Despe-me
Arranca a minha roupa rapidamente
Toma-me nos teus braços
Ama-me por meia hora apenas
Sei que neste espaço de tempo
A minha alma irá flutuar
Voltar ao tempo
Fingir que ainda sou menino
Mas sendo homem felino e macho
Desenhando em teu corpo
A forma selvagem de amar
Despe-me as roupas
E verás como quero sentir- me em ti
Deleita-te em meu sabor
Suga-me o néctar da paixão
Há tanto tempo guardado
Assim quando o dia vier despertá-lo
Não o irá encontrar só
Porque terá ao seu lado
Não o meu corpo suado de prazer
Mas a minha alma apaixonada
Que passou meia hora contigo
Porque exigem tanto de mim?
Porque me indesejam?
Não me comprometo
Com a fria realidade
Mas o aquecedor é falso
Deixo de estar
Dói-me o sítio
Dói-me a repetição
Desta palavra eterna
Mas ecoa
Ecoa...
E ecoa
Hoje transeunte banal
Hoje, mágoa social
Que perpassa lá ao fundo
Cada vez mais nesta sombra
Que não é escura...
Apenas incolor
Apenas paralela
Apenas
Como sempre
A estrada não se partiu em duas
Não houve bifurcação
Apenas se projectou uma miragem
De cimento
Onde era o terreno inóspito e a dureza
De um País surdo e exterior
Acolhedor somente à sua maneira
Não à minha
Ou pelo menos
Não para comigo
Quero que se foda essa tua opinião
Quero que se foda o estereotipo
Em que recaio
E quero que te fodas com eles
Já que não me dão o mundo
Não me espremam outra vez
Os sentimentos e os bolsos
Essas vossas vozes redutoras
De quem não sabe na verdade
O que é ser ninguém
O que é não poder sofrer verdadeiramente
Por se não ser ninguém
Por não ter que a frágil mente por estimar
Viver sim
Mas com que sabor
Em que reconhecida paisagem
Que me permita não estar aqui
A cavar mais este fosso...
Não acredito em vós políticos aldrabões!
Nas ondas vou procurar-te
Para normalizar a sede do meu corpo
Que se embriaga
No sal dos teus lábios sedentos de amor
Feroz o mar
Ensina-me a respeitar os sons
E os ecos que vêm de longe
Há um céu
Coberto de nuvens de cores diversas
Com perfume de rosas
E sol que se afaga na linha do horizonte
Nas ondas te procuro
Quero fermentar essas vestes de seda
Teu corpo que se abriga
Da liquidez da paisagem com fumo
Que se ergue
Para lá das colinas transparentes
Olhas-me entre as gotas de água
Esverdeadas na purpurina dos meus actos
Esses cabelos soltos ao vento atraem-me
Esvoaço como uma abelha
Até ao espelho de entrada do teu ouvido
Sopro suavemente
Minha existência à tua inalterada beleza
Digo-te palavras
Que não se revelam aqui neste poema
Por serem demasiado íntimas
Por serem demasiado nossas
Hoje o mar
Escreve na espuma o limite dos meus desejos
Hoje o mar
Absorve a luz dos meus olhos
Que se reflecte no teu coração
A noite aproxima-se
Tu és a musa que caminha tranquila na areia
Não tens medo da companhia das gaivotas
Não tens medo que elas te observem
Que elas mergulhem
Na seda e te descubram o interior com as asas
Estou perto
As minhas mãos agarram o papagaio
Que o vento teima em não deixar cair
Agora posso voar
Amanhã quem sabe
Poderei correr de mãos dadas contigo
Antes que o tempo se gaste
E a vitória das anémonas se torne realidade
Amanhã, como hoje, seremos nós
Seremos ondas
Seremos mar
Seremos serenidade de algas
Teremos a luz das estrelas
Nasço de novo
Morro nos teus braços
Com a imensidade da vida
Visualizo janelas
Abro-as
Atravesso-as
Busco por ti
Corremos pela praia sem parar
Sentimos sem parar
Eu sou teu
Mas tu, tu também és minha
Guardei-te na ausência do meu olhar
Libertei-me
Na ausência das mãos que me deixaram de prender
Lancei-me dentro do meu destino
Que mergulhado a meus pés me chamava
Quis ser outro
Quis ser sangue a fervilhar nas veias
Quis perder a paz
Esqueci as palavras que sabia
Os poemas e os versos que amava
Despi-me das crenças e dos hábitos de uma vida
Na ânsia da descoberta de um novo ser
Que gritava por nascer dentro de mim
Escondi-me de quem era
E dei-me a uma metamorfose algo perigosa
Acolhi no meu colo centelhas de cor alheias
Guardei-as dentro da alma
Moldei com as minhas mãos outros momentos
Senti na ponta dos dedos novas texturas
Construí um "mundo de ninguém", onde quase me perdi
Onde quase fiquei...
Onde quase esqueci quem era
Deslumbrado com quem criei
Volto aos poucos a reconstruir-me…
Entre um mundo e outro
Entre o passado e o presente descubro o futuro
Colo pedaços de um espelho estilhaçado
Ainda me pesa a minha imagem dentro de mim
Quero descobrir
Novos encaixes para o puzzle que sou
Percorrer cicatrizes que falam de mim
E descobrir novos caminhos
Voltar a dar voz aos gritos que silenciei
Escrever novas tatuagens...
E ser novamente dono das minhas palavras
Redescobrir a minha poesia
Trata-se de um relato baseado em factos reais, embora com os lugares e nomes dos personagens intervenientes no enredo alterados, cujo entrecho começa por apontar os motivos – que não as razões – que podem ter levado um catequista (e católico de 1-ª água) a cometer um crime de homicídio.
A história de um homem cuja fé e vergonha, o faz esconder durante algum tempo, a mais ignóbil das descobertas, ao ponto de tornar um homem comum e pacato, num assassino. Já que a “consciência ou alienação”, o impediram de calar as descobertas, que aos poucos, o lhe permitiram construir o «puzzle» que o enojaram e transtornaram.
Falo-vos de João, que aos 41 anos entra pela primeira vez numa Prisão. Deixando para trás uma dura vida de canalizador, electricista, comerciante e construtor civil.
João passou por várias cadeias do País: S. Pedro do Sul, Viseu, Aveiro, Coimbra, Custoias, Braga e… onde ainda se encontra a cumprir pena.
Aos poucos, vai-se dando conta das diversas formas de os reclusos se “fazerem à vida ” em vários estabelecimentos prisionais da região centro – norte de Portugal por onde foi passando, apercebendo-se simultaneamente dos vários e múltiplos“esquemas”estratagemas para a introdução e comercialização de drogas – consumidas a uma “ revelia esquisita “, num período em que cerca de 80% da população prisional era constituída por detidos por tráfico de droga ou crimes com ela relacionados.
CAPÍTULO I
- Anda cá meu melro, que ou mas cantas tu ou tas canto eu...
Era já noite cerrada. Uma noite enluarada, de céu descoberto de nuvens, pois aquele último
O luar penetrou pelo amplo pára - brisas e permitiu ao motorista vislumbrar o espanto no rosto sombreado do pendura. Por cima da sombra do bigode, que sabia preto e farfalhudo, os óculos espelhavam uma lua cheia, redonda e luminosa. Sossegou – o. - Calma, não se aflija. Só quero ter uma conversazinha consigo, mais nada. O rosto, habitualmente fechado, manteve - se virado para ele, cabeça imóvel, provavelmente na expectativa. Algo friamente, continuou.
- Cosme, vamos falar de homem para homem. Eu tenho umas dúvidas a atormentar - me há já
Aquele, incomodado por certo, agitou - se e, numa voz prenhe de aborrecimento e indignação, retorquiu.
- Mas para conversar, tinha de me ir buscar? Para isso tínhamos conversado lá em casa, ora!
Com crescente aspereza, o primeiro volveu.
- O assunto da conversa é demasiado grave e sério, para correr o risco de que alguém nos
- Mas que assunto?! Olha qu’esta!
Após breve pausa, incentivou – o.
- Vá lá, diga o que tem a dizer!
- Ò João, você tem cada uma!
Enchendo o peito de ar, este obedeceu - lhe, terminando embora com uma ameaça velada.
- Bem, tudo depende de si. Eu só quero que me esclareça umas coisas porque há três semanas
- Então mas o que quer que lhe confirme?
Sem se fazer rogado, o João começou então.
- Aqui há dias, quando eu e a Luísa subíamos para o quarto, ela, que tinha começado a subir
Ainda enfadado, o Cosme replicou.
- Ah, não! Deve tê - lo confundido com o seu filho. Andam sempre na brincadeira!
Exactamente a explicação que lhe dera a ela na manhã seguinte ao incidente. Isto significa
- Qual confusão qual carapuça! Tanto ele, como você e também a Luísa, sabiam bem que o
Após brevíssima pausa concluiu.
-Não me venha com tretas! Ele confundiu - me com a Luísa e não com o filho porque tinha
Com novo franzir de ombros, o outro tentou demonstrar a improbabilidade.
- Não, não terá sido isso. Ele até é um atadinho! E, mesmo que ele se atrevesse, ela não lho
Sentindo que o outro procurava atirar - lhe areia para os olhos, o João socou - o com força no
Depois de arfar algum tempo, ficou a respirar com dificuldade.
Pacientemente, deixou que normalizasse a respiração e continuou, algo circunspecto.
- E já teria acontecido mais vezes, pois ele parecia estar à espera que ela subisse.
Mas isso nem sequer seria grave, pois “se o linho está ao pé da
Como se alguém o tivesse puxado por detrás, o gemebundo endireitou as costas e, voltando –
- Eu?! Com a minha irmã?! Nada! Olha que’esta!
Numa nova explosão de fúria, o outro deu - lhe uma saraivada de socos de que o Cosme, a
Nova pausa, após a qual o João avisou
- Já lhe tinha pedido que me esclarecesse o que lhe perguntasse, embora entenda que o que
- Você deve andar marado! Eu, com a minha irmã?! Olha q’esta!
Confiando na penumbra, esticou o braço para o fecho da porta.
Porém, apercebendo - se disso, o João vibrou - lhe um murro no braço e, colérico, ordenou.
- Quietinho, que ainda não vai embora! Há muita coisa para esclarecer primeiro. E aconselho
Apertando o braço contra o peito, manteve - se apenas a gemer. Algum tempo depois compôs
Entretanto, o primeiro continuou:
- Já sei que ainda antes de o Miguel vir da tropa, no fim do mês de Julho, vocês tinham tido
Por isso é que você só se vai deitar depois de o rapaz regressar do turno da meia - noite por
De novo o Cosme se mostrava indignado:
- «Quais» pijama?! Você não anda bom da cabeça!
Nova chuvada de socos na cabeça e nas costas, porque, adivinhando a reacção do cunhado, o
O João ficou algum tempo a ofegar devido ao esforço dispendido.
Depois voltou a ameaçar, uma vez mais.
- Parece que vou ter que o aleijar! Veja se percebe que eu só preciso
Que me confirme o que já sei, porque há coisas que me custam a aceitar que tenham acontecido com
Mas prometo que não lhe faço mal nenhum. Porte - se como um homem, seu pulha!
Durante algum tempo só se ouviram os gemidos do Cosme.
Depois, o João voltou às perguntas e às ameaças:
- Prefere levar mais? Toca a sentar direito! Estou a perder a paciência! Vou contar até três:
Por fim, o Cosme decidiu - se e pediu.
- Pronto, pare lá com isso!
Recostando - se, em descompressão, o João voltou a avisar:
- Não volte a tentar abrir a porta, senão parto - lhe o braço!
Ainda arquejante, o outro endireitou - se um pouco e começou.
- Começámos daquela vez em que você a mandou lá a casa por causa do cheque que eu lhe
Havia já muito tempo que eu não tinha relações sexuais, e estava de “pau feito” pois estava a
- Ah! Então começaram muito antes do que eu pensava! Por isso é que ela, ao regressar a
E eu a pensar que tinha sido quando vos apanhei, na minha própria casa, a ver vídeos desses! -Nojentos!
Algo eufórico, o Cosme parecia ter desatado a língua:
- Bem, a princípio ela não queria. Mas eu agarrei - a pelas pernas e quando caiu de joelhos,
- Dois irmãos! Canalhas! Porque se ela quisesse impedi-lo… Interrompeu, enojado, o João.
- Pois, mas estávamos ambos quentes, por causa do vídeo, de forma que mal se debateu. Ao
Continua...
Dando - lhe uma pancada leve no ombro, o primeiro respondeu.
- Para vocês eu e a Rosa também éramos irmãos, não? Que filhos da puta! Era então uma
O Cosme, parecendo ter dado subitamente pela diferença, manteve - se prudentemente em silêncio.
Por sua vez, o João, amargamente, comentou.
- Ainda cheguei a defende-la, por saber que tinha ficado psiquicamente afectada com o meu acidente, mas acho que vocês já nasceram filhos da puta! E claro que estava convencidos que
Mas então tinham começado já quase há um ano, em Março do ano passado!
Depois arranjaram forma de ir para Matosinhos...
Após breve reflexão, continuou a perguntar:
- Então porque foi que ela, em Setembro voltou para casa?
Recostado ao vidro lateral do lado direito, meio voltado para o João, o Cosme respondeu
- Foi ideia dela! Os clientes eram poucos, a renda da casa era cara e nós estávamos a passar
O João nem queria acreditar, e reflectia em voz alta.
- Pois, ela voltava a ser uma respeitável dona de casa, com os clientes que aviava aos
Acautelando - se, o Cosme voltou a esconder a cabeça entre os braços.
Mas o outro manteve - se a raciocinar, em silêncio. Momentos depois perguntou:
- Em Dezembro, ela voltou para Matosinhos. Porque foi que, no dia seguinte, você se demitiu?
Parecendo ter despertado, o Cosme retorquiu, parecendo não ter ouvido a pergunta:
- Voltou porque você lhe bateu! E bateu - lhe bem, porque eu tive que a levar ao hospital!
- Não me venha com essa! Você sabe muito bem que não lhe bati! Foi ela que se automutilou.
Provavelmente a seguir instruções suas!
-Responda lá à pergunta que fiz: porque foi que você se demitiu no dia imediato à nova ida
Simulando só então ter ouvido, respondeu.
- Ah, porque foi que me vim embora da obra?! Foi para pôr as coisas a funcionar: arranjar
- O quê?! Está - me a dizer que deixou de trabalhar só para ir promover aprostituição da
Ó seu cabrão!
- E, acto contínuo, desatou a dar - lhe socos onde o podia apanhar, nos flancos e nas costas,
Durante algum tempo, o João continuou a socá - lo, num acesso de fúria que não controlou.
O outro gemia, uma vez mais.
O primeiro voltava às contas de cabeça, a tentar aceitar o que já percebera.
Tudo combinado pelos dois...
Fez - se então um breve silêncio.
Momentos depois, o Cosme foi dizendo:
- Vocês queriam - se divorciar, e eu aconselhei - a a provocá - lo, a arranjar umas nódoas
- A ser puta e você chulo! Chulo da própria irmã! – Interrompeu, sentindo - se enganado e
- Por isso a encontrei a sair do escritório do advogado no mesmo dia em que você se demitiu,
Depois invectivou - o, irado.
Filhos da puta!
Temeroso, o Cosme já tinha voltado a esconder a cabeça entre os braços.
Daquela vez, porém, o outro conteve - se.
Continuou no entanto a conjecturar, de conclusão em conclusão.
- Foi ter com o advogado, na pressa de obter o divórcio. Assim, nem que eu, já ex - marido,
Pois e para isso era preciso passar o advogado para o vosso lado. Ela foi lá para mostrar as
- Claro - prosseguiu o outro quanto mais depressa se divorciasse, mais à-vontade ficavam,
Ficaram de novo em silêncio, com o João a tentar encaixar as descobertas e confissões que
- Você demitiu - se, ela veio para o escritório do advogado...quer dizer, ainda naquela tarde
O Cosme não se fez rogado:
- Quando chegou a Matosinhos, ela ia muito revoltada. Acalmei - a e depois, combinámos não
Disse - lhe que só teria que mos trazer até ao café. Depois eu me encarregaria de os levar até ela.
Sem se conseguir conter, o João agarrou - o pela lapela e, abanando - o, exclamou:
- Ó mete - nojo, «ela», por acaso, é sua irmã, minha mulher, e mãe de dois homens, com quase
Prudentemente, o Cosme enovelara - se de novo.
O João respirava com dificuldade, sentindo que o diafragma lhe doía. Quando serenou,
-Então e o taxista, quanto recebia?
Após um breve franzir de ombros, o outro prosseguiu:
- De nós, nada. Limitava - se a receber o frete de quem levava ao café, onde eu estava quase
Os nervos e a revolta reprimidos provocavam dores na região abdominal do João, devido ao
Sentindo que tinha que aliviar a tensão, invectivou.
- Você é um porco! Um chulo nojento da própria irmã! Agora percebo porque razão me disse
Claro, estava a fazer o que fez durante toda a vida! Enquanto morou à sombra da sua mãe,
Colérico, arrancou - lhe o «capachinho» da cabeça e arremessou - o contra o piso da
- Filho da puta!
Depois empurrou - o contra a porta.
De novo o Cosme tentou puxar o manípulo.
Numa desesperada e súbita reacção, o outro atirou - se para a frente, tentando enterrar - lhe
Voltando a aperceber - se também, João agarrou - o e deu - lhe um soco no ombro direito.
Recuando instintivamente, tacteou o camartelo, que sabia estar entre o banco e a tampa do
O som cavo da pancada fê-lo cair em si, e um pensamento angustiante acudiu lhe à mente: «Oh! Que
Estranhamente, o outro manteve - se em silêncio. Nem um gemido sequer.
Então, em pânico, afligiu - se: E agora?!» - pensou.
Decidiu momentos depois, que tinha que tirá-lo da carrinha e entontecido, abriu a porta. Aos
Continua...
Dirigiu - se ao corpo e tentou carregá-lo, mas, apesar de ser mais novo, e mais alto, cerca de
Seguindo a direcção do braço dele, percebeu que apontava para o chão da carrinha. E de
Ah, o capachinho?!
Com uma inusitada e amoral presença de espírito, troçou.
- Deixa lá, para onde vais não precisa mais dele! No inferno queimava - se…
Tarde demais. Tinha entrado num caminho sem retorno. Agora não podia voltar atrás. Só lhe
Uma estranha serenidade o invadiu e só pensava em livrar - se do corpo. Agarrou - o pelos
Sangue…
Embrenhou - se cerca de dois metros no matagal, puxando - o por entre os arbustos. O
A dor provocou no João a perda de controlo e, num acesso de cólera, vibrou - lhe várias
E se algum casal de namorados, dos que habitualmente param por aqui, o ouve? –
(E se alguém ouve?) - a pergunta continuava a martelar - lhe o cérebro e a pô-lo fora de si.
Tinha que acabar com aquele ruído. Meteu a mão ao bolso, à procura da navalha multi - usos
Tenho que evitar que isso possa acontecer… - Era a tarefa que se impunha. Abriu o canivete e
Passou-lhe a navalha por debaixo da manga, sentindo apenas alguma resistência quando a
- Ah, assim está melhor - pensou, aliviado.
Repentinamente, voltou - lhe a lucidez e, horrorizado consigo mesmo, tacteou, à procura do
Assim, ao arrancar aos solavancos, os pneus guincharam no pavimento, ao mudar de
Ao atingir a estrada nova não conseguiu parar e em pânico atravessou para a faixa de
Quando se cruzava com outros veículos, encostava - se todo à berma, mantendo os médios
E agora? E agora?! Posta perante a irremediabilidade do seu acto, entontecido, ia guiando
Entretanto aproximara - se da vila, debruçado sobre o volante e ao passar pelas bombas de
Uma nova urgência se impunha. Tinha que se livrar daquilo!
Com redobrados esforços, procurou concentrar - se na condução. Pois ali perto do posto da
Momentos depois, passava em frente ao quartel dos Bombeiros e avistava a solução para a
Abriu o sinal para a direita e encostou. Quando dava a volta à carrinha, reparou que o Luís,
- Boa noite, Luís. – A voz saiu - lhe rouca e trémula.
Disfarçadamente, abriu a porta do lado direito e de costas para o outro, apanhou a repa de
Sempre de costas para o jovem, para que este não visse o que ele tinha na mão, abriu a tampa
Depois fechou a porta, contornou a parte da frente da carrinha, voltou a abrir aporta da
À luz dos detectores de movimento, reparou que até por fora a carrinha tinha sangue. Esticou
Na casa paredes - meias com a sua, os velhotes já dormiam havia pelo menos duas horas,
Também reparou que tinha o fato de treino escuro cheio de manchas escuras “eina pá”, estou
Deu por terminada a lavagem, e entrou em casa. Foi ao quarto de banho e então percebeu
Continua...
Foi ao quarto buscar outra roupa e de toalha na mão, dirigiu - se ao tanque da água, que
Subiu ao sótão e trouxe consigo duas pequenas malas, que carregou consigo até ao quarto.
Escolheu a roupa a levar e constatou que não cabia lá o indispensável. No dia seguinte
Regressou ao quarto e deitou - se, tentando sossegar - se com a ideia de que, face às
Levantou - se repousado, apenas quando sua mãe estranhando, bateu à porta do chalé, a
Estremunhado, respondeu-lhe.
- Ó mãe, ainda não são sete horas e hoje é Sábado! Já não posso descansar mais um pouco
-Ora bem, bem, está-te a dar para a preguiça, ou quê?! Ontem deixei - te a comida na mesa e
- Pois pode dar - lhe tudo, que eu ontem até me esqueci de comer – respondeu.
- Então vou deitar a comida fora, estava tão boa? Bem, eu cá vejo... Tu foste para as
- Está bem, mãe. Olhe, faça - me o almoço para o meio - dia em ponto, que hoje vou ter que
- Andas muito saído rapaz! Está bem, às 12 horas estará pronto. Mas agora deixa - me
De novo sozinho, decidiu procurar na lista o número de telefone do pároco. Talvez depois de
Bebeu a caneca de café com leite que a mãe lhe tinha trazido e a mordiscar a sanduíche que
Como se tivessem combinado ao segundo, também o rapazito que costumava ficar no estaleiro
Pouco depois “chocaria” o padre, que nunca esperaria ouvir tal confissão de um dos seus
Para confortar também o corpo, foi à pastelaria mais próxima tomar uma bica e comer um
Depois voltou para a quinta, procurando abstrair - se das múltiplas sensações que teimavam
Quando regressou ao passar perto do local, estremeceu e por momentos, a voz íntima voltou.
“Ora bolas, a confissão, afinal não chegou para te calar “ - pensou. Não era porém tão
De novo em casa, concentrava - se na arrumação do saco. Dirigia - se à saída quando sua
- Filho, tu não nos contas nada da tua vida mas eu pressinto que nos vais deixar. Que há - de
Acabrunhado, João não soube que resposta dar.
Também a idosa, passado um breve momento de silêncio, rodopiou sobre si própria e saiu
Pensativo, também ele saiu a caminho do estaleiro.
À secretária, consultou a agenda para se certificar dos compromissos apontados para esse
Já tinha avisado o rapaz de que sairiam mais cedo e chegada a hora, pagou - lhe e estendeu –
Isso porém, só o sabia ele.
Continua...
Dirigiu - se à habitação, onde sua mãe já tinha posto a mesa. Durante a refeição, foi pensando
A meio do repasto, repentinamente, decidiu – se. Não os posso abandonar! Não vou! O que for
Como que movido por uma mola, levantou - se da mesa. Ao sair de casa constatou que na casa
Pouco depois, tirava as roupas do saco e malas e arrumava - as no guarda - fatos e às malas
Depois seguiu para a vila, tomou um café no estabelecimento mais próximo e regressou.
Voltou à agenda e decidiu reassumir os compromissos do dia, a começar por um orçamento
Lembrando - se daquele último, propôs - se ser - lhe prestável, e ligou - lhe a perguntar se
- João, eu acho que não deves sair de casa homem! Tu não estás em condições de conduzir!
Deita - te um bocado e relaxa, sossega!
Ele porém, embora intimamente lhe desse razão, decidiu que faria o recentemente combinado
O orçamento era para uma obra em Viana do Castelo e seguiram na carrinha dele, com o
Ao aproximar - se do local, onde se dera o fatal desfecho para o Cosme, “embora ao
Mal tinha entrado em casa o telefone tocou. Era o filho mais velho, completamente fora de si.
- Pai, onde deixaste o tio ontem à noite?
- Eh pá, parece que estás maluco homem! Estás aos gritos porquê? Deixei - o aí em
Ainda em pânico, o filho gritou - lhe, conseguindo introduzir alguma ironia.
- Pois... - e após um curta pausa acrescentou, com voz chorosa - deixaste - o em Matosinhos e
Quase chorava, completamente dividido e em pânico.
Mentiu de novo e procurou sossegá-lo.
- Eu deixei - os seriam p’raí oito e meia da noite e vim embora, e eles teriam talvez, ido a um
Ainda com voz insegura, o filho retorquiu, envolvendo uma ameaça velada.
- Eu não sei... A Judiciária vai investigar...
Sentindo que tinha de estar presente, tentou aparentar calma e prometeu.
- Agora já percebo, porque era que ao chegar à Areosa depois de fazer a Circunvalação,
E desligou.
Quando passou pelo local, já a GNR comandava o trânsito, tal era a aglomeração de veículos.
Abrandou e olhou para o troço de estrada velha onde ele e o Cosme haviam altercado no dia
Em Matosinhos, porém a nora disse - lhe que o filho andava com os investigadores e ele
A curiosidade cada vez mais juntava gente no local. Na área restringida e delimitada, os agentes trabalhavam, e entre eles alguns com máquinas fotográficas de potentes objectivas (A Judiciária já investiga). O que for se verá), pensou.
continua...
II CAPÍTULO:
Acordou ao som áspero e irritante de ferros a roçagar, quando as chaves fizeram
Lentamente, foi tomando consciência do lugar e da situação em que se encontrava.
Mandado de Detenção - era o título do texto, com data de 97.03.03, que às duas da manhã do dia 97.03.04, lhe tinham posto na frente e mandado assinar, o dia em que acabara de despertar.
Olhou o relógio e constatou serem dez da manhã.
Quando procurava virar - se no catre, uma forte dor na coxa direita fê-lo soltar um gemido
Quase ao mesmo tempo a que se iluminavam as duas lâmpadas sobre a porta, o ruído repetia - se, agora
Era aberta a sua cela, a última, e uma voz tonitruante anunciava.
- Pequeno - almoço! Toca a levantar!
Na curta conversa que tivera com os outros três presos preventivos, logo depois de ter sido despejado ali, ficara a saber que o pequeno – almoço era por volta daquela hora. Ali estava ele.
Desde a entrada da cela, a mesma voz perguntou, autoritária e abrutalhada.
- Venha buscar o café! …Ou não quer?
Queria, porque não comia havia já quinze horas. Por isso pediu.
- Por favor, deixem ficar aí na mesa.
A voz, impessoal e sem denotar especial atenção, inquiriu.
- Então que tem na perna?
Enquanto o faxina do refeitório deixava o pequeno-almoço em cima da mesa. Queixou – se.
- Foram os agentes que me sovaram.
Só então percebeu que aquele homem fardado de cinzento e azul, seria um guarda prisional, tipo de pessoa que via pela primeira vez na vida, quando se virou na cela, para ver o que ele iria fazer com o pequeno-almoço que lhe traziam.
Reparou que o homem cinquentão, envergava umas calças e camisa cinzentas, sobre esta última, um
Deixando algo sobre a mesa plástica, de esplanada aquele homem magro e alto, algo encanecido pelos
- É, eu ouvi dizer que sim, que entrou lá para cima às oito da noite e que só desceu à cela, às duas da
Aquilo é que foi malhar - lhe, hem?!
- Pois...São uns heróis...
São uns heróis... - repetiu amargamente o detido.
- É assim, senhor João. João Costa, não é? – Perguntou, para confirmar o que lia na ficha que trazia
Antes de responder, espreitou a placa com o nome que o guarda trazia afixada no pulôver.
- Sim, senhor Teixeira, há quarenta e um anos.
O vigilante continuou.
- Quando se cai aqui...Fica - se sujeito a tudo. Tem que se aguentar…
Vá lá, tente chegar - se à mesa e fazer a limpeza, que está aí a vir o dona Maria, o velhote que limpa
Eu volto daqui a pouco. Até já. E fechou a porta à chave, o que resultou no ruído que tanto havia irritado o João, que respondeu.
- Até já senhor Teixeira.
Mas este apressado, já nem o teria ouvido porque nem respondeu.
Sem outra roupa além da que tinha no corpo, tinha - se metido vestido, debaixo do lençol e do cobertor,
Soergueu - se sobre os cotovelos e apreciou os “aposentos” com cerca de 15 m2, que percebeu terem levado obras de reparação recentemente.
As paredes estavam revestidas a massa kerapa, pintada com tinta de esmalte creme, tal como o tecto.
Por detrás dele, na parede ao fundo, em vez de janelas um quadrado com cerca de um metro, a metro e meio do chão, de tijolos de vidro por onde entrava uma réstia difusa de um sol que prometia aquecer aquele dia 4 de Março.
Sobre a mesa, tinham deixado dois pães, uma pequena embalagem de compota e uma caneca de aço, das que o João só conhecera na tropa, quase cheia de um fumegante líquido cinzento que facilmente conclui ser café com leite, e uma colher de metal.
O primeiro pequeno - almoço atrás das grades, da sua vida de quarenta e um anos de muitos trabalhos e
Enfim, já o povo dizia, na sua grande e vetusta sabedoria que, “no Hospital e na Cadeia, todos temos uma tábua...”
Mas nunca ele teria suposto que um dia, viria a beber daquele fel... ou melhor, a puta que mais amara na vida! Enfim, era a “puta da vida”!
Ao lado direito da mesa, em frente à porta - gradão, estava a cadeira de esplanada, de plástico como a mesa, em cujas costas tinha deixado ao deitar - se, o blusão de cabedal castanho - escuro, já algo coçado, que pedira aos agentes para ir vestir ao sair da quinta, pois estava em camisa e a noite aproximava - se. A centímetros dela, um tabique à direita, a sanita e o pequeno lavatório fixo na parede, por debaixo do qual estava um balde plástico, para o lixo. Perto deste, um pequeno alguidar escuro, também plástico.
O piso era revestido a mosaico de trinta por trinta centímetros, esbranquiçado com pequenas pintas pretas e cinzentas.
Levantou-se e com alguns gemidos e ritos de dor, chinelou as sapatilhas e arrastou os pés até à mesa.
Sentou - se, e com a colher, abriu o pão e a embalagem de doce com que o barrou com compota de marmelo.
Já não comia fazia tempo. Por isso, algo sofregamente bebeu o café com leite e comeu o pão com doce.
Da cela ao lado, chamaram.
- Ó companheiro! Sou eu, o Cané, o vizinho do lado. Bom dia!
Não te lembras de termos conversado quando entraste?
Se calhar vinhas a ressacar, não?
Ressaca, para o João, era a consequência normal de uma bebedeira.
Por isso retorquiu.
- Não, eu não bebo.
O outro riu e esclareceu.
- Não me refiro à bebida. Mas estou a ver que também não fumas nem te injectas.
Negou, em resposta.
- Não, só raramente e por brincadeira pego num cigarro.
O vizinho riu - se, ao concluir que o João continuava sem perceber.
Ouviu - se uma voz esganiçada que os interrompeu.
- Bom dia! Toca a varrer, meninos! Vamos à limpeza!
O Cané respondeu pelos dois.
- Bom dia, dona Maria.
Agradeço ao João, toda a sua boa vontade em relatar detalhadamente todos estes factos, trabalho que fizemos ao longo de algumas semanas, nos nossos passeios terapêuticos pela quinta do Estabelecimento Prisional .
As personagens e lugares que descrevo são totalmente fictícias
Não quero contentar-me com pouco
Não posso contentar-me com o que tu me ofereces
Entenderia se fosse apenas medo
Mas não é
Teu prazer não sacia o meu
Porque eu preciso muito mais do que encontros
Preciso muito mais que momentos curtos
Eu preciso de olhares demorados
De surpresas ao fim do dia
Eu preciso que me telefones no meio da noite
Seguido de uma voz cheia de saudade
E insónias por eu não estar por perto
Eu preciso de abraçar - te em público
Eu preciso amar-te por inteiro
Eu preciso exalar desejos e derreter-me num beijo quente
E num abraço demorado
Dançar uma música que apenas toque nas nossas mentes
Embriagar-me com perfumes
Sentir meu corpo arrepiando e o coração acelerando
Ter os meus cabelos grisalhos despenteados
Ter mãos que me tomem para me ter sempre
Mas com sentimento de quem ira me perder amanhã
Desejos intensos, enlouquecer, perder toda a seriedade
Esquecer de ter juízo e saber que nunca vou perder-te
Sentir os meus pés flutuando
O vento no meu rosto
Estar envolto na fragrância da manhã
E se for uma manhã de Outono, será melhor
Ver folhas caindo, trazendo renovação
Necessito disso, necessito que me renoves
Mas o teu desejo é pouco perto do meu
Tu queres a carne enquanto te ofereço a alma
Tu queres o mínimo enquanto te ofereço o infinito
Desejo amar uma única vez, ser todo eternamente
Mesmo quando o tempo não permitir mais
Mesmo quando o físico já não estiver presente
Todos um dia iremos ficar sós…
Seja por opção da nossa companhia
Seja por circunstâncias da vida
A solidão sempre estará à nossa espera
Mas já não me assusto mais com ela
Quero apenas me entregar por inteiro
Porém não mais a ti
A lareira espalhava um odor
Doce a eucalipto por toda a sala
Abraçados, próximo às chamas
Trocávamos também de calores e sabores
Ela sussurrou uma brincadeira fútil ao meu ouvido
E eu ofereci-lhe um gole do meu conhaque
Em balão aquecido
Ela tossiu, era forte de mais para ela
Lambi um excesso
Que se alojou nos seus macios lábios
Ela esquivou-se, sentiu um arrepio
Daqueles que deixam a pele levantada
E a vontade ao rubro
Continuei…
Beijei o seu queixo
E fui descendo lentamente
Pelo seu elegante pescoço
Enquanto ela, desabotoava a minha camisa
Sorvi profundamente o perfume do seu pescoço
Era uma fragrância quente e sensual
Passei com a ponta da minha língua
Pelos seus mamilos e parei…
Segurei-a firme pelos ombros
E encostei-a no sofá
Comecei a despi-la, devagar
Apreciando cada pequeno detalhe da sua imagem
Os belos seios ainda em botão
Os pequenos pêlos
Que nasciam logo abaixo do umbigo
E corriam em direcção do seu sexo
Como se escapassem para um refúgio secreto
Ela arrepiava-se, a cada toque da minha mão
Não existia mais frio ou chuva
Apenas eu e ela naquela sala quente
Deitei-me sobre ela
Havia chegado o momento, tão desejado
Antes de a sentir
Na sua provocante intimidade
Beijei-a com imensa ternura
Afinal de contas, ela merecia
Antecipou-se…
E transportou-me, até ao paraíso
Pelas suas próprias mãos...
Fui deliciosamente dominado…
E gostosamente amado
Chupo
O fruto teu
Na moita
Que o vento
Açoita
Com boca
Afoita
Que grita
Como louca
Que goza
Como vento
E geme
Como mulher
Foi numa manhã preguiçosa de Domingo
A desordem no quarto, os lençóis amachucados
Roupas ainda espalhadas pelo chão
Fragmentos de uma louca noite de amor
Aquela urgência do desejo louco
Que tomou conta das nossas vontades
Desvarios da paixão dos corpos, ainda quentes
Reminiscências do gosto dela na minha pele
A doce sensação da sua existência
Ainda dentro do meu próprio corpo
Sobre a cama, depois do banho
Recupera forças de pernas abertas
Numa provocante descontracção
Mostra as suas pétalas ainda húmidas
Aquela linda flor delicada
Digna de ser contemplada
Indicando apaixonadamente
O caminho do prazer
Renascem novas lembranças
E disparam incontroláveis desejos
As suas cores mais íntimas, roubam-me a atenção
E o seu perfume sensual inunda o meu coração
Discreto convite
Ao desejo da carne e da paixão...
E eu, uma vez mais não resisti…
O teu olhar
Já não tem o fogo de outrora
Alguém o levou
Ou foi embora
O teu olhar tem agora
Aquilo que o tempo marcou
Aquilo que te magoou
Mas...no fundo do teu olhar
Ainda consigo ver
Que anseias por amar
Por dar e receber
E um dia, o fogo voltará
E sem anunciar
Os teus olhos voltarão a brilhar
Toda a minha vida
Ansiei por algo desconhecido
Um sentimento não identificado
Nunca antes sentido, nunca antes vivido
Nunca tido como sendo verídico
Subestimado, como um senso impossível ou fatídico
Até que um dia
Descobri como tinha sido inocente
Quando encontrei a minha musa
Tudo mudou de repente
Quando te vi pela primeira vez
Senti que era magia
É inspiração para acordar mais um dia
A tua fragrância a maresia
O teu odor característico
A tua doce pele implementada por esse olhar místico
Corpo artístico
Lei de qualquer mortal
Criado por deus num dia de inspiração excepcional
O apogeu da beleza bilateral
Incorporada num ser
Ser a perfeição o auge
Tu és o que vem a seguir
Protagonista dos meus sonhos
Habitante do meu pensamento
Foste a minha paixão
Pensava em ti a todo o momento
Ainda me lembro
Do dia que falámos pela primeira vez
Eu que era desinibido
Conheci finalmente a timidez
Suores frios
Sorrisos forçados
Diálogos escassos
Distraído da conversa
Só te imaginava nos meus braços
De dia sonhava acordado
De noite nem sequer dormia
A pensar na dama
Que eu imaginava na minha cama fria
Vivia na fantasia
De te ter á minha beira
Mas já mais imaginei
Amar alguém desta maneira
Pouco a pouco
Foi surgindo entre nós uma amizade
Segredos revelados
Confiança mútua, cumplicidade
Trocamos sentimentos
Alegrias e sofrimentos
Trocámos carícias espontâneas
Por vezes inconscientes
Mesmo sem falar
Porque o olhar dizia tudo
Foi ai, que me apercebi
Que o sentimento era mútuo
Olhos nos olhos
Arrastados pela força do desejo
Da planta do nosso amor
Floriu o primeiro beijo
Recordo esse momento com saudade e nostalgia
Mas cada vez que estou contigo
Parece que voltei a esse dia
Tens em ti
A magia que me encanta desde o começo
Às vezes, pergunto a um deus qualquer
Se te mereço mesmo
Será que te conheço
Será sonho ou realidade
Cheguei a pensar
Que isto era bom demais para ser verdade
Cheguei à conclusão
Que se o amor realmente existe
Então, nada é ilusão…
Quero continuar ao teu lado
Como noivo sem aliança
Na alegria e na tristeza
Na saúde e na doença
Dar-te a mão, ganhar asas
E voar pró infinito
Adorar-te como uma deusa
Fazer do teu nome um mito
Construir para ti um lar
Digno do monte Olimpo
Criar uma nova palavra
Pois é mais que amor que sinto
És tudo o que realmente
Um dia eu sonhei
Se a alma realmente existe
A minha é tua, e de mais ninguém…
És tudo na minha vida
Amo-te muito mais do que ontem
E muito menos do que amanhã
Estou rendido ao sentimento
A que o meu coração me obriga
Quando sentires que a vida não faz sentido
lembra-te que és o sentido
da vida deste perdido…
Lembra-te...
És o sentido da vida
Deste coração apaixonado
.
Um doce beijo, neste dia dos namorados
Quando sei que vou estar contigo
Parece que o dia se ilumina
Sinto-me melhor
Mais confiante com uma vontade louca de te falar
Adoro quando me olhas com um sorriso no olhar
Quando ficas contente por mim
Com cada uma das minhas pequenas
Ou grandes vitórias, como se elas fossem também tuas
A verdade, é que acho que sem ti
Não tinha tido nenhuma vitória nos últimos tempos
Ou talvez, as tivesse mas nem as notava...
Tal como toda a minha vida
Alegras-te com as minhas pequenas ou grandes vitórias
Como nunca ninguém fez
E, por isso mesmo, eu nunca lhes dei importância
Foi isso que me fizeste
Ensinaste-me a dar importância
Às pequenas coisas que faço
Ensinaste-me a reparar em mim
Ensinaste-me a ter auto-estima
Apenas porque gostas de mim
E ficas feliz por mim
Com aquelas coisas que eu aprendi
Com a vida, a fingir que não têm importância
Imaginas o que senti
A primeira vez que deste importância a uma delas
Questionei: «porquê?» nunca ninguém tinha dado
Nunca ninguém tinha demonstrado
E eu vivi sempre olhando
Apenas para a sombra daquilo que fazia
Em vez de olhar, com orgulho, para aquilo que fazia
Por um lado foi bom
Por outro fez-me sentir amargurado
Pelos aplausos que nunca me deram
Pelo inseguro que me tornaram... e hoje, agora
Não será tarde demais?
Por isso preciso de ti...
De te falar
De sentir o teu apoio
Do teu amar…
De envelhecer a teu lado
Fica comigo meu amor…
Os teus lábios convidam-me
A molhá-los
Morde-los
Saboreá-los
Lábios carnudos
Provocantes
Ardentes
Entre toques intensos...
Nossas bocas procuram-se
Enfim
O beijo
Corpos em chama
Sentidos acelerados...
Beijos desenfreados
Tentações
O desejo...
Fome de boca
De tacto
De língua
Endoidecido
Cerco-te, perco-me
Inicia-se a dança frenética
Entre beijos
Toques
Desejos
Chegamos ao êxtase
Os nossos corpos
Sentiram-se e buscavam-se
Saciaram-se…
Quis escrever um poema de Ano Novo
Um poema tão contagiante quanto música
Um poema tão simples
Que nem precisasse de tradução
Quis escrever um poema novo
Desses que arrepiam, tocam a alma
Quis escrever um poema de Ano Novo
Que convocasse ao abraço, ao carinho
Um poema cálido como colo de mãe
Um poema que afastasse as mazelas
Um poema carregado de energia
Que doasse vida a quem o recitasse
E que trouxesse só alegrias aos ouvidos
Quis escrever um poema todo vestido de branco
Iluminado, como devem ser todos os dias
Um poema que saltasse dos livros
E, como girândolas, girasse, pelas montanhas
Numa profusão de cores e brilhos
Quis escrever um poema abençoado
Um poema que vos abraçasse a todos
Como uma graça
Despido de credos, fronteiras, linguagens
Quis compor um poema cujas rimas
Tivessem a riqueza de destruir os carrascos
Quis escrever um poema de Ano Novo
Quis envolver cada amigo com uma métrica mágica
Capaz de transformar, criar, soterrar injustiças
Quis escrever tudo isso
Na busca desse poema ideal
Acabei em apenas uma única palavra
Acabei, artífice, poeta incapaz, descobrindo
Um único vocábulo…
Síntese de toda minha ânsia
Aí está…
Meu poema incompleto
Aí está….
Que em 2008, tudo se resuma a uma única busca. (Viver) com:
Saúde
Paz
Amor
Prosperidade
E, a vossa amizade
Bom Ano 2008


Uma das minhas grandes fantasias (e não estou a falar de fantasias sexuais) é viver na prisão.
Isso mesmo: estar preso, encarcerado, detido num estabelecimento prisional, ver o sol aos quadradinhos.
Não prisão de anos e anos, porque isso seria demasiado chato, mas durante uma meia dúzia de meses. Talvez um pouco mais.
É uma experiência que deve ser interessantíssima.
E tem algumas vantagens notáveis: sem pagar nada, tem-se cama, mesa e roupa lavada, como se costuma dizer (e ainda assistência médica).
Pode-se ler, escrever, caminhar ao ar livre no átrio, jogar futebol, conversar, dizer asneiras, aprender coisas sobre droga e o tráfico respectivo, verificar (mera observação, entenda-se) como é a homossexualidade nesses locais, tomar conhecimento de como assaltar carros e casas ou mesmo abrir cofres, apurar se é verdade que os bolos ofertados pelos familiares tem limas no seu interior e adquirir bons hábitos (há hora de deitar e hora de levantar).
E não é obrigatório ver televisão, andar de fato e gravata, tomar banho todos os dias, receber telefonemas, sms’s e e-mails a toda a hora e momento, andar na filas de trânsito, à chuva, ao sol, ao frio e ao vento, ouvir o chefe a dar ordens imbecis e muito mais que deixo à vossa imaginação.
Há um aspecto negativo: a falta de contacto com mulheres. Mas umas saídas precárias ajudam a ultrapassar esse problema.
Quando se é novo, essa privação é muito constrangedora mas, conforme a idade vai retirando algum vigor e entusiasmo, essa restrição torna-se mais suportável. E quando se é muito mais velho e as carências são mínimas, nem se pensa nisso.
Não é por acaso que alguns velhotes que não têm onde cair mortos se pelam por uma estadia como presidiários. E fazem um assalto ou outro pequeno crime só para poderem ir dentro e desfrutar de algum tempo com umas regalias mínimas de forma absolutamente gratuita. Uma vez cá fora, lá vem a fome, as dormidas ao relento ou em más condições de salubridade e todas as chatices que não tem dentro da prisão. Mais um crimezito e segue-se outro período de sossego e relativa fartura.
E como hei-de eu realizar essa fantasia?
Antes de raciocinar sobre o assunto, deixem-me dizer, como aparte, que navegar meses a fio num navio pode ser uma experiência um tanto semelhante, mas menos radical. Digo-o, embora nunca tenha experimentado nenhuma das duas situações. Por mero palpite.
Vou então tentar descobrir qual a melhor maneira de concretizar esse sonho: o que fazer para ir bater com os costados numa masmorra do nosso tempo?
Parece ser óbvia a resposta: cometer um crime.
Mas que tipo de crime?
O que primeiro me ocorre quando se fala em crime é o homicídio (deve ser por ter visto tantos filmes policiais e lido muitos livros da Aghata Christie). É certo que pode dar uma pena judicial muito grande e um tipo acabar por se chatear de estar lá dentro. Mas é uma hipótese a analisar melhor.
Homicídio!
Mas com que arma? Arma branca?
Não me agrada muito! Fica o chão sujo e as paredes salpicadas de vermelho. Não! É uma porcaria!
Salvo se a vítima tiver sangue azul. Então a cor das borradelas e dos salpicos deixaria de ser o vermelho cor de inferno e passaria a ser o azul cor de céu. E pegando numa pasta dentífrica branquinha, poderia fazer umas riscas brancas e até pareceria que estava no Estádio do Dragão em dia de jogo da bola.
Mas, digo-vos francamente, quer seja sangue vermelho ou sangue azul, é solução suja que não me agrada. Adiante!
Violação também não!
Ia um tipo para a ala dos violadores e vejam bem o que poderia acontecer. Chiça!
Não! Definitivamente, não! É para esquecer!
E que tal envenenamento?
Com remédio do escaravelho?
Excesso de medicamentos?
Cogumelos?
Parece não ser má ideia. Mas quem pode ser a vítima? Só alguém com quem privemos diariamente para ser um trabalhinho progressivo. Complicado. Desisto!
Posso, no entanto, cometer um crime mais suave para estar menos tempo lá dentro.
Assalto e roubo. Até é possível graduar a pena. Se for à mão armada, dá mais tempo na choça. Sem arma na mão, menos. Acho que começo a chegar ao ponto. E se a vítima for uma velhinha indefesa, é canja!
Penso que já fiz a minha escolha: assalto com um canivete suíço a uma velhota.
Mas convém ser perto de uma esquadra da bófia para eles me deitarem logo a luva e assim já passar essa noite na prisa.
Entrar para lá assim, de supetão, deve ser muito mais emocionante.
E tem a vantagem de, se aparecerem uns malucos a tentar fazer justiça à moda de Fafe, haver logo ali, à mão de semear, quem me defenda.
Mas...
E se os monos fizerem de conta que não viram nada?
O melhor é mesmo fazer o assalto noutro local e depois ir entregar-me, esperando que eles não me mandem embora. Senão, andei eu a tentar fazer um trabalho esmerado, a assustar uma velhinha, com o risco de ela ter um ataque e ir parar à Sociedade dos Pés Juntos e Mãos Postas sita na Quinta das Placas e das Cruzes, para nada. E se a anciã morre com o susto vou preso por homicídio, o que não é o objectivo. Mas é preciso correr alguns riscos.
Continuando a detalhar a minha escolha:
Canivete suíço, já tenho!
Falta a velha!
Onde hei-de encontrar uma velha?
Ora! À porta de um lar da terceira idade. Nem mais!
Resumindo:
Vou assaltar uma velhinha perto de um lar da terceira idade, num local ermo e quando o sol já se tiver escondido (ia-me esquecendo deste pormenor), com um canivete suíço e, logo de seguida vou-me entregar numa esquadra.
Depois vem o julgamento.
Confesso o crime, digo que não estou arrependido e, com um bocado de sorte, apanho um juiz mauzão que me manda para o xelindró por uma boa temporada. Aqui há outro risco: o juiz mandar-me em liberdade. Se isso acontecer, paciência. Volto à estaca zero.
Enquanto lá dentro, procurarei escrever muita coisa sobre a vida prisional que, naturalmente, quando estiver do lado de fora, verto para o blog. Melhor ainda: posso escrever um livro.
E como já fiz um filho e plantei uma árvore...
(Não sei se enterrar um caroço de pêssego na terra de um jardim público conta como tendo plantado uma árvore, com um bocadinho de boa vontade, acho que sim)
Àquela que me teve e criou...
E a ti...
Àquelas com quem fiz sexo...
Àquelas com quem fiz amor...
Àquelas que amei...
Àquelas que amei sem ter feito amor...
Àquelas que (quase) me estragaram a vida...
Àquelas que me amaram...
Àquela que me há-de amar...
E a ti...
Às que me encantaram...
E às que me fizeram cantar de felicidade...
E a ti...
Às companheiras que caminham comigo...
Às amigas que me dão ombro...
E às que me dão colo...
E a ti...
Às que me ouvem em noites de desabafo...
Às que me escolhem para desabafar...
E a ti...
Às bonitas...
Às menos bonitas...
Às colegas que tornaram menos cansativos os dias de trabalho...
Às sonhadoras que viajaram comigo por tantos e tantos sonhos...
Àquelas que me levaram até ao próprio sonho...
Àquelas com quem sonhei...
Àquela com quem sonho todos os dias da minha vida...
E a ti...
A ti... que és bússola que me guia...
A ti... meu norte, meu sul e minha vida...
A ti... que espero ver sempre que abro os olhos pela manhã...
A ti... que és a razão de eu querer continuar a ter olhos... e manhãs...
A todas vós...
O meu muito OBRIGADO por existirem na minha vida...
Fiquem, pelo menos mais um dia
Se possível até ao resto da vida...
Pelo menos mais uma vida...
Bem Hajam!!!!!
Parece que o amor anda nas bocas do povo
Não há raio de sítio onde não se fale de amor
Está tudo a passar-se?
Mas que merda é esta?
É gente aos beijinhos e apertos em tudo quanto é sítio
É gente a escrever cartas de amor
São ramos de flores nas mãos de homens com cara de parvos
São coraçõezinhos de mil formas e feitios nas montras das lojas
Para já não falar nos ursinhos de peluche
A dizer “I love you so much” da parte da frente
E “Made in China” da parte de trás
Numa etiqueta branca que sai do cu do urso
Depois há as baladas de amor
Desde a música do pimba mais foleira da Beira Baixa
Até ao “Donna, seus beijos traiçoeiros...” dos Roupa Nova
Ou ao Roxane do Sting
É só amor (isto para não falar de outras fraudes em "stereo"
Na literatura, bem... aí nem vale a pena falar
São milhares de milhões de toneladas de papel
Gastos a escrever fatelas historietas de amor
Podemos começar pelo Romeu e Julieta
Do decadente Shakespeare
E acabar numa pessegada qualquer da "Colecção Arlequim"
E no cinema?
A palhaçada do Sweet November, do Piano, do Pretty Woman...
Huuuugghhhhh dá-me vómitos
E o Closer? ...
(Bem já vomitei...
Vi logo que as tripas enfarinhadas do almoço
Vinham fora com esta conversa de tótó...)
E nos Blogs?
Pronto... aí é a desgraça, é amor a torto e a direito
Repito: Mas que merda é esta?
“Tasse” tudo a passar?
O que é que esta gente anda a beber?
E se fossem todos apanhar no cú?
Não seria melhor? Mas apanhar no cu sem amor
Claro, porque apanhar no cú com amor até deve ser bom
(a avaliar pelas pessoas que levam, até deve ser bom)
Seus amantes fatelas
Decadentes, promíscuos e sonhadores parvos
E se em vez de amor
Pensassem em trabalhar para levantar este país?
Não acham que seria bem melhor?
Por cada beijinho que se dá são 0.5 cêntimos de euro
De produtividade que o nosso país não tem
E cada queca, bem... uma queca sem amor nem sai muito cara
Mas uma com amor arrasa com a economia
Será que nos relatórios e contas do Banco de Portugal
Há balanços, balancetes e demonstrações de resultados dos amantes?
Será que o orçamento para fazer um hospital
Se mede em beijinhos e quecas?
Continuem a amar que vão ter um triste enterro... Continuem...
E depois venham-se cá queixar que eu mando-vos logo à merda!
...
...
Mas esperem, eu não amo, já não me lembro o que é ser amado, já não leio livros, nem oiço canções de amor, sou um autómato que deambula pela vida sem já saber o que é a própria vida, já não amo há tanto tempo que já não tenho vida.
Eu nos livros que lia, via que o amor era o motor, era a razão para se viver. Se calhar é por causa disso que já não me importo de morrer.
Mas porquê?
Queria voltar a oferecer uma flor, queria que me dessem um beijo, queria passear de mão dada com uma cara de parvo. Queria dar um mergulho nas águas geladas do mar da Foz para me fazer forte à frente do meu amor (e depois cair ao lado dela morto com uma hipotermia fulminante)...
Queria oferecer um urso de peluche a dizer “I Love you Honey”...
(Não... Espera... fodassse não, essa merda não... URSOS DE PELUCHE E FRASES FEITAS É QUE NÃO!!!!! DEFINITIVAMENTE N Ã O! )
Nem me importava que me amassem outra vez, agora foleirices de mau gosto dispenso...
Continuando...
Estava eu a falar de amor não era?
Era tão bom que eu ainda soubesse de que falava... mas já esqueci.
Já não me lembro o que é pôr a mão no peito de quem se ama para sentir o tiquetaquear do coração, já não me lembro das voltas que uma língua tem que dar para um beijinho, já não me lembro do que é ter razões para acordar, para existir...
Já não me lembro do que é alimentar-me de um olhar, e quase morrer de fome, já não me lembro como era...
E tu meu amor, lembras-te?
Se calhar eu próprio já não passo de uma sombra, um fantasma...
Estou cansado, muito cansado
A vida sem dar e receber amor cansa!
O amor é uma cama de rede, pendurada entre duas árvores, onde relaxamos, descansamos, suspensos, quase levitando...
Os olhos não brilham, a boca não sorri, já não sei se o coração ainda bate... ( Se calhar é o meu fígado ou bexiga que me faz estar vivo)...
Bem, já são 23 horas
Chega, vou desligar o computador e ir para a cama fazer amor
É tão booommm
Se eu pudesse
Partia…
Deixava tudo para trás, ia embora
Abandonava o emprego, a segurança
Despedia-me da família, dos amigos
Se eu pudesse ou soubesse como
Saltava alegremente de galho em galho
Como macaco brincalhão e despreocupado
Não aqueceria nenhum lugar
Não perderia tempo com quem não me conquistasse
Se eu conseguisse, esquecia...
Não guardaria fotos, nem filmes
Não conservaria elos comuns, começaria tudo de novo
Se eu tivesse destino
Fugia
Vendia a casa e o carro
Rumava a África, fazia um safari
Atravessava um deserto, fazia um cruzeiro
Percorria os caminhos de Santiago, visitava a Índia
Tomava banho no Vietname, conhecia bem o Brasil
Se eu pudesse, não mais voltaria
Seria um Adeus
E não um Até breve
Como não posso
Não sei, não consigo, nem tenho...
Ficarei, voltarei...
Até breve!
Se eu fosse pintor
Faria o teu retrato usando traços suaves
Misturava cores
Até encontrar o tom exacto da tua pele
Pintaria teu rosto, e teus lindos olhos verdes
E todos entenderiam
O porquê do meu amar
Mas eu não sou um bom pintor
Se eu fosse escultor
Talharia cada curva do teu corpo
Com o cuidado de quem faz uma jóia
Em cada detalhe esculpido
Poderia reproduzir
Toda a sensualidade que exala de ti
Mas eu não sou escultor
Ainda assim quero retratar-te
Vou pintar-te numa poesia
Mas não encontro uma palavra
Para descrever a beleza e paz do teu sorriso
Então…
Vejo-te mais uma vez
Afago-te docemente
Cubro-te de beijos
E descubro que não preciso de te descrever
Só preciso de te ter…
O tempo passou e eu sobrevivi
Ou melhor
Aprendi a viver sem ti
Pena que junto ao tempo
Também acabaram os poemas…
As inspirações
Os desejos de te amar loucamente
Não digo que tudo foi em vão
Sei que não foi
Mas é um alívio não estar preso
Aos pensamentos de te amar
Um grito a liberdade
Apenas pronto
Para apaixonar-me novamente
Sei que muitas de vós
Ainda vão cruzar no meu caminho
Mas um dia
Sei que vou acalmar esta velha alma
E meu jovem coração…
Tu foste a mais perfeita
A eleita
O ar que respirei
A vida que eu sonhei…
Tu foste…Agora eu sou
Era noite
O céu já estava iluminado pelas estrelas
Estava sentado à beira-mar
Com os pés na água
E um Marllboro acesso numa das mãos
A meu lado
Uma cerveja super bock de lata
Minha companhia surda no momento
Enquanto isso
Olhava fixamente para o céu
Exactamente para a minha lua
E as estrelas que a circundavam
Meu pensamento distante
Meus ouvidos apenas ouvindo o mar
Mas logo senti
Um aroma diferente no ar
Eu conhecia bem aquele perfume
Era inconfundível
Diante de todos os aromas que conheço
Com um sorriso nos lábios
Apaguei o cigarro dentro da lata de cerveja
Que entretanto tinha acabado
Não ousei olhar para trás
Apenas senti
Aquela mão aveludada
Invadir o meu rosto
Não me contive
Levemente toquei aquelas mágicas mãos
Entrelaçando-as com as minhas
E beijei-as demoradamente
Fatalmente a minha boca
Encosta naquele anel que eu mais gosto
Aquele anel de ouro branco
Com diamantes e detalhes riscados
Desenhado por mim
Apenas estiquei a cabeça para trás
Olhei aqueles olhos lindos
E sorrindo, captei o mais belo sorriso
Levantei-me
Apertei-a contra mim
E beijei-a apaixonadamente
Senti seu coração junto ao meu
Em batidas compassadas
Levemente
Afastei os seus cheirosos cabelos pretos para o lado
Como se os estivesse penteando
Seus olhos castanhos estavam fixos nos meus
A sua boca entreaberta
Convidava-me novamente ao doce néctar
Beijamo-nos novamente, ardendo de tesão
Depois do beijo
Olhamo-nos enternecidamente
E sussurrou…
Tenho de ir meu amor
Antes que ele volte…
Virou-se e desapareceu…
Eu fiquei ali estático, anestesiado
Pensando se fora um sonho bom
Ou se a realidade existe
Deitei-me na areia
E fiquei a olhar para o céu a noite toda
Sentindo aquela areia humedecida
A esfriar-me o corpo
Porém
Meu corpo e pensamentos
Queimavam em desejos
De a ver novamente…
É estranho ver-te
E sentir saudades do que não houve
Saudades de tocar o intocado
De sentir novamente o que fantasiei
Voltar a um tempo que ainda não existiu
Uma puta de vida que inventei
Num planeta que vive da tua luz
Invento um presente
Para o futuro que se perdeu no passado
E quando sonho contigo
Não parecem sonhos
São simplesmente
Lembranças do futuro
Certamente endoideci…
Muros, grades, cercas
Tornei-me prisioneiro de mim mesmo
Preso a sentimentos sem razão
Preso em mágoas sem explicação
Preso a um amor impossível
Preso a um sorriso interminável
Preso a um abraço apertado
Ás vezes
Tudo isto me deixa triste
Bem atolado na merda…
Tão obscuros são os caminhos trilhados
Nesta rota seguindo
Sem medo para o fim do túnel
Na esperança de encontrar um pedaço da minha alma
Na lembrança de um afago outrora
Dos olhos escorre apenas uma lágrima
De um jeito tal que me desarma
Ora dor…
Ora saudade…
Sobra-me esta vontade de incendiar
De conclamar
Que mesmo em minhas negações
O pensamento ainda chama
Pelo teu nome…
Sempre quis entender
O que te causa aflição tamanha
Entender e partilhar a tua amargura
Mas tu, fechas-te dentro de ti
Deixa-me ser cúmplice
Dos teus segredos mais profundos
Caminhar tal andarilho
Sem medo nos teus mundos
Porquê, guardar contigo minha amada
Tantas mágoas?
Acaso sabes do meu sofrer?
Olhar o mar e ver o oceano sem água?
Imaginas o quanto
Chora meu coração com tanta tristeza?
Envergas as negras cores
Com que vejo o teu desânimo
Ao certo em teu coração
Guardas segredos inconfessos?
E eu fico a dedicar-te
Poemas, odes e versos
Ah aprendiz de poeta
Que não és capaz
De ter a sensibilidade certa
E deixar que o medo
Te corroa a alma pouco esperta
Porque não permites minha amada
Que a vida te seja sorridente
Como para ti sempre eu quis
Acaso sabes amada minha
Que tão intenso quanto o desejo
É o que sinto
Quando te abraço
E em tua alma dou um beijo…
Acorda
E deixa que eu cuide desse desamor…
Sinto-te
Sem te tocar
Conheço o teu perfume
Sem saber qual o seu aroma
Vejo-te no escuro do meu quarto
Sem lá estares
Oiço a tua voz
No cantar dos passarinhos
Sinto o teu calor
No frio dos meus lençóis
Como te queria aqui para mim
Só para te sentir por perto
Teu cheiro
Tua pele
Teu olhar
E perder-me nos teus braços
No teu colo sonhar
Amarrado em ti
Aprisionar-me e voar
Vá lá…
Vem ter comigo
Atravessa esse mar
Quero tanto estar contigo
Mexer no teu cabelo
Beijar-te a testa
Pegar-te pela cintura
E ficar assim
Por momentos só os dois
Vem
Não me faças esperar…
As nossas mãos afagam a doçura
E estendem-se gentis e tranquilas
Pelas horas infindáveis
De muitas coisas passadas
Em anos vividos
Abraçados num destino
Que transportam consigo
Pedaços de uma vida
As nossas mãos afagam a doçura
E trazem novos afagos de lua
Buscando ansiosas e aflitas
O conforto de uma pele macia
De tanto prazer abraçado
E de tanta delicia sentida…
Despe-me
Tem-me de todas as formas
Esquece a censura
Quero ver o gozo no teu olhar
Ama-me
De qualquer forma
Abro-me
Entrego-me
Sou o teu gozo
Meu corpo nas tuas mãos
Teu prazer no meu
Minha língua
Tua figura
Uma mistura
Uma loucura
De gemidos
De arrepios
Um cio
Nosso amar sem fronteiras
De frente
De costas
De lado
Sem tabus
Amantes
Deliciosamente amados
Quero os teus beijos húmidos
Quero tocar-te com meus dedos finos
Quero o teu corpo lindo
Quero o teu desejar
Quero enlouquecer-te de tesão
Quero ser só teu
Quero-te agora
Quero-te em brasa
Quero-te só minha
Sou teu apaixonadamente
Quero entrar m ti
Sentir prazeres intensos
Nesta noite sem fim
Só nossa
És minha…
Em ti acendo o fogo do desejo
Num só momento
Só tu e eu
Corpos em chamas
Perdidos no tempo
Danço no teu corpo
Envolto nos teus braços
E que bem me sinto...
Dançamos num ritmo lento
Que também sabes acompanhar
E como sabes…
Danço nos teus olhos
Que brilham de prazer
Danço na tua boca
Gulosa dos meus beijos
Danço no teu sexo
A um ritmo alucinante
Dançamos até ficar exaustos
Tu e eu
Nesta dança só nossa
Tento respirar a custo
Sinto um peso no coração
E a medo
Perscruto-o na alma
Será por ti?
Pelo que me fazes sentir?
Maravilhosamente belo
Imensamente vivo
Há muito que não me sentia assim
E há mais tempo ainda
Não sentia alguém como tu
Encantamento de olhos transparentes
Ao ver-te como és
Sei-te meu sonho mais antigo
Na tua voz sonho acordado
E quando me envolves
Nesse carinho imenso
Que sai livremente do teu peito
E sinto o cheiro estonteante
Vontade eu tenho de abraçar-te com força
E dançar contigo essa música maravilhosa
Que sempre ouvi dos teus lábios sinceros
Não quero
Largar das tuas mãos jamais
A suavidade
És a ausência quente no meu corpo
E por
Quero por ti ser perdidamente amado
O arrepio
Que sinto pelo corpo quando te vejo
É reflexo ardente
Desse oceano imenso que me fazes sentir no coração
Ansioso do teu
E nos meus olhos
Encontrarás esse brilho
E por mais que te procure
Nunca consigo satisfazer-me dessa beleza
Preenches-me com essa luz que sei que és
Fazes-me querer gritar ao mundo…
Sou mudo sem ti…
Mas na sombra
Sofro por te querer demasiado
E por não te ter o suficiente
Na tua ausência
Sangro essa luz que és
E na escuridão que te substitui
Fico neste negrume a perambular
Entrei no teu carro
Ligaste o rádio
Tocou exactamente a mesma música
Que estava-mos a ouvir
Antes de sair de casa
Momento
De Pedro Abrunhosa
Somos os dois tão iguais
Exactamente um do outro
Afinal és tu o meu filho
Sei-te a voz
Conheço-te as ondas da tua voz
E por isso pergunto
Que se passa?
E tu respondes
Nada
Mas depois, a musica que escolhes
Tal como eu
É o papel que embrulha os nossos dias
( Momentos )
E para cada dia
Existe uma tonalidade diferente
Consoante a dor da alma
A alegria do coração
Ou simplesmente o vazio
Sempre to disse
Que felizmente tinhas nascido homem
Aos homens tudo se perdoa…
Tudo se compreende
O meu mau feitio
É em ti personalidade
A nossa energia sem limites
É devastadora
De tudo e de todos
É em ti excelência
E em mim
Foi sempre mau feitio
Quando penso em ti
O meu coração divide-se em duas partes
Por um lado
Tenho um orgulho imenso
De
Um espírito
Que nunca será dominado
Um furacão
Que consumirá a tua energia e a dos outros
Mas o teu pensamento
Voa, voa e voa
E tu estás
Simultaneamente preso
Sequestrado dentro de ti
Dentro da realidade que são os outros
E, por isso mesmo
A outra metade do meu coração
Sofre pelas tuas dores passadas
Presentes e futuras
Pela tua condenação
A uma solidão infinita
Mas quero acreditar
Que te dei asas
Que depositei em ti a certeza
De que ser-mos diferentes
Não é mau
É só o que é
A tua constante procura por algo
Que não sabes o que é
Marcará o teu lugar
No coração de quem importa
Não tenhas medo meu filho
Todas as lágrimas são iguais
Agora
A única coisa que tenho por certa
É que após esta carta
Deixarei de pensar em ti
Pousarei
A caneta sobre folhas de papel
E um silêncio imenso seguir-se-á
Já não sou eu o tipo
Que um dia te falou ao ouvido
E quis fazer dos teus dias os seus
Tão pouco
Vou querer saber de noites em branco
Esperando uma mensagem tua
Ou de noites
Em que simplesmente decidiste não aparecer
É a despedida sincera
À minha sensibilidade por ti
Aqui nestas páginas
Repousarão as minhas memórias de ti
Vou calafetar o meu coração
Para que a tua presença
Não me invada esta noite
A haver deste momento adiante
E assim
Poderei adormecer descansado
Sorrindo sempre antes de dormir
Enternecido
Adeus
Caíu um silêncio sobre nós
Que rasga um papel
Ou unhas a rasgarem a parede
Dizia eu
Mas não é verdade
Tu
Sempre foste tão calada
Quando os pastos
E animais se recolhem
Tu
Sempre estiveste aqui
Da mesma forma
Quieta
Amável
Sempre atenciosa
Mas total
E absolutamente muda
Portanto
Quem mudou fui eu
Há pessoas assim…
Quando vamos
A casa dos amigos
Desatamos a conversar
Para a esquerda e para a direita
E nos instantes seguidos
Estamos a ouvir relatos
Da vida intima
De gente que nunca vimos
E rimos
E principalmente
Fazemos os outros rirem
Improvisamos uma refeição
Para um magote de pessoas
Que entram pela porta
Claro
Que não são só qualidades
Não penses
Que é isso que quero dizer
A nossa exuberância
É muitas vezes
Necessidade de chamar a atenção
Urgência
Em que todos gostem de nós
Somos um pouco ingénuos
E eternos adolescentes
Mas falamos e rimos
E levamos os outros
A um corrupio de palavras
O que faz com que
A nosso lado
A tristeza
Fique fora de portas
Muitas vezes
Entalada no nosso próprio coração
Qual segredo bem guardado…
O homem que sou hoje
Vai mudar…
Não quero perder o sorriso
Não quero
Sentar-me a teu lado
E parecer-mos duas estátuas
Numa espera eterna
Que o outro diga alguma coisa
Já te disse, um dia
E digo-te novamente
A solidão
Pesa-me como um casaco molhado
E estar a teu lado
É estar mais só
Do que
Alguma vez estive na minha vida
Vou mudar…
Não vou deixar cair o sorriso
E vou fazer-te sonhar…
Lembras-te
Daquela pastelaria fina
Lá para os lados da Boavista?
Levaste-me até lá
Para tomar meia de leite e uma nata
Levavas contigo
Um bloco de apontamentos
E a tua caneta de tinta permanente preta
Que colocaste em cima da mesa espelhada
Não perguntei nada
Pois sei que gostas de escrever
Falamos de várias coisas
Mas eu olhava-te com olhos famintos
E tu percebeste…
Estavas deslumbrante
Enfiada numa mini-saia avermelhada
E eu vermelho de tesão quando toquei tuas coxas
Por debaixo da mesa
Agarraste-me a mão
E apertaste-a com força
Estava-mos no mesmo desejo
Levas-te a minha numa viagem até ao teu sexo
Estava húmido de tesão
Nem imaginas
O fogo que senti
Vem comigo…
Disseste tu
Segui-te pelo meio das mesas
Sujas de migalhas e café com leite
De conversas sobre tudo e nada
De pessoas que nem reparavam em nós
Levaste-me
Até há casa de banho das senhoras
E trancas-te a porta
O espaço era só nosso
Ali mesmo
Demos azo aos nossos devaneios
Quebrando todas as regras
Lembras-te?
Que grandes malucos…