que vive da tua luz

Invento um presente

Para o futuro que se perdeu no passado

E quando sonho contigo

Não parecem sonhos

São simplesmente

Lembranças do futuro

 

Certamente endoideci…



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Quinta-feira, 23 de Agosto de 2007
Preso

 

Muros, grades, cercas

Tornei-me prisioneiro de mim mesmo

Preso a sentimentos sem razão

Preso em mágoas sem explicação

 

Preso a um amor impossível

Preso a um sorriso interminável

Preso a um abraço apertado

 

Ás vezes

Tudo isto me deixa triste

Bem atolado na merda…

 

 



Publicado por asantos365 às 22:43
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Quarta-feira, 8 de Agosto de 2007
Negação

Tão obscuros são os caminhos trilhados

Nesta rota seguindo

Sem medo para o fim do túnel

Na esperança de encontrar um pedaço da minha alma

Na lembrança de um afago outrora

 

Dos olhos escorre apenas uma lágrima

De um jeito tal que me desarma

Ora dor…

Ora saudade…

 

Sobra-me esta vontade de incendiar

De conclamar

Que mesmo em minhas negações

O pensamento ainda chama

Pelo teu nome…

 




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Quarta-feira, 18 de Julho de 2007
Mágoas

Sempre quis entender

O que te causa aflição tamanha

Entender e partilhar a tua amargura

Mas tu, fechas-te dentro de ti

Deixa-me ser cúmplice

Dos teus segredos mais profundos

Caminhar tal andarilho

Sem medo nos teus mundos

Porquê, guardar contigo minha amada

Tantas mágoas?

Acaso sabes do meu sofrer?

Olhar o mar e ver o oceano sem água?

Imaginas o quanto

Chora meu coração com tanta tristeza?

Envergas as negras cores

Com que vejo o teu desânimo

Ao certo em teu coração

Guardas segredos inconfessos?

E eu fico a dedicar-te

Poemas, odes e versos

Ah aprendiz de poeta

Que não és capaz

De ter a sensibilidade certa

E deixar que o medo

Te corroa a alma pouco esperta

Porque não permites minha amada

Que a vida te seja sorridente

Como para ti sempre eu quis

Acaso sabes amada minha

Que tão intenso quanto o desejo

É o que sinto

Quando te abraço

E em tua alma dou um beijo…

Acorda

E deixa que eu cuide desse desamor…

 




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Sexta-feira, 6 de Julho de 2007
Não Demores

Sinto-te

Sem te tocar

Conheço o teu perfume

Sem saber qual o seu aroma

Vejo-te no escuro do meu quarto

Sem lá estares

Oiço a tua voz

No cantar dos passarinhos

Sinto o teu calor

No frio dos meus lençóis

Como te queria aqui para mim

Só para te sentir por perto

Teu cheiro

Tua pele

Teu olhar

E perder-me nos teus braços

No teu colo sonhar

Amarrado em ti

Aprisionar-me e voar

Vá lá…

Vem ter comigo

Atravessa esse mar

Quero tanto estar contigo

Mexer no teu cabelo

Beijar-te a testa

Pegar-te pela cintura

E ficar assim

Por momentos só os dois

Vem

Não me faças esperar…

 

 



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Sexta-feira, 29 de Junho de 2007
Frio

Não gosto do frio

Quando sinto frio

Sinto-me só

Sinto toda a solidão

Solidão que me invade de vazio

O frio das paredes

Dos lençóis

Da tua ausência

Do silêncio

Não gosto de me deitar

Nunca gostei

Pois sei

Que estarei só

Morro um pouco

Quando tenho de dormir

Não é dormir por si só…

É saber

Que noutra cama algures

Também estás só…

Bom…

Já é de madrugada

Aquela cama fria espera-me

Tenho frio…

Vou deitar-me

Estou só

 


Sinto-me: Com frio e Só...

Publicado por asantos365 às 19:47
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Quinta-feira, 21 de Junho de 2007
Que seja Eterno

Quando olhas para mim e sorris
E me chamas de amor
Com uma voz melosa e cantada
É como
Se o meu coração derretesse
E eu, juro
Era capaz de passar todo o tempo
A cobrir-te de beijos
A lamber-te
A cheirar o teu perfume mágico
Aquela fragrância
Que só
Os seres como tu possuem
Não tenho forma
De descrever o amor que te tenho
Acordas com um sorriso nos lábios
E um riso nos olhos
Que perduram todo o dia
Trazes
A felicidade estampada no rosto
E é assim
Que deveria ser sempre
Como todas as musas…
Como é bom beijar-te
E ainda melhor
Ser beijado e abraçado por ti
E quando te ouço dizer
Amo-te muito meu amor
O meu coração explode
Num misto
De orgulho e veneração para contigo
Só tu
Tens capacidade
De limpar todas as minhas lágrimas
E de fazer desaparecer a tristeza
Só tu
Meu amor


 


Sinto-me: Amado

Publicado por asantos365 às 22:46
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Quinta-feira, 14 de Junho de 2007
O berço do Gozo

Fazer amor requer arte inconsciente
Fazer amor transcende o feio e o bonito
Fazer amor requer a alma despida
Fazer amor transcende a sexualidade
Fazer amor é ignorar todos os conceitos
Fazer amor não tem vínculo algum
Com o lado físico dos seres
Fazer amor é uma divindade
Divindade que advém do mais nobre dom da vida
A própria vida
Fazer amor é enlouquecer a anatomia
Não importa a forma
O que importa é não importar com coisa nenhuma
Fazer amor é fazer de inconcebíveis palavrões
Um lindo poema
Fazer amor é fazer do corpo
Um banquete de sonhos
E fazer da alma o berço do gozo...

 


Sinto-me: Num banquete de sonhos!...

Publicado por asantos365 às 15:27
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Quinta-feira, 7 de Junho de 2007
Mãos

As nossas mãos afagam a doçura

E estendem-se gentis e tranquilas

Pelas horas infindáveis

De muitas coisas passadas

Em anos vividos

Abraçados num destino

Que transportam consigo

Pedaços de uma vida

 

As nossas mãos afagam a doçura

E trazem novos afagos de lua

Buscando ansiosas e aflitas

O conforto de uma pele macia

De tanto prazer abraçado

E de tanta delicia sentida…

 

 


Sinto-me: Em tuas mãos macias...

Publicado por asantos365 às 21:42
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Sábado, 2 de Junho de 2007
Cio

Despe-me

Tem-me de todas as formas

Esquece a censura

Quero ver o gozo no teu olhar

Ama-me

De qualquer forma

Abro-me

Entrego-me

Sou o teu gozo

Meu corpo nas tuas mãos

Teu prazer no meu

Minha língua

Tua figura

Uma mistura

Uma loucura

De gemidos

De arrepios

Um cio

Nosso amar sem fronteiras

De frente

De costas

De lado

Sem tabus

Amantes

Deliciosamente amados


Sinto-me: Em Êxtase

Publicado por asantos365 às 13:33
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Sexta-feira, 25 de Maio de 2007
Doce Bailar

 

Quero os teus beijos húmidos

Quero tocar-te com meus dedos finos

Quero o teu corpo lindo

Quero o teu desejar

Quero enlouquecer-te de tesão

Quero ser só teu

Quero-te agora

Quero-te em brasa

Quero-te só minha

Sou teu apaixonadamente

Quero entrar m ti

Sentir prazeres intensos

Nesta noite sem fim

Só nossa

És minha…

Em ti acendo o fogo do desejo

Num só momento

Só tu e eu

Corpos em chamas

Perdidos no tempo

Danço no teu corpo

Envolto nos teus braços

E que bem me sinto...

Dançamos num ritmo lento

Que também sabes acompanhar

E como sabes…

Danço nos teus olhos

Que brilham de prazer

Danço na tua boca

Gulosa dos meus beijos

Danço no teu sexo

A um ritmo alucinante

Dançamos até ficar exaustos

Tu e eu

Nesta dança só nossa

 

 

 

 


Sinto-me: Num doce feitiço

Publicado por asantos365 às 19:11
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Quinta-feira, 10 de Maio de 2007
Tempo de Amor

Tento respirar a custo

Sinto um peso no coração

E a medo

Perscruto-o na alma

Será por ti?

Pelo que me fazes sentir?

Maravilhosamente belo

Imensamente vivo

Há muito que não me sentia assim

E há mais tempo ainda

Não sentia alguém como tu

Encantamento de olhos transparentes

Ao ver-te como és

Sei-te meu sonho mais antigo

Na tua voz sonho acordado

E quando me envolves

Nesse carinho imenso

Que sai livremente do teu peito

E sinto o cheiro estonteante

Vontade eu tenho de abraçar-te com força

E dançar contigo essa música maravilhosa

Que sempre ouvi dos teus lábios sinceros

Não quero

Largar das tuas mãos jamais

A suavidade

Com que sempre alegraste as minhas

És a ausência quente no meu corpo

E por te saber assim

Quero por ti ser perdidamente amado

O arrepio

Que sinto pelo corpo quando te vejo

É reflexo ardente

Desse oceano imenso que me fazes sentir no coração

Ansioso do teu

E nos meus olhos

Encontrarás esse brilho

Com que me encheste por completo

E por mais que te procure

Nunca consigo satisfazer-me dessa beleza

Com que me alegras os dias

Preenches-me com essa luz que sei que és

Fazes-me querer gritar ao mundo…

Sou mudo sem ti…

Mas na sombra

Sofro por te querer demasiado

E por não te ter o suficiente

Na tua ausência

Sangro essa luz que és

E na escuridão que te substitui

Fico neste negrume a perambular

 

 

 



Sinto-me:

Publicado por asantos365 às 23:10
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Quinta-feira, 3 de Maio de 2007
Momentos

Entrei no teu carro

Ligaste o rádio

Tocou exactamente a mesma música

Que estava-mos a ouvir

Antes de sair de casa

Momento

De Pedro Abrunhosa

Somos os dois tão iguais

Como se fossemos uma fotocópia

Exactamente um do outro

Afinal és tu o meu filho

Sei-te a voz

Conheço-te as ondas da tua voz

E por isso pergunto

Que se passa?

E tu respondes

Nada

Mas depois, a musica que escolhes

Tal como eu

É o papel que embrulha os nossos dias

( Momentos )

E para cada dia

Existe uma tonalidade diferente

Consoante a dor da alma

A alegria do coração

Ou simplesmente o vazio

Sempre to disse

Que felizmente tinhas nascido homem

Aos homens tudo se perdoa…

Tudo se compreende

O meu mau feitio

É em ti personalidade

A nossa energia sem limites

É devastadora

De tudo e de todos

É em ti excelência

E em mim

Foi sempre mau feitio

Quando penso em ti

O meu coração divide-se em duas partes

Por um lado

Tenho um orgulho imenso

De te saber um sonhador incansável

Um espírito

Que nunca será dominado

Um furacão

Que consumirá a tua energia e a dos outros

Mas o teu pensamento

Voa, voa e voa

E tu estás

Simultaneamente preso

Sequestrado dentro de ti

Dentro da realidade que são os outros

E, por isso mesmo

A outra metade do meu coração

Sofre pelas tuas dores passadas

Presentes e futuras

Pela tua condenação

A uma solidão infinita

Mas quero acreditar

Que te dei asas

Que depositei em ti a certeza

De que ser-mos diferentes

Não é mau

É só o que é

A tua constante procura por algo

Que não sabes o que é

Marcará o teu lugar

No coração de quem importa

Não tenhas medo meu filho

Todas as lágrimas são iguais

 

 

 

 


Sinto-me: Ausente

Publicado por asantos365 às 19:20
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Sexta-feira, 27 de Abril de 2007
Adeus

 

Agora

A única coisa que tenho por certa

É que após esta carta

Deixarei de pensar em ti

Pousarei

A caneta sobre folhas de papel

E um silêncio imenso seguir-se-á

Já não sou eu o tipo

Que um dia te falou ao ouvido

E quis fazer dos teus dias os seus

Tão pouco

Vou querer saber de noites em branco

Esperando uma mensagem tua

Ou de noites

Em que simplesmente decidiste não aparecer

É a despedida sincera

À minha sensibilidade por ti

Aqui nestas páginas

Repousarão as minhas memórias de ti

Como flores que lavraste no meu peito

Vou calafetar o meu coração

Para que a tua presença

Não me invada esta noite

Como todas as horas

A haver deste momento adiante

E assim

Poderei adormecer descansado

Sorrindo sempre antes de dormir

Enternecido

Com a existência que me deste

 

Adeus

 

 

 


Sinto-me: Livre

Publicado por asantos365 às 15:38
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Sexta-feira, 20 de Abril de 2007
Silêncios

Caíu um silêncio sobre nós

Como o som de uma faca

Que rasga um papel

Ou unhas a rasgarem a parede

Caiu um silêncio sobre nós

Dizia eu

Mas não é verdade

Tu

Sempre foste tão calada

Como um entardecer no campo

Quando os pastos

E animais se recolhem

Tu

Sempre estiveste aqui

Da mesma forma

Quieta

Calada

Amável

Sempre atenciosa

Carinhosa

Mas total

E absolutamente muda

Portanto

Quem mudou fui eu

Há pessoas assim…

Quando vamos

A casa dos amigos

Desatamos a conversar

Para a esquerda e para a direita

E nos instantes seguidos

Estamos a ouvir relatos

Da vida intima

De gente que nunca vimos

E rimos

E principalmente

Fazemos os outros rirem

Improvisamos uma refeição

Para um magote de pessoas

Que entram pela porta

Com total à-vontade e sem danos

Claro

Que não são só qualidades

Não penses

Que é isso que quero dizer

A nossa exuberância

É muitas vezes

Necessidade de chamar a atenção

Urgência

Em que todos gostem de nós

Somos um pouco ingénuos

E eternos adolescentes

Mas falamos e rimos

E levamos os outros

A um corrupio de palavras

O que faz com que

A nosso lado

A tristeza

Fique fora de portas

Muitas vezes

Entalada no nosso próprio coração

Qual segredo bem guardado…

O homem que sou hoje

Vai mudar…

Não quero perder o sorriso

Não quero

Sentar-me a teu lado

E parecer-mos duas estátuas

Numa espera eterna

Que o outro diga alguma coisa

Já te disse, um dia

E digo-te novamente

A solidão

Pesa-me como um casaco molhado

E estar a teu lado

É estar mais só

Do que

Alguma vez estive na minha vida

Vou mudar…

E,carinhosamente fazer-te mudar…

Não vou deixar cair o sorriso

E vou fazer-te sonhar…

 

 

 


Sinto-me: Pleno de vida

Publicado por asantos365 às 18:10
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Sexta-feira, 13 de Abril de 2007
Estação de Campanhã

Estação de Campanhã

Faltam alguns minutos

Para o comboio chegar

Uma pequena multidão

Aguarda com alguma impaciência

É de tarde

Não são ainda quatro horas

Uma mulher ainda nova

Está encostada a um banco

E segura

Um saco e um maço de cigarros

Tira um

Encosta-lhe uma chama de isqueiro

E enche os pulmões de fumo

Os gestos são mecânicos

Percebesse que está nervosa

O comboio faz-se anunciar

Com um ruído seco

Metálico

As pessoas agitam-se

E aproximam-se da berma da estação

Daqui a nada

As portas abrem-se automaticamente

Nesse instante

Toca um telemóvel

A mulher tira o dito cujo da mala

E espreita o ecrã

Pelo seu ar

Não reconhece o número

Pelo sim, pelo não

Atende

Abrem-se as portas do comboio

As pessoas avançam

Empurrando-se umas às outras

Ela diz – Como?

A resposta do outro lado da linha

Deve ter sido pronunciada em surdina

Ela repete – Como?

Faltam breves segundos

Para as portas se fecharem

Ela sabe

Que vai perder o comboio

Ainda pode dar uma corrida

Mas está mais preocupada com a conversa

Quando tenho que me apresentar? - Dizia ela

Do outro lado, dizem alguma coisa

Ela desliga o telemóvel

E dá um salto de alegria

Está sozinha

Daqui a nada

Começam a chegar os passageiros

Para o próximo comboio

Consegui o emprego! - Grita

Cheia de alegria

Ao seu lado

Não se encontra ninguém

 


Sinto-me: Observando

Publicado por asantos365 às 16:35
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Sexta-feira, 6 de Abril de 2007
Lembras-te

Lembras-te

Daquela pastelaria fina

Lá para os lados da Boavista?

Levaste-me até lá

Para tomar meia de leite e uma nata

Levavas contigo

Um bloco de apontamentos

E a tua caneta de tinta permanente preta

Que colocaste em cima da mesa espelhada

Não perguntei nada

Pois sei que gostas de escrever

Falamos de várias coisas

Mas eu olhava-te com olhos famintos

E tu percebeste…

Estavas deslumbrante

Enfiada numa mini-saia avermelhada

E eu vermelho de tesão quando toquei tuas coxas

Por debaixo da mesa

Agarraste-me a mão

E apertaste-a com força

Estava-mos no mesmo desejo

Com a tua mão fina de dedos longos

Levas-te a minha numa viagem até ao teu sexo

Estava húmido de tesão

Nem imaginas

O fogo que senti

Vem comigo…

Disseste tu

Segui-te pelo meio das mesas

Sujas de migalhas e café com leite

De conversas sobre tudo e nada

De pessoas que nem reparavam em nós

Levaste-me

Até há casa de banho das senhoras

E trancas-te a porta

O espaço era só nosso

Ali mesmo

Demos azo aos nossos devaneios

Quebrando todas as regras

Lembras-te?

 

Que grandes malucos…

 


Sinto-me: Bem relaxado

Publicado por asantos365 às 17:53
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Quinta-feira, 29 de Março de 2007
Noite de Amor

Esta é a nossa noite
Vamo-nos amar perdidamente
Sem pressas
Devagar
Com pausas
No tempo certo
Registar nossos olhares
De volúpia
Que desenham nossos desejos
Vamos
Recriar-nos nos nossos corpos
Invocar
O que de mais terno há em nós
Vamos
Consumir-nos em delírios
E overdoses de prazer
No tempo certo
Devagar
Nos nossos corpos
A noite é mais longa…




Sinto-me: Amoroso

Publicado por asantos365 às 20:56
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Quinta-feira, 22 de Março de 2007
Gosto

Gosto de café

E do cheiro de torradas pela manhã

Gosto do Verão

Gosto do mar

Do seu cheiro e do barulho

Gosto do pôr-do-sol

Abraçado a ti

Gosto do sol quente

Nas tardes de Inverno

Gosto de ouvir a chuva

Quando fazemos amor

Gosto de me apaixonar

Gosto de namorar

Gosto de jogos de sedução

Gosto que gostem de mim

E de me sentir desejado

E apaixonado

Não gosto de ser esquecido

Nem da solidão

Gosto de rir

De sair

De viajar…

De fazer amor

Em hotéis de cinco estrelas

E roubar os toalhetes

Mas também gosto

De não fazer nada

Do ócio saudável

Gosto de ir ao cinema

De sair à noite

Gosto de dançar

Dançar contigo

Gosto de exercício físico

Gosto muito dos meus amigos

De um abraço forte

E verdadeiro…

Gosto da sinceridade nos outros…

Não gosto de falsas amizades

Gosto de ir ao teatro

E jantar fora

Gosto de andar de carro contigo

Com a mão nas tuas coxas

Gosto de ouvir música

E cantar fora do tom

Gosto de ver filmes em DVD

Enroscado no sofá sem pipocas

Mas com a tua companhia

Gosto dos teus abraços e beijos prolongados

Gosto da tua cor

Gosto do teu perfume

Da alegria em cada palavra tua

Gosto de te amar no carro

Fazer subir a adrenalina

Gosto de me sentir em brasa

Gosto de estar contigo

Deitado na relva

Aos tombos na noite

Gosto de deixar-te em casa

Já exausta

Depois de uma noite bem passada

Gosto de ti assim

Sem saber porquê

E sabendo bem

Gosto de recordar

Gosto do final do dia

E saber que estás à minha espera

Gosto de ti

Gosto do teu ar gaiato

De menina mulher

Gosto do teu olhar

Do teu sorriso lindo

Da tua forma de andar

Gosto de te cheirar

De te sentir

De me calar para te ouvir

Gosto de dar-te beijos

E sentir-me nas asas do desejo

Gosto de morder-te docemente

E ouvir teus gemidos de prazer

A sufocar-te de tesão

Gosto de dar-te mimos

Ser o teu ego…

E rodear-te de mim

Gosto de amar-te em cada esquina

Voar contigo aos esses

Quero a paz e a alma ao mesmo tempo

Morder cada onda no mar das calmas

Soletrar teu nome ao vento que passa

E recebe-lo de volta

Em infinitas combinações

Gosto de me deitar

Ao teu lado para dormir

Acordar

Levantar-me e rir

Gosto da tua boca

Do teu sorriso aberto

Da tua voz cantada…

Gosto do teu olhar mais secreto

De te ter bem juntinha ao meu peito

A contar

As batidas do meu coração

Gosto de te sentir por perto

Saber que tudo está certo

Gosto de ti

Mas gosto de mim também…

Entendes?


Sinto-me: Na boa...

Publicado por asantos365 às 16:42
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Quinta-feira, 15 de Março de 2007
Simplesmente Só

Hoje sinto-me só
E faz-me mal
Ficar só
Quando a noite está tão calma
Quanta gente
Sentirá uma ânsia igual
À que sinto
Rondando na minha alma
Aqui estou eu
Aqui vou ficar
Eu e os meus pensamentos
Hoje não vi a lua
A senti distante
Sinto-me simplesmente só
Queria olhar-te nos olhos
Mas só vejo indiferença
E fico
Encolhido no meu canto
À espera
De algo que me aqueça a alma
Soubesses tu
O peso das tuas palavras
O impacto
Que cada letra tua tem em mim
E aí
Talvez olhasses mais para mim
E te sentisses especial
Ou então
Sou apenas eu, que não consigo
Sussurrar-te palavras bonitas
Dar-te os abraços
De que tens saudades…

Sinto-me:

Publicado por asantos365 às 16:06
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Sexta-feira, 9 de Março de 2007
Um dia Mais

Quero beber
Os beijos da tua boca
Como se fossem
Gotas de um velho néctar
E num acorde
Doce de uma guitarra
Passear loucuras
Nos teus sentimentos
Como despertar desta distância
Sem tua pele junta com a minha
Olhando tua fotografia
Posso mandar beijos com o vento
Olhar a lua ao mesmo tempo
E contar um dia mais...
 

Sinto-me: Longe...

Publicado por asantos365 às 17:32
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Segunda-feira, 5 de Março de 2007
Devaneios

O amor!
Será o contrário de guerra
O símbolo da paz
A aura da ternura
A cura dos males que perduram
Por ódios criados
E mantidos por fúrias?
Será sentimento
Que predispõe o desejo
O bem de alguém?
Será sentimento de afecto
Que nos impele
Para o objectivo dos nossos desejos
Será paixão súbita?
Será…
Liberdade
Liberdade de qualquer ligação amorosa
De qualquer vinculo que o prenda
De qualquer espiritualidade que o defenda
O amor é…
Alguém comentaria
“ E as kekas “
Tanta conversa para chegar às kekas…
A loucura que nos impele
Para escrever coisas loucas
Eu gosto de escrever
Sobre mulheres sensuais
Provocadoras e tentadoras
De paixões avassaladoras
Que nos dão e tiram…
Que se mostram e se escondem
Rindo-se e troçando
De tontos como eu…
Que devaneiam
Em círculos por elas
Desejo-as tanto
Que por vezes babo-me…
Olhando-as e imaginando-as…
As suas belezas enfeitiçadas
Encantam
Apaixonam e nunca me cansam…
Até darem por findo o seu feitiço
Agarro-me a elas
Na esperança
De as amar com tesão
De ser a sua fragrância
O seu entendimento…
Que se houver amor
Haverá sempre esperança
E eu estarei sempre pronto
Para lhes dar algum…
Mesmo que seja por uma trinca…
Afinal…
Como diria o poeta
Todas as cartas de amor são ridículas
E só é ridículo quem não as escreve
Eu gosto
De escrever cartas de amor
Eu gosto de amar
De me apaixonar
De mulheres bonitas
De sexo
De bom vinho
De noites de luar
De belos mares
E sobretudo…
Pelo corpo
Pelas palavras
Pelos actos
Pelas omissões
De ser subjugado à beleza delas
As venerar e beijar
De as amar até à exaustão
De as chorar
Enlouquecer com gargalhadas de êxtase
De gritos de prazer
De me esfarrapar por ser…
 
O que elas me fazem dizer…
 
São tantas as responsáveis…

 

 

 


Sinto-me: Nas calmas...

Publicado por asantos365 às 16:53
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Sexta-feira, 2 de Março de 2007
Eu não Sei...

Com os olhos fechados,navego nesta onda!...


Sinto-me: Nostálgico

Publicado por asantos365 às 20:57
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Segunda-feira, 26 de Fevereiro de 2007
Que Desejo...

Hoje acordei

Com uma forte sensação de desejo…

Quero

Que me olhes

Que me veneres

Que me ames

Que me beijes

Que me toques

Que explores cada milímetro do meu corpo

Que me possuas como nunca o fizeste

Que me tenhas só para ti

Como se não houvesse o amanhã


Sinto-me: óptimo

Publicado por asantos365 às 21:41
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Quinta-feira, 22 de Fevereiro de 2007
Ironia do Destino

Durante anos

Ele foi coleccionador de mulheres

Nunca deixou de as desejar

Diziam dele

Que era um enganador

Que lhes mentia

Seduzia e abandonava-as

Era a inveja

De todos os que não conseguiam ser como ele

E das que

Ainda não tinha tido a sorte

De serem postas à prova deste D. Juan

Não era um enganador

Todas sabiam bem

O que não deveriam

Esperar deste homem

Mas preferiam

Tantas vezes iludir-se

Com a ideia

Que poderiam mudar a sua essência

Os enganos

Eram fruto dos sonhos delas

E não das mentiras dele

Haveria

Uma preferida na vida dele?

Umas diziam que sim

Outras diziam que talvez

Mas ninguém ousava

A nomear essa eleita

Se existisse

Ela duvidava

Que tivesse vantagem sobre as outras

Por ter sido escolhida

Teria de o repartir

Com a colecção dele

Apesar

De ter garantido o regresso dele

A preferida existia

A tal que ele amava

Ele tinha-a escolhido

Porque estava cansado

De ser coleccionador de mulheres

Queria fixar-se com ela

Mas ele escolheu

A mulher mais impossível que existia

Escolheu uma mulher

Que simplesmente

Queria coleccionar homens

E não desejava

Um homem em particular

 

Ironia do destino…

 

 



Publicado por asantos365 às 18:11
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Segunda-feira, 19 de Fevereiro de 2007
Tributo

Chamava-se António Joaquim Rodrigues Ribeiro, mas ficará conhecido na história da música portuguesa como António Variações. Barbeiro de profissão e músico por devoção, consegue em pouco mais de um ano transformar-se num caso único de popularidade. Na sua discografia contam-se apenas um máxi-single e dois álbuns, editados entre 1982 e 1984. A morte prematura aos 39 anos virá pôr termo à meteórica carreira de Variações, mas a sua obra permanece e permanecerá decerto bem viva na memória. Não apenas na dos seus admiradores, mas também na dos seus críticos mais ferozes. Porque António gerou paixões e ódios, mas nunca a indiferença.

Adorava-te! Eras único, eras especial…



Publicado por asantos365 às 21:18
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Sexta-feira, 16 de Fevereiro de 2007
Amo-te Sempre

Tenho saudades tuas
Mesmo antes de teres partido
É como se um buraco
Se tivesse aberto no meu peito
No meu coração
A minha pele rasgada
E eu já sem lágrimas
Para te chorar
Quando não te souber
Do outro lado do telefone
Quando não souber onde dormes
O que vêem os teus olhos
Vou perder-me
Nas nossas memórias
Ou melhor
Vou perder-me dentro de ti
Tu és a presença
Mais constante da minha vida
Tu és o meu norte
O meu sul
Os meus dias de verão
E as noites de Inverno
E sem ti
Sou apenas
Uma vaga imagem de quem fui
O amor tem tantas formas
Mas a dor da ausência
Tem sempre o mesmo sabor
E não é possível ser descrita
Não existem palavras
Para dizer como te amo
Porque não consigo recordar
Um simples momento da minha vida
Que não tenha o teu rosto
O teu cheiro
Os teus olhos esverdeados de tristeza
Sempre de tristeza escondida
Por sorrisos mordazes
Quem vai cuidar de ti?
Com quem vais conversar de arte
Musica, disto e daquilo
E de nada
Quem vai tomar conta de ti
Quem te beijará
Quem fará cadeirinha no leito contigo
Nas noites frias de Inverno
Ah! Todas as coisas que não fiz
Todas as palavras que não disse
E agora?
Apenas sei que sempre
Que fechar os olhos te verei
E todas as noites
Quando me deitar
Te sonharei em qualquer sítio
Embalado pela mesma lua
Pelas mesmas estrelas
O amor requer sempre a dor
Ou é sina minha?
Amo-te sempre
Sempre te vou amar



Publicado por asantos365 às 17:10
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Segunda-feira, 12 de Fevereiro de 2007
Melodia Nocturna


Não sei se amar-te é um erro
Nem sei se quero continuar
A caminhar por esta viela
Cheia de rosas e espinhos

Cada manhã é um tormento
Um dia mais que se escapa
Como melodias nocturnas
Que envolvem os meus pensamentos

É como transitar no deserto
Um cavalgar contra o vento
Sentindo-me debater na arena
Golpeando-me em silêncio

Navego à deriva na tua vida
Num amor com pouca esperança
Sem porto nem horizonte
Sem saber onde atracar um sentimento

És uma luta constante
Um ir e vir estafado
Eu porém aqui à espera
De uma melodia de outro amanhecer



Publicado por asantos365 às 23:39
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Quinta-feira, 8 de Fevereiro de 2007
Anibal

A manhã está fresca
A fraca luz
Não aquece o suficiente
Passam carros
Passam pessoas
Umas paradas
Esperando que o sinal fique verde
Para seguirem o seu caminho
Nenhuma é do sítio onde está
Todas estão em movimento
O homem não tem idade
Veste-se deselegantemente
Com roupa emprestada
Os sapatos estão-lhe largos
Com atacadores desapertados
E as solas estão excessivamente gastas
A barba grisalha
Tem mais de cinco dias
E dá-lhe um ar de desmazelo
O suficiente para afastar
As pessoas que se cruzam com ele no passeio
Já é a segunda vez
Que passa ali naquela manhã
Mira e remira a loja da fruta
E os movimentos ao seu redor
Agora não hesita
Estica a mão com a agilidade de um felino
E tira uma grande maçã vermelha
Estuga os passos
Mas não o suficiente
Atrás dele em crescendo
Vem um rumor de passos
Volta-se
E vê o dono do pomar aos gritos de
Ladrão, ladrão...
Está quase a agarrá-lo
Quase lhe sente as pontas das unhas
O suor, o ódio que o deixa praticamente cego
Por pouco
Parece ouvir-lhe o esforço do coração
Que lhe avermelha o rosto
E o torna ofegante
Sorrindo
Confiante na sua velocidade
Dobra a esquina
E mistura-se na multidão...
Um dia, talvez seja detido
Preso pelo crime de ser pobre
Apenas isso
Afinal, um crime tão antigo
Como a história da humanidade
                                                               




Publicado por asantos365 às 16:32
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Sábado, 3 de Fevereiro de 2007
Raio X

Tive hoje nas minhas mãos

Uma radiografia da minha alma

E me vi

Até o mais longe que pude

Vi os meus pontos frágeis

Os meus medos

Minhas angústias

Vi o meu medo de amar

As minhas carências

As minhas frustrações

Hoje senti na pele

Nas mãos trémulas

A prova suficiente

Da minha debilidade

E deu-me vontade de compensar

As perdidas

Os erros

Esta forma de estar...

 



Publicado por asantos365 às 12:21
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Domingo, 28 de Janeiro de 2007
Viagem de Autocarro



A chuva cai sem parar
Miudinha, teimosa, os carros
Chiam, travam e deslizam.
A confusão do trânsito é total.
Meto-me num autocarro e
Vou à procura de histórias.
O autocarro vai tão cheio como
Uma lata de sardinhas, e como
Entrei na primeira paragem
Consegui um lugar sentado.
O homem ao meu lado é gordo.
O suor corre-lhe pelo rosto, pelo
Pescoço e empapa-lhe a camisa.
Há um cheiro repelente que vem
De todo o lado,
Um misto de transpiração e falta de higiene.
A humidade da chuva e este
Calor insuportável dentro do autocarro
Que contrasta com o frio lá fora,
Faz embaciar os vidros das janelas.
Toda a gente discute.
Estamos todos soterrados no barulho,
Nos chapéus-de-chuva a pingarem
Em cima das cabeças de
Quem vai sentado, no esforçar
Para mais um corpo que se
Enfia pela porta dentro.
Com o hábito dos dias, já me
Tornei surda a tudo o que me rodeia.
Recolho-me dentro de mim
E desapareço sem que ninguém dê por isso.
Comentava uma passageira para outra…E continuou;
A rotina é sempre a mesma.
Levanto-me antes das seis da manhã,
Arranjo a minha filha para a creche,
Dou um avanço no jantar, saio a porta
De casa e faço-me à vida.
É noite quando abro a porta da rua,
Depois de caminhar a pé,
Carregada com a pequena, mais
O saco das fraldas, da comida,
Dos remédios e apanho
O primeiro de três autocarros,
Já o dia despertou.
É triste ser pobre…
Não tenho sonhos bonitos na cabeça,
E por isso, inventei esta fuga
Para dentro de mim mesma,
Em que fico como se estivesse
Morta sem o estar.
Ninguém me disse que a vida era isto…
Se ao menos me saísse o euromilhões…



Publicado por asantos365 às 18:33
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Sexta-feira, 26 de Janeiro de 2007
Sorna de Palavras

Já me falta a inspiração

As forças que não tenho

Calam-me

Sou prisioneiro

Um prisioneiro das palavras

Que não chegam

Vá lá…

Não esmoreças agora

A tua dor, o teu amor

Enquanto

Alguém lá fora

Nem amor tem para chorar

Vá lá…

Olha à tua volta

 



Publicado por asantos365 às 17:58
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Terça-feira, 23 de Janeiro de 2007
Mente-me

Os teus olhos

Destilam a mais dura verdade

E a minha boca

A mais absurda quimera

Cá em baixo

O sol parece todo igual

Porem

Sem darmos conta

Esgota-se

Assim

Como inexoravelmente

Estes anos de intenso amor

Sim

Somos menos que acidentes

Quase a acontecer

Diz-me algo que não entenda

Escuto-te

Que se faça luz

Na tua obscuridade

Pulverizarei

Toda essa amargura intensa

Dá azo ao teu conhecimento

Abre esses olhos lindos

E diz-me o que vês

Diz-me algo que não entenda

Mente-me...

 



Publicado por asantos365 às 15:36
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Sexta-feira, 19 de Janeiro de 2007
Perdoa-me

Como podes acreditar em mim
Se te menti
Fiz-te promessas mentirosas de amor
Porem
Apesar de tudo acreditaste
E jamais
Uma reprovação fizeste
Suportaste tanto
Que não mereço o teu amar
Sairei da tua vida
Por crer não te merecer
Pelo teu sofrimento
Peço-te perdão
Não te tratei como uma princesa
E lastimo-me muitas vezes
Mesmo assim
Amas-me sem condições
Mesmo nas intermináveis ausências
De dias e noites
Ou quando mais precisavas de mim
Gosto de ti sim
Mas não posso dizer que te amo
Quando estou contigo
Sou um homem feliz
E sei que te faço feliz
Nós sabemos
Como tu bem dizes
Há sempre um “Mas”...
Perdoa-me
Pois creio não merecer-te
Sairei da tua vida
Obrigado
Por eu fazer parte do teu destino
Não te tratei bem
Não creio merecer-te
E mesmo assim
Amas-me sem condições
Perdoa-me

 



Publicado por asantos365 às 18:19
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Segunda-feira, 15 de Janeiro de 2007
Noite de Prazer

Não quero de ti apenas sussurros

Não quero de ti compromissos

Quero abraçar e beijar

Quero ouvir os teus gritos

Quero escutar e sentir na pele

Os teus gemidos de prazer

A tua língua que me invada

O teu peito que roce no meu corpo

As tuas unhas que me arranhem a alma

A noite é toda nossa

A cama, o chão, a mesa

Cá fora a lua observa-nos

Teus olhos verdes fixam-se nos meus

Querendo-me me todo

E eu todo me dou

Realizo todos os meus desejos contigo

Todas as formas de amar

De querer

Sexo

Eu e tu

Hoje

Eu quero...



Publicado por asantos365 às 16:08
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Sexta-feira, 12 de Janeiro de 2007
Sonho Triste

Lágrimas minhas no chão caídas

É triste rastro do meu abandono

Nas tristes horas que ando sem sono

Pela noite por ruas esquecidas

 

Ando sem rumo por rotas perdidas

São caminhos vazios de cão sem dono

E nesta pátria de rei sem trono

Sou senhor de almas de sonhos despidas

 

Vou ébrio busco esquecimento

Apagar todas as minhas lembranças

Errando por esta selva de cimento

 

Vendo ruir todas as esperanças

Dessa minha sina que é meu tormento

Aceitar sem luta as intemperanças

 

 



Publicado por asantos365 às 21:36
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Segunda-feira, 8 de Janeiro de 2007
Longe de Ti

 

Algo dentro de mim

Se quebra

Sentimento que me tortura

Que me destrói

Minhas palavras

Perdem-se por aí

Quando o teu frágil coração

Parece inalcançável

Espero com infinita paciência

Em silêncio

O momento em que possas olhar-me

Passam os dias

Morro um pouco

E sussurro

Muitas vezes o teu nome

Porem o grande mar nos separa

E sou para ti quase invisível

Se poderes

Liberta-me destes cadeados

Se me quiseres

Estou aqui sempre

E poderás compreender

O quanto te amo

O quanto somos iguais

Abandona o medo

Abre o coração

E verás como realmente sou

Atreve-te

Olha-me nos olhos

Acende o teu fogo

E ilumina o meu mundo

Serás o deus

Que eu adorarei…

Sinto que estou desaparecendo

E grito mil vezes o teu nome

Porem nos separa

Um imenso oceano

 E sou para ti

Quase invisível

 

 



Publicado por asantos365 às 15:42
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Sexta-feira, 5 de Janeiro de 2007
Doce Inocência

 

 

Para onde partiram os amigos

Os amantes

Os abraços de carinho

Os risos

Para onde foram os sonhos

Todas as promessas

Depositadas nos nossos colos

Quando éramos inocentes

As esperanças

Adocicadas nos anos verdes

Pelas histórias mágicas

Dos príncipes encantados

Onde ficaram

As noites mágicas

De palavras sussurradas ao ouvido

Em noites de céu estrelado

Por que caminhos

Dúbios, negros e dispersos

Nos perdemos todos

Numa galáxia desconhecida

Rodeada de gente autista

Sem raízes sem memória

Com esperanças rasgadas

Deitadas ao vento

O vento leva as palavras

Estamos rodeados

Deste silêncio ensurdecedor

Percorremos os dias

Repetindo os gestos

Mas quando deitamos a cabeça na almofada

A dor do corpo tolhe-nos

A solidão tem cheiro e peso

Nada nos vale

Nem quando

Outro corpo dorme a nosso lado

Que fazer

Com o resto das ilusões

Das longínquas recordações...



Publicado por asantos365 às 18:10
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Terça-feira, 26 de Dezembro de 2006
O Fisga

 

Se não fossem os problemas de dinheiro, vivia sem pressões, nas calmas, com lençóis lavados. Nunca teve problemas com a carreira.

Chamavam-lhe “ O Fisga “ e desde cedo criou a ideia de que não valia a pena fazer nada pela vida porque »de qualquer modo é para morrer «. O pior é que nunca mais morria. E ali estava, sentado, sem nada para fazer.» Sinceramente « – pensava – só sirvo para pagar facturas e… nunca mais é sábado. «Tinha todo o tempo para pensar, mas não saia da cepa torta. Sentado como lhe convinha, só pensava nas andorinhas que faziam os ninhos nas casas de “ passe “ e segundo ele, atormentavam os clientes da vida fácil com dejectos difíceis de engolir. Tinha para si que, tal como mulheres de vida fácil, as andorinhas não fazem mal a ninguém. Limitam-se a construir os ninhos e a não pagarem impostos a deputados andarilhos. Na verdade o “ Fisga “ nunca teve uma fixação sexual especial. Nunca tratou as andorinhas por» minhas bichas «. A sua fixação sexual era bastante generosa, ia da sopeira fixe às professoras de liceu, passando pelas mulheres dos amigos. Não era caso único. Mas era um homem que se casou e divorciou, como se nada tivesse acontecido. Houve muito amor à mistura? Não sei. Sei que o “ Fisga “ amava as andorinhas porque quando poisam, nunca ficam…

 



Publicado por asantos365 às 18:54
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Sexta-feira, 8 de Dezembro de 2006
A miúda do Trapézio

Voluntariamente
Nunca bati com os queijos no chão
Nunca caí de uma janela
Nunca me atirei de uma varanda
Não sou masoquista de corpo
Serei masoquista de espírito?
Ver uma mulher
Comer esparguete não me excita
Ver um umbigo nu
Ainda vá que não vá
Mas o que eu gosto
É de comer bacalhau à Zé do pipo
O que não gosto nada
É de me constipar ou gripar
Gosto de ouvir piano em jejum
Violino antes do almoço
 Mozart e Chopin depois da meia-noite
Tenho sempre
A música no coração
E o coração em sangue
Gosto de coração mal passado
Há quem goste dele completamente passado
Um dia conheci uma mulher
Que gostava de corações salteados
Era uma mulher linda
Nunca tirava os sapatos em público
Era sapato-maniaca e civilizada
Andava o dia inteiro
Com uma vontade terrível de chorar
Mas lembrava-se do rímel e continha-se
Só chorou uma noite
Com o rabo virado para mim
E a cabeça virada para o espelho
Trabalhava no trapézio
Era o orgulho da família
Dos amigos
E da terra onda nasceu e viveu
Cerca de duas horas e meia
Numa noite de catástrofe
Estatelou-se cá em baixo
Onde dói
Aleijou-se
Mas não ficou aleijadinha
Só ficou uns tempos
A curar
A emoção e a espinha torta
Depois engomou a espinha
E lá voltou para o trapézio
Para rentabilizar o corpo e as noites
Tinha uma máxima
O que conta não são os homens da nossa vida
É a vida que há nos nossos homens




Publicado por asantos365 às 18:45
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Sexta-feira, 1 de Dezembro de 2006
Beijos Salgados

Mil beijos choveram

Sobre a tua boca oceânica

Primeiro um a um

Uma fileira de grossas gotas

Que rebentavam

Todas juntas

Unindo-se na tua gruta marinha

Montes de beijos surdos

Entrando até ao fundo

Perdendo-se

Como um naufrago no mar

Na tua boca oceânica

Oleada e quente

Beijos salgados e profundos…

 



Publicado por asantos365 às 19:35
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Sexta-feira, 24 de Novembro de 2006
Belo Recanto

 

Há um raio de sol

Que entra pela janela

E se reflecte no teu rosto

Há uma carícia

Esperando o teu despertar

Há uma mesa posta

Para o teu café da manhã

Há lábios sedentos

Que esperam ser beijados

Há um corpo

Que deseja ser tocado

Há um campo verde

E um lugar para amar

Há um clima de paixão intensa

Que deixará sair todas as emoções

Há um diálogo sensual

Que espera ser sussurrado profundamente

Há uma paixão desenfreada

Que quer brotar

Há um ciclo aberto

A um novo mundo de felicidade

Tudo está aqui…

 

 



Publicado por asantos365 às 18:59
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Sexta-feira, 17 de Novembro de 2006
Só quero ter Tempo

 

Apetece-me parar e escrever um pouco

Pegar nos pincéis e pintar na tela

Deixar-me levar em calma aparente

Mas será que tenho tempo?...

 

Sinto-me deprimido

Dormir sei que funciona

Mas para quê?

Se não tenho lindos sonhos contigo

 

Os meus sonhos esvaziam-se por aí

 

Que se passa com esta puta de vida, que não me deixa tranquilo

 

Tenho mil coisas para fazer esta semana

Era bem melhor ter mil momentos contigo

 

Não penso nem vou deixar de ver-te

És minha…

Vou esperar que regresses

E ficaremos juntos para sempre

 

Passo o dia

Buscando a formula para te surpreender

De roubar-te um sorriso maroto

Querer que me beijes e sintas prazer

 

Só quero ver-te feliz

Quero-te bem pertinho de mim

Amo-te perdidamente

Para ti estou inteiro

 

Só quero ter tempo…

 

 

 



Publicado por asantos365 às 10:52
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Sexta-feira, 10 de Novembro de 2006
Entre Acácias



Entre acácias
Vou buscar o ar que penetre nos meus pulmões
E nade no meu sangue
E depois recorra a este corpo
Que tão intensamente vive

Logo
Sentirei falta de ar
E viverei longa emoção do teu êxtase
Envolver-me-ei contigo intensamente
E não quererei voltar
Ao nicho cálido do existir

Uma fuga de sangue tem o meu coração
Uma fissura deixa sair
Toda a paixão que tenho na minha alma

Não me olhes, observa-me

Se desperto
E não te tenho na minha mente
O meu coração entontece
E dará conta
Que o teu essencial perfume
Terá escapado de mim

Se me arrancas um suspiro, terás um coração

O desnudo mental
É mais provocativo
Do que o desnudo físico
Prefiro embriagar-me na tua boca
A manter-me sóbrio sem desejos

Não tem sentido querer sorrir
Quando não existe gozo na alma

A lua do meu anseio é o ar que respiro

Se caio levanto-me
Procuro não cair de novo no mesmo lugar
Aprendo a perdoar-me
Assim obtenho mais uma oportunidade

Minhas lágrimas, são um troço de alma que me roubaram

Sou frágil
Mas tenho a valentia de não me resignar
Os meus erros não me empobrecem
Maximizam a minha sabedoria
A vida é belamente difícil

Obrigado por me a deixarem viver…

Agora quero é ouvir Chopin

 



Publicado por asantos365 às 10:21
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Sexta-feira, 3 de Novembro de 2006
Anjo



Imagino-te inexplicavelmente
Com pés de Deusa Romana
Pálidos de mármore magníficos
Dignos e distantes

Imagino-te com sons de canto sacro

Poema recitado
Canção sublimada pelo vento
Sussurros que encontram
Tua adorável existência
Existência cantada por anjos
Espíritos vazios de vida
Repletos de nada
É aqui que resplandece
O teu encanto
Aqui radica tua grandeza
A simplicidade
Da tua transparência
Os teus desejos de sentir
A carícia da tua voz
A magia dos teus sonhos
Desde o paraíso dos teus sonhos

Anjo ilumina-me com a tua luz

Espero
Que todas as coisas vindas de ti
Sejam reais
Poderei escrever durante anos
Mas nada seria do meu agrado
Não penso oferecer-te muito
Só posso imitar tua transparência
Tentar regalar-te
Com os meus pensamentos
Não é muito
O que conheço de ti
Mas sei que és uma eternidade

Sinto o ar dos teus sonos no meu colo
E um leve ardor das tuas ideias
És uma pessoa admirável
Essas são as únicas palavras
Que me deixam conforme
Admiro-te pelo que representas
Pelo que vales e pelo que sentes
Só desejo que sejas real…

Anjo ilumina-me com a tua luz



Publicado por asantos365 às 18:51
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Sexta-feira, 27 de Outubro de 2006
Arde Comigo

 

Desce sobre mim
E desliza o teu desejo
Pinta com o teu néctar
Os pelos do meu peito 

Acalma com a tua língua mágica
Este facho em fogo

Arde comigo
Sou pirómano de beijos
Quando a tua pele canela
Esquenta os meus desejos



Publicado por asantos365 às 23:35
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Sexta-feira, 20 de Outubro de 2006
Desnuda-te




Não habita
Mais timidez em ti
Perdes o pudor
Nesta entrega total
No abrigo dos meus lábios
Debaixo da minha roupa
Está a minha pele
Sedenta de carícias e beijos
Tu a tocas
Pouco a pouco
A descobres
Tuas sábias mãos
Encontram
A raiz dos meus desejos
A minha roupa cobre
O corpo
Pronto para a entrega total
Que com tesão
Regala-te a alma
Toca
A minha pele ardente
Que me consome
Despoja-te
De pudores e anseios
Esta noite serei teu
Tu serás minha...
Desprende-te dessas roupas
Desnuda-te
Fulmina-me de carícias
Incendeia as minhas entranhas
Descobre-me
Porque desnudo o corpo
Também desnudamos a alma



Publicado por asantos365 às 22:21
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Sexta-feira, 13 de Outubro de 2006
Sobre o Amor

Um dia me disseram!” Vou amar-te até ao fim da minha vida...”
Deveriam dizer! “Vou amar-te até ao último dia do amor...”
Disseram! “Amo-te até morrer...”
Deviam ter dito! “Amo-te até que o amor morra...”
E o amor foi eterno
E será eterno em seu instante

 



Publicado por asantos365 às 18:16
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Segunda-feira, 9 de Outubro de 2006
Paixão



Cansado desta guerra
Vou à procura da paz
Hoje o dia está lindo
Vou caminhar
E pavonear-me com o meu fato novo
Calcorrear na passerelle da Foz
Sentir a brisa
A acariciar a minha pele
E vou tentar sorrir
Não quero pensar
Em todos os amores
Que morreram antes de começarem
Não quero recordar
As paixões que não se vivem por medo
Não quero...
Não quero pensar
Nas bocas que me falavam
Que não querem uma paixão
Quando o coração me diz
Que é tudo o que preciso
Para voltar a sorrir...
Uma pequena paixão...
Hoje não falo
De uma paixão carnal
Mas sim de uma paixão espiritual
Algo que acalme a minha alma
A minha mente
E o meu corpo
Algo que me enrede
Como orquídeas na primavera
Como vento de entardecer
Uma paixão que me faça sentir vivo
Quiçá um sonho
Quiçá uma meta
Só sei o que o coração me pede
Paixão



Publicado por asantos365 às 18:44
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Segunda-feira, 2 de Outubro de 2006
Desisti de Ti

Desisti de ti

Porque até o amor tem limites

Tem um fim anunciado

Mesmo quando acaba

Desisto de ti

Com a mesma força com que amei

E por isso tenho a alma rota

O coração guardado numa caixa

Com fotos e cartas

E outras coisas ridículas

E aqui estou eu

E é como se fosse invisível

Esta dor insuportável

Que me aperta o peito

E me fixa o olhar como se estivesse drogado

Dopado e incapaz

De ser mais do que esta representação de mim mesmo

Desisto de ti

E comuniquei-o a todo o meu corpo

Disse à minha pele

Que esquecesse a tua

Afinal o teu perfume nunca existiu

E os meu ouvidos

Nunca reconheceram os teus passos na escada

Mas apenas

A minha cabeça compreende esta decisão

O resto de mim foi-se embora

E não sei quando voltará

Levarei o meu tempo

A habituar-me à tua ausência

A mim e ao meu corpo e à minha alma

O amor é sempre igual

Mesmo quando é diferente

A urgência do outro

Do corpo do outro

Da voz

E sei lá que mais…

Tudo é igual em quem ama

Por isso

A separação também é idêntica

E neste preciso momento

Uma grande parte da humanidade

Tem estes olhos vazios

Este amargo na boca e aperto no estômago

É engraçado

Saber-me acompanhado por desconhecidos

É irónico

Que entre essa multidão não estejas tu

Desisti de ti

E tu nem sequer o percebeste….

 

 

 

 

 



Publicado por asantos365 às 23:06
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Quinta-feira, 14 de Setembro de 2006
Sonhos de Menino

Acordo e olho à minha volta

E não sei quem sou

Nem onde estou

Porque nada deveria ser assim

Por onde andam

Os meus sonhos de criança

As minhas expectativas de adolescente

O homem que um dia fui?

Deixei-os

Na estrada da vida

E não encontrei o caminho certo

Ou então

Não havia caminho certo

Não existe

E a vida é isto

Sonhar

E depois deixar de sonhar

E viver para sempre

Com a realidade nos braços

Deve ser por isto

Que gosto de filmes de amor

De histórias com finais felizes

Felizes para sempre

Os dias trazem de volta

Os cheiros de outros tempos

As recordações

Do que devia ser e nunca foi

Será possível

Viver uma vida inteira adiada?

Sentir que estamos a representar

Um papel no palco do Universo

Que não é o nosso?

Que não era isto

Que devíamos ser e fazer?

Para quê perder tempo

Em pensamentos e divagações?

A vida é o que é

Os dias perfazem semanas

E as semanas meses

E não existe

Nada mais do que isto

Isto é

Levantar de manhã

E fazer o que é suposto fazer

E aprender

Que não se pode esperar nada de ninguém

Onde está aquele menino que um dia fui

E que acreditava que podia ter o futuro na palma da mão?

Se o virem

Avisem-no que estou aqui

Digam-lhe para me visitar

Daremos as mãos e iremos até ao jardim

E eu terei com ele uma longa conversa

Talvez então

Eu possa refazer a minha vida toda

Dentro do meu coração

E nas minhas memórias

Talvez…

 

 



Publicado por asantos365 às 23:37
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Sexta-feira, 8 de Setembro de 2006
Arrependido

Não minha filha

Já disse que não

Ele escusa de vir para aí

Com conversas mansas

Não o quero ouvir

Mas ó mãe...

O pai só está a dizer

Que está arrependido

Que não volta a fazer aquilo...

Aquilo?...Aquilo tem nome menina

Ele meteu-se

Com a putéfia da vizinha

Não me venhas com conversa

Andou no bem bom com a tipa

E agora, vem aí como um cordeirinho

E sabes porquê menina

Porque ela o deixou

Mandou-o às malvas

E agora anda aí a rondar de novo

Não

Já te disse que não

E escusas de voltar a falar no assunto

Sabes uma coisa?

A princípio, chorei muito

Fiquei velha num estante

Mas agora já passou

Habituei-me a estar só

E até gosto

Como é que dizia a tua avó?

Antes só, do que cornuda

É isso, antes só

Mas....ó mãe

Ele disse que estava arrependido...



Publicado por asantos365 às 19:50
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Sexta-feira, 1 de Setembro de 2006
Palavra Amiga

Não te sintas mal

Só porque te sentes bem

Há muitos que gostam de ver

A infelicidade no teu rosto

Adoram prestar atenção

Quando contas tuas penúrias

Mas se afastam

Quando o teu sorriso brota felicidade

Tens de ser

Honesta contigo mesma

Se estás num estado de felicidade

Não tenhas medo

Mostra-o

Não para fanfarronares

Nem para seres um exemplo

Essa felicidade servirá

Para iluminar

Vidas que necessitam de um pouco de luz

Seguramente

Alguma vez

Necessitaste da luz dos outros

Eu sei que já sentiste

A obscuridade

A depressão

O vazio

A solidão

Talvez afugentasses os amigos

Os que te eram mais queridos

Todos aqueles

Que viviam diante de ti

Porém

Nenhuma competência tem sentido

Porque a vida

Tem alternativas

De luz e obscuridade constante

Um dia somos

No outro deixa-mos de o ser

O importante

É brindar

A essa luz que retornou a ti

E aceitar

A luz de quem te brinda

Porque te ama

Quisera eu que dês conta

Que braços abertos

Te esperam…    

 



Publicado por asantos365 às 17:59
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Sexta-feira, 25 de Agosto de 2006
Sombra Negra
 

Não quero

Ver a tua sombra negra

Vadiar nesse bosque

Escuro como breu

Encontrar os corvos

Sobre este ventre pútrido

Com o coração amarrado

A cadeados profanos

 

Não quero

Encontrar-me uma noite mais

Dentro dessas paredes mal caiadas

Com cheiro a sexo

E os teus olhos

Perdidos no inferno

 

Volta a mim demónio

 

Quero voltar a sonhar

Com frescias e rosmaninho

Dorme em meu sono

Só desta vez

Não te escondas no bosque

Não corras entre as árvores

Acaba com o teu pólen

Dentro do meu cadáver

E contesta os meus gritos

 

Amaldiçoo-te

Por deixares a minha alma

Cravada no teu coração

Mais além

Do que a minha razão

 

Volta a mim demónio…



Publicado por asantos365 às 18:16
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Sexta-feira, 18 de Agosto de 2006
Nudez

Amo a tua nudez

Porque desnuda-me

Bebo pelos poros

Dessa pele morena

Abre-me todas as portas

Para que te possa divinizar

Toma a minha mão

Segura-a

Como a um menino perdido

De que nada sabes

Acolhe-me em ti

Embriaga-me de prazer

Faz voltar o meu eu

Afoga-me nos teus poros

Deixa que me mate em ti...



Publicado por asantos365 às 17:30
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Domingo, 13 de Agosto de 2006
Doce Tortura

Que droga é esta

Que me consome

Que é dona

E senhora dos meus desejos

Que me tortura e acalma

Que me provoca

Delírios e febre

Que purifica o meu corpo

Que eleva e transporta

Os meus sentimentos

Que destrói e constrói momentos

Que alucina

E me deixa louco

És um desafio

Intenso e quente…



Publicado por asantos365 às 01:15
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Sexta-feira, 4 de Agosto de 2006
Teu aroma Jasmim

 

Desfruto

Do teu aroma a jasmim

Essência de jardim privado

Fragrância usurpada ao vento

Que levam os meus beijos

Um a um ao entardecer

Estranha

A tua cor de jasmim

Matiz doce

Amor divinal

Atracção incontida

Como o mar da alma

Se acentua com as sombras

Estranho

As tuas pétalas jasmim

Maceradas nos meus lábios

Vertem na sua agonia

A saliva que dá vida

Brotando

Ternura

Afecto

Amor

E se mantêm

Bem vivas...



Publicado por asantos365 às 15:39
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Sexta-feira, 28 de Julho de 2006
Estranho-te

Não posso fazer com que o silêncio

Te afaste do meu coração

Tu sabes que estarei sempre contigo

Mas abeirar-me de ti

É quase impossível

Entretanto

Caminho só

Vazio

Ausente

Presente

Aqui

Em minha ausência

Estranho-te



Publicado por asantos365 às 18:57
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Sexta-feira, 21 de Julho de 2006
O que nunca te Disse

 

Por vezes

Vejo o teu reflexo em plena rua

De relance e sem razão

E fico estático

Sustenho a respiração

E sei que não és tu

Como poderias ser tu

Se partiste há tanto tempo

E lembra-te

Partiste de livre vontade

Assim o quiseste

Assim te deixei voar

Deixo-me ficar quieto

A saborear o que me parece ser

O contorno do teu corpo

Do teu rosto

Dos teus seios

Com medo de me mover

E fazer desaparecer

Aquele jogo de sombras

Que se assemelha a quem foste

O perfume Chistian Dior chega até mim

E lá estás tu

O teu lenço azul encharcado em perfume

E o leve aroma que deixavas

Quando te movias pela casa

As saudades nunca morrem

As saudades têm cheiros

Tem cores

E habitam onde menos se espera

Dentro do nosso coração

Convivem

Com a realidade dos dias

Os nossos amores

Os nossos filhos

Aqueles que amamos verdadeiramente

E sabes

Descubro agora

Chegado a esta fase da vida

Que a dor da separação

É sempre a mesma

Apenas veste corpos diferentes

E nomes diferentes

É este o preço do amor

Mas existe quem

Viva bem com a saudade

Imagino

Que sejam aqueles

Que tiveram tempo de dizer tudo

Absolutamente

Tudo o que sentiam

Eu não

A minha vida continua igual

O meu coração envelheceu

Mas ama da mesma forma

E por alguma razão cruel

As pessoas que mais amo

São exactamente aquelas

Às quais

Não consigo dizer tudo

Ou pelo menos

Faze-las compreender

O que significam para mim

Olho o mar

E sinto o escoar do tempo

Viver é isto...



Publicado por asantos365 às 09:58
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Sexta-feira, 14 de Julho de 2006
Doce Paixão

Deitado sobre ti

Escuto o bater do teu coração

Em uníssono com o meu

Os meus braços rodeiam a tua cintura

Depois de cavalgar-mos no paraíso

Acolhes-me

Novamente nos teus braços

E embriagas-me

De prazeres divinais

Suave passar dos teus dedos

Pelos molhados cabelos do meu peito

Suados por momentos de paixão suprema

Essas mãos lindas

Ganham território de novo

E essa boca ansiosa

Devora-me

Línguas de fogo se buscam

Como no fragor de uma batalha

Caricias suaves

Volúpia ardente

Sexos ávidos

Êxtases compartidos

Gritos abafados

Não paramos

Querendo mais e mais

Até chegar ao êxtase supremo

Desfalecidos

Transpirados

Ofegantes e molhados

Nos entrelaçamos

Em olhares de doce paixão

Recompostos do cansaço

Nosso fogo se aviva

E o jogo se reinicia....

 

 

 

 

 

 



Publicado por asantos365 às 13:45
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Quinta-feira, 6 de Julho de 2006
Desatino

 

Por ti

Calaria mil perguntas

Que se enroscam na minha garganta

Por ti

Ungiria a minha voz

E prenunciava palavras

Que influenciassem os teus sentidos

Por ti

Omitiria as reprovações

E dava independência às promessas

Mas de que valem elas…

Se o coração não se agita

De que serve

Tanto sentimento no papel

Se me guilhotinas a esperança

Dá-me…

Mais do que palavras

Quero…

Carícias e beijos

Aliena-me de amor

Com actos preenchidos de ternura

Entreguemo-nos aos rendilhados do amor

Naveguemos por esse rio

Rebelde de nosso sangue

E que nesse navegar

Se sinta o queimar do desejo

Depois…

Escrevemos num pergaminho

As legendas desta paixão

A que tu, nem eu

Atinamos a dar-lhe um nome…



Publicado por asantos365 às 12:32
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Quinta-feira, 29 de Junho de 2006
A minha Pele

A minha pele

 

Tem memórias das tuas mãos

Recorrendo

Ao desnudar da minha entrega

Tem o teu aroma

Tem o sabor

Tem triunfo

Tem derrotas

 

A minha pele

 

Tem os sons de ternura

Vibrando

Cada encontro na penumbra

Tem os teus restos e rastos

A luz opaca dos desejos

E o rosto do amor

 

A minha pele...



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Quinta-feira, 22 de Junho de 2006
Envolve-me

 

Envolve-me

Não temas

Perante o meu fogo vivo

A tua carne se deslumbra

E surge castamente

Com cores rosáceas

Nesse traje provocador

Envolve-me

Quero entrar em ti

Aspiro no ar

Uma fragrância débil

Que emana desse corpo

Vou alimentar-me em ti

Saborear iguarias nunca provadas

Envolve-me...

 

 



Publicado por asantos365 às 23:44
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Quinta-feira, 15 de Junho de 2006
Enfermo de Ti

 

Estou enfermo de ti

A minha dor é sofrida

Outros braços me apertam

E não posso abraça-los

Beijam-me e não posso responder

Pois meus lábios não se movem

Ando desintegrado

Disperso pelo mundo

Com muitos amores

E só há um momento

Em que me encontro

Quando nós dois

Julgamos ser um só

Quando te sinto

Indefesa nos meus braços

E perdes a consciência

De que nos separamos…

 



Publicado por asantos365 às 18:46
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